25 Outubro 2007

Reforma política vai além de reforma partidária, afirma CNBB


A necessidade de uma Reforma Política, que recoloque o país dentro de parâmetros éticos e o debate da CPMF foram duas preocupações discutidas durante a 64ª Reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada de 23 a 25 de outubro, na sede da Conferência, em Brasília.

Foi o que informou o presidente da instituição, dom Geraldo Lyrio Rocha, durante entrevista coletiva à imprensa. Segundo dom Geraldo, o Conselho Permanente “se debruçou não só sobre questões internas da Igreja, mas também sobre questões nacionais que interpelam a própria Igreja na sua ação evangelizadora”.


Sobre o momento político atual, dom Geraldo recordou a nota da CNBB intitulada Democracia e Ética e divulgada em junho, após a reunião do Conselho Permanente, por meio da qual os bispos afirmam crescer “a indignação ética diante da violação de valores fundamentais para a sociedade” e urgir “uma reforma política profunda, para assegurar mais transparência, mais participação e melhor controle social do exercício do poder e do bom funcionamento das instituições”.
Ao ser questionado sobre a reforma partidária, dom Geraldo afirmou que a reforma política precisa considerar um leque mais amplo que a reforma partidária. “Quando falamos em reforma política, incluímos a reforma partidária, mas não restringimos a reforma política à partidária”, disse.


CPMF
Sobre o debate da CPMF, o secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa afirmou que o questionamento que se faz é sobre a maneira como os impostos estão sendo aplicados. “Não se trata de dizer se somos contra ou a favor da CPMF, mas em que o imposto vai ser usado e como esse debate está acontecendo”, disse.

Episcopado venezulano
“Causou-nos muita estranheza a reação do presidente Chávez à exortação do episcopado venezuelano”, afirmou o presidente da CNBB. “Se de um lado respeitamos a autodeterminação de cada um dos países e não nos sentimos no direito de intrometer nas questões internas, por outro lado, preocupa-nos quando estão em jogo valores éticos”, disse dom Geraldo. “Declaramo-nos solidários ao episcopado da Venezuela”, acrescentou. Na exortação da Conferência Episcopal da Venezuela, publicada na última sexta-feira, 19, os bispos daquele país criticaram as reformas à Constituição apresentadas pelo presidente Hugo Chávez. Os bispos afirmaram que as reformas propostas “são moralmente inaceitáveis à luz da Doutrina Social da Igreja”.