Novamente eleições! E nós, eleitores?
Para aguçar e, quem sabe, despertar em nós alguma vontade de ter e/ou buscar mais clareza, em mais uma eleição que temos pela frente, assumimos a presunção de, muito humilde e simplesmente, mas com características de cientificidade, apresentar algumas notas reflexivas. A eleição, em âmbito municipal, que temos pela frente, é, para a maioria da população, a mais importante. É a que mais influi diretamente e com significado existencial, em suas vidas.
Comecemos, hoje, pelo verbo: eleger ou eleger-se? Etimologicamente, o substantivo “eleição”, usado, historicamente, desde os séculos XIII e XIV, traz como sentido denotativo o significado de: “ato de eleger; escolha, por sufrágio de alguém para ocupar um cargo, um posto ou desempenhar determinada função”. (cf. HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro Salles de. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 1.108) Deduzimos que, neste sentido, o verbo eleger é ativo. Alguém (sujeito) elege alguém (supostamente um candidato).
Se examinarmos o verbo “eleger-se”, entendemos que há uma mudança significativa. O sujeito, passivo, passa a ser o candidato e não mais o eleitor. E isso parece ser grave. Do que, de que meios o candidato, o elegendo, pode usar-se para fazer-se eleito? Aqui em Boa Vista do Buricá e, certamente, em todos os municípios do mesmo porte tivemos, na última eleição em âmbito municipal, exemplos claros, concretos, visíveis do uso de meios variados, não para eleger, mas para eleger-se. Bastou um pouquinho de senso de observação e algumas informações fidedignas, confiáveis e estatisticamente suficientes para chegar a conclusões incontestáveis. Compra (com dinheiro mesmo), entrega e distribuição de sacolões em troca de votos. Isto é “eleger-se” e não é “ser eleito”.
Se examinarmos o verbo “eleger”, chegamos às mesmas conclusões. Diz o mesmo Dicionário que “eleger” entende e significa “preferir entre dois ou mais, escolher” (verbo ativo) etc. Portanto, o simples fato de, em um comício, o candidato pedir votos, já é procurar eleger-se e não ser eleito. Ser eleito significa apresentar propostas concretas e viáveis, realizáveis e de interesse da população (bem comum). A população elegerá aquele que vier, com programa e ideologia, ao encontro de suas necessidades, seus desejos e suas aspirações e com condições de realizar o proposto.
Eleger, votar, portanto, supõe consciência, supõe conhecimento de ideologia e programa dos partidos, significa participação (nome correto de cidadania), supõe organização da comunidade através de sua associação de moradores ou outro tipo de grupo de interesses comuns, supõe ética por parte do candidato, supõe um passado de vida tão digna a ponto de estar em condições de representar os interesses e as aspirações da comunidade política.
Temos exemplos claros e suficientes para poder afirmar que quem “se elege”, procura satisfação de interesses próprios, de sua família, de pequeno grupo de interesses, aproveitando-se do uso de recursos públicos. Portanto, recursos que são, de direito de toda a população. O dinheiro e os recursos que, de direito, são destinados à população do município, são solapados, usurpados e usados em benefício do candidato e de sua da família. Em tempo: desconfie-se dos candidatos que apelam ao passado, à tradição e ao nome de sua família para dar crédito a uma candidatura. O argumento é muito fraco. Família que se preze, apresenta a situação de seu presente e não precisa apelar para mortos.
A Ciência Política sempre nos alerta para a necessidade de postura ética, de participação em atividades comunitárias significativas, e provas evidentes de trabalhos comunitários e solidários que os candidatos tenham em seu currículo. Se tiverem isso como provas, não precisarão, nas caladas da noite, em véspera de eleição, acordar eleitores para extirpar-lhes votos em nome de promessas, que jamais serão cumpridas. Comida, em forma de sacolão, satisfará uma família por um mês. E os outros onze meses deste ano e os meses dos anos que seguem a eleição? Como a família se alimentará? De ilusões? De esperança para a próxima eleição? Consciência é um termo obrigatório e muito presente nestas eleições.
Pe. Nestor Adolfo Eckert scj
Comecemos, hoje, pelo verbo: eleger ou eleger-se? Etimologicamente, o substantivo “eleição”, usado, historicamente, desde os séculos XIII e XIV, traz como sentido denotativo o significado de: “ato de eleger; escolha, por sufrágio de alguém para ocupar um cargo, um posto ou desempenhar determinada função”. (cf. HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro Salles de. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 1.108) Deduzimos que, neste sentido, o verbo eleger é ativo. Alguém (sujeito) elege alguém (supostamente um candidato).
Se examinarmos o verbo “eleger-se”, entendemos que há uma mudança significativa. O sujeito, passivo, passa a ser o candidato e não mais o eleitor. E isso parece ser grave. Do que, de que meios o candidato, o elegendo, pode usar-se para fazer-se eleito? Aqui em Boa Vista do Buricá e, certamente, em todos os municípios do mesmo porte tivemos, na última eleição em âmbito municipal, exemplos claros, concretos, visíveis do uso de meios variados, não para eleger, mas para eleger-se. Bastou um pouquinho de senso de observação e algumas informações fidedignas, confiáveis e estatisticamente suficientes para chegar a conclusões incontestáveis. Compra (com dinheiro mesmo), entrega e distribuição de sacolões em troca de votos. Isto é “eleger-se” e não é “ser eleito”.
Se examinarmos o verbo “eleger”, chegamos às mesmas conclusões. Diz o mesmo Dicionário que “eleger” entende e significa “preferir entre dois ou mais, escolher” (verbo ativo) etc. Portanto, o simples fato de, em um comício, o candidato pedir votos, já é procurar eleger-se e não ser eleito. Ser eleito significa apresentar propostas concretas e viáveis, realizáveis e de interesse da população (bem comum). A população elegerá aquele que vier, com programa e ideologia, ao encontro de suas necessidades, seus desejos e suas aspirações e com condições de realizar o proposto.
Eleger, votar, portanto, supõe consciência, supõe conhecimento de ideologia e programa dos partidos, significa participação (nome correto de cidadania), supõe organização da comunidade através de sua associação de moradores ou outro tipo de grupo de interesses comuns, supõe ética por parte do candidato, supõe um passado de vida tão digna a ponto de estar em condições de representar os interesses e as aspirações da comunidade política.
Temos exemplos claros e suficientes para poder afirmar que quem “se elege”, procura satisfação de interesses próprios, de sua família, de pequeno grupo de interesses, aproveitando-se do uso de recursos públicos. Portanto, recursos que são, de direito de toda a população. O dinheiro e os recursos que, de direito, são destinados à população do município, são solapados, usurpados e usados em benefício do candidato e de sua da família. Em tempo: desconfie-se dos candidatos que apelam ao passado, à tradição e ao nome de sua família para dar crédito a uma candidatura. O argumento é muito fraco. Família que se preze, apresenta a situação de seu presente e não precisa apelar para mortos.
A Ciência Política sempre nos alerta para a necessidade de postura ética, de participação em atividades comunitárias significativas, e provas evidentes de trabalhos comunitários e solidários que os candidatos tenham em seu currículo. Se tiverem isso como provas, não precisarão, nas caladas da noite, em véspera de eleição, acordar eleitores para extirpar-lhes votos em nome de promessas, que jamais serão cumpridas. Comida, em forma de sacolão, satisfará uma família por um mês. E os outros onze meses deste ano e os meses dos anos que seguem a eleição? Como a família se alimentará? De ilusões? De esperança para a próxima eleição? Consciência é um termo obrigatório e muito presente nestas eleições.
Pe. Nestor Adolfo Eckert scj

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