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"Eu os consolarei em todas as tribulações"
Quando o antigo povo de Deus queria falar em
consolar ou consolação, usava uma palavra que provém da raiz
rhm que significa respirar profundamente, gemer e, no
sentido causativo, “fazer respirar”, acalmar, recuperar
alguém numa profunda situação de dor ou de medo. Consolar é
ajudar uma pessoa oprimida, desprezada e repudiada que está
numa situação em que quase não consegue respirar, dando-lhe
as condições necessárias para voltar a encher seus pulmões
de ar.
A consolação é anunciada pelos profetas, como característica
da era messiânica (Is 40, 1) e seria trazida pelo Messias (Lc
2, 25). As profecias falam do fim dos tempos, da provação e
de uma era de paz, de alegria, de felicidade (Is 40, 1ss; Mt
5, 5). Essa consolação não é algo a ser recebido
passivamente, mas é ao mesmo tempo conforto, encorajamento e
exortação. A única fonte da consolação é Deus (2 Cor 1, 3.4)
por meio de Jesus Cristo (2 Cor 1-5) e do seu Espírito (At
9, 31). O cristão, por sua vez, deve transmiti-la aos outros
(2 Cor 1, 4.6; 1 Ts 4, 18).
É muito interessante notar que, para apresentar Jesus aos
leitores de seu Evangelho, Lucas escolhe o episódio de
Nazaré. Jesus mesmo se apresenta como o ungido do Senhor que
veio anunciar a Boa Nova aos pobres, a libertação aos
presos, restituir a vista aos cegos, libertar os oprimidos e
proclamar um ano de graça da parte do Senhor (cf. Lc 4,
16-19). Ele passou a sua vida aqui na terra, fazendo o bem,
curando, ajudando, consolando a todos. E, quando se
aproximou a hora do retorno ao Pai, prometeu enviar um outro
Consolador (cf. Jo 14, 16-18). Jesus esteve sempre presente
na vida dos seus amigos e, ao partir, prometeu continuar com
ele como força e consolação.
Mateus conta-nos que um dia Jesus pronunciou estas palavras:
“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo e eu
vos aliviarei” (Mt 11, 28). Há muitas coisas que nos afligem
no mundo: doenças, sofrimentos, o desprezo dos outros,
ressentimentos, problemas em casa, filhos que seguem por
caminhos errados, droga, mortes estúpidas, guerras,
catástrofes naturais, perdas materiais, incompreensões,
nossos próprios erros e pecados. E Cristo continua a
convidar-nos: “Vinde a mim...”.
“Venha você, também. Venha como você é, com o que você tem”.
Jesus Cristo veio participar de nossa vida, veio tornar-se
um de nós. Ele sempre nos entenderá e acolherá, porque tem
um coração para nós. Ainda que eu vá a ele com o meu fardo
de dor, pecado, erros ou sofrimentos, ele sempre me
acolherá. Ele é o único capaz de me dar o verdadeiro alívio.
É o abrigo seguro. Pode me devolver a vida, o respiro, a paz
e a alegria. É a fonte do perdão e da vida. Ele ainda espera
todos os cansados e sobrecarregados para dar-lhes alívio e
consolação.
Margarida Maria conhecia, sem dúvida, os textos da Sagrada
Escritura que nos apresentam Deus Pai, seu Filho Jesus
Cristo e o Espírito Consolador. E, em seus momentos de
oração, percebeu muito bem o que tentou nos transmitir: no
Coração de Cristo, revela-se todo o amor, a misericórdia, a
bondade do Coração de nosso Deus, que é Pai, Filho e
Espírito Santo. Nosso Deus é alguém que nos acompanha em
todos os momentos. Ele é nossa vida, nosso respiro, o Deus
de toda consolação.
Pe. Francisco Sehnem, scj
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