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 12 Promessas do Coração de Jesus

 

 

 

"Eu os consolarei em todas as tribulações"

Quando o antigo povo de Deus queria falar em consolar ou consolação, usava uma palavra que provém da raiz rhm que significa respirar profundamente, gemer e, no sentido causativo, “fazer respirar”, acalmar, recuperar alguém numa profunda situação de dor ou de medo. Consolar é ajudar uma pessoa oprimida, desprezada e repudiada que está numa situação em que quase não consegue respirar, dando-lhe as condições necessárias para voltar a encher seus pulmões de ar.

A consolação é anunciada pelos profetas, como característica da era messiânica (Is 40, 1) e seria trazida pelo Messias (Lc 2, 25). As profecias falam do fim dos tempos, da provação e de uma era de paz, de alegria, de felicidade (Is 40, 1ss; Mt 5, 5). Essa consolação não é algo a ser recebido passivamente, mas é ao mesmo tempo conforto, encorajamento e exortação. A única fonte da consolação é Deus (2 Cor 1, 3.4) por meio de Jesus Cristo (2 Cor 1-5) e do seu Espírito (At 9, 31). O cristão, por sua vez, deve transmiti-la aos outros (2 Cor 1, 4.6; 1 Ts 4, 18).

É muito interessante notar que, para apresentar Jesus aos leitores de seu Evangelho, Lucas escolhe o episódio de Nazaré. Jesus mesmo se apresenta como o ungido do Senhor que veio anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos presos, restituir a vista aos cegos, libertar os oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor (cf. Lc 4, 16-19). Ele passou a sua vida aqui na terra, fazendo o bem, curando, ajudando, consolando a todos. E, quando se aproximou a hora do retorno ao Pai, prometeu enviar um outro Consolador (cf. Jo 14, 16-18). Jesus esteve sempre presente na vida dos seus amigos e, ao partir, prometeu continuar com ele como força e consolação.

Mateus conta-nos que um dia Jesus pronunciou estas palavras: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28). Há muitas coisas que nos afligem no mundo: doenças, sofrimentos, o desprezo dos outros, ressentimentos, problemas em casa, filhos que seguem por caminhos errados, droga, mortes estúpidas, guerras, catástrofes naturais, perdas materiais, incompreensões, nossos próprios erros e pecados. E Cristo continua a convidar-nos: “Vinde a mim...”.

“Venha você, também. Venha como você é, com o que você tem”. Jesus Cristo veio participar de nossa vida, veio tornar-se um de nós. Ele sempre nos entenderá e acolherá, porque tem um coração para nós. Ainda que eu vá a ele com o meu fardo de dor, pecado, erros ou sofrimentos, ele sempre me acolherá. Ele é o único capaz de me dar o verdadeiro alívio. É o abrigo seguro. Pode me devolver a vida, o respiro, a paz e a alegria. É a fonte do perdão e da vida. Ele ainda espera todos os cansados e sobrecarregados para dar-lhes alívio e consolação.

Margarida Maria conhecia, sem dúvida, os textos da Sagrada Escritura que nos apresentam Deus Pai, seu Filho Jesus Cristo e o Espírito Consolador. E, em seus momentos de oração, percebeu muito bem o que tentou nos transmitir: no Coração de Cristo, revela-se todo o amor, a misericórdia, a bondade do Coração de nosso Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. Nosso Deus é alguém que nos acompanha em todos os momentos. Ele é nossa vida, nosso respiro, o Deus de toda consolação.

Pe. Francisco Sehnem, scj

 

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