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 12 Promessas do Coração de Jesus

 

 

 

As nove primeiras sextas-feiras


Chegamos à 12ª promessa do Sagrado Coração de Jesus a santa Margarida Maria Alacoque, em Paray-le-Monial (França). Ela revela um Deus que nos ama apaixonadamente.


Em 1688, Margarida Maria escrevia uma carta a sua ex-superiora, Madre de Saumaise: “Numa sexta-feira, durante a comunhão, ele (o Salvador) disse essas palavras a sua indigna serva (se ela não se engana): ‘Eu te prometo, na excessiva misericórdia do meu Coração, que o meu amor onipotente concederá a todos os que comungarem, durante nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas, a graça da perseverança: não hão de morrer em meu desagrado nem sem receber os sacramentos, servindo-lhes meu Coração de asilo seguro naquela última hora’” (Vie, Vol. II, p.159).


A sua superiora, Madre Greyfiè, havia lhe ordenado de sempre acrescentar as palavras “se ela não se engana”, ao falar de seus êxtases e graças de oração. A graça da perseverança é, sem dúvida uma graça extraordinária, efeito gratuito do amor misericordioso e onipotente do Senhor. Conserva em nós a amizade divina até o fim ou dá-nos a graça de recuperá-la, antes de deixar este mundo.


O Concílio de Trento ensina que, por meio de uma revelação particular, nenhuma pessoa é realmente garantida em sua perseverança final. Por isso, não se trata de uma certeza absoluta. Tentando conciliar o ensinamento da Igreja e as afirmações de Margarida Maria, podemos dizer que essa promessa é uma certeza moral que nos liberta do medo e da ansiedade a respeito de nossa salvação eterna.


A consoladora promessa do Coração de Jesus não justifica a falsa confiança daquele que pensa estar com o bilhete de passagem garantido e não se esforça mais. Também não é garantia contra a morte repentina. O sentido da promessa é a garantia da perseverança final. Para quem está na graça de Deus, a Confissão, a Unção dos Enfermos e a Comunhão não são meios necessários em si. Para os que estão em pecado, Deus pode também dar a graça do arrependimento, da contrição perfeita na hora da morte. O Coração de Cristo promete que será para os que o amam um asilo seguro na hora decisiva.


Devemos recordar que nos tempos de Margarida Maria, comungava-se raramente e com receio de comer e beber a própria condenação. A mensagem de Paray diz que se pode comungar todas as primeiras sextas-feiras do mês, porque se acredita no amor de Deus. Lembra que foi numa sexta-feira que Jesus deu a vida por nós e que ele agora nos convida para responder ao seu amor.


Deus deixa de ser alguém distante, estranho, perigoso. É um amigo que quer entrar em comunhão comigo e não uma vez por ano (e ainda com autorização), mas uma vez por mês. Hoje, que nós podemos comungar todos os dias, isso pode parecer pouco ou até estranho. Mas, naquele tempo, foi uma revolução ou mesmo um terremoto na vida da Igreja e das pessoas. Foi uma verdadeira pedagogia popular para trazer as pessoas de volta à Comunhão e para fazê-las acreditar no amor de Deus. E, depois de comungar nove meses em seguida, não era para deixar, mas para acostumar a comungar e não parar nunca mais. Então, a grande promessa será a mesma feita por Cristo no Evangelho: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo. 6, 54). Sim, quem comunga sempre já tem a vida eterna, porque recebe aquele que é a vida eterna, Jesus Cristo.

Pe. Francisco Sehnem, scj

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