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Promessas do Coração de Jesus |
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“As almas tíbias se tornarão fervorosas”
Essa é a sétima promessa do Sagrado Coração de Jesus aos que
cultivarem amor por ele. Andei consultando o meu dicionário
e ele explicou que tíbio significa frouxo, fraco, sem ardor,
sem entusiasmo, indolente. São Cláudio la Colombière
considerava a tibieza como o maior obstáculo para uma doação
sem reservas. Numa de suas cartas escreve: “Eu preferiria
ter de converter um grande pecador a lidar com uma pessoa
religiosa que se deixou levar pela tibieza. É um mal quase
sem remédio. Conheço poucos que se emendem; a idade que
remedeia outros defeitos da natureza, só faz aumentar esse”
(C.4).
Dante Alighieri (escritor renascentista) é terrível no
julgamento dos tíbios. Na verdade, não encontrou lugar para
eles nem no inferno e abandonou os tíbios num lugar neutro e
apagado, sem qualquer brilho. Ele escreve que a sua vida
cega é tão desprezível que eles invejam qualquer outra sorte
(cf. Inferno III, 47-48). Ninguém quer os tíbios. Eles são
desprezados pelo céu e pelo inferno.
Até aqui tudo bem. São opiniões de um escritor ou de um
santo. Mas, se lermos as palavras do Apocalipse (3, 15-16),
ficaremos um pouco mais preocupados: “Oxalá fosses frio ou
quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou
vomitar-te”. Os tíbios serão vomitados, expelidos do Corpo
de Cristo.
Olhando para nós mesmos, notaremos que às vezes fomos ou
somos um tanto quanto tíbios. Estamos cheios de temores e
inseguranças. Nem sempre, nossa fé e nossos valores cristãos
foram (ou são) o motivo mais profundo de nossas decisões.
Muitas vezes, gostamos de viver à beira do abismo ou em cima
do muro: “Até onde posso ir, sem risco de ir para o
inferno?”.
Há remédio para tudo isso? Cláudio la Colombière tinha suas
dúvidas. Mas, se lermos com atenção a Palavra de Deus, nós
perceberemos que há um caminho de retorno, há esperança. As
próprias admoestações do Apocalipse aparecem como um convite
insistente de Alguém que sofre pela falta de amor e espera,
ainda, uma volta ao antigo fervor. O convite vem de Alguém
que foi até o fim no seu amor, foi até a cruz. João Paulo
II, na sua carta Dives in Misericórdia (Deus rico em
misericórdia) escreve que, aqui, somos atingidos por um amor
que é mais forte do que o pecado, maior do que a morte. Esse
amor é tão grande que encontrará também um caminho para os
fracos, os indecisos, os sem vontade, os mornos. Se
realmente tudo parecer sem graça e sem sentido, quem sabe
ainda é possível começar por pedir ao Coração de Cristo que
nos dê vontade de ter vontade. Isso já será o suficiente,
porque abre uma porta, uma brecha para o amor entrar.
Cristo disse que veio trazer fogo a terra e quer muito,
muito mesmo, que ele arda. Se não tivermos mais forças, se
não tivermos mais vontade, não tem problema. Basta aceitar
que ele nos ame. É só chegar perto e deixar-se amar. Jesus é
nossa força. Se tivermos apenas a coragem suficiente para
deixá-lo entrar, ele virá a nós com a força do seu Espírito.
O Espírito é vida nova, luz, alegria, força, coragem, fogo.
O mesmo Cristo do Apocalipse está aí, numa insistência quase
violenta, pedindo autorização para cumprir esta sua
promessa. Ele quer que também os tíbios voltem a ser amigos
seus. E o milagre poderá acontecer. Basta que ainda tenhamos
fé, do tamaninho de um grão de mostarda. E acho que todos
temos, ainda, ao menos um grãozinho de mostarda em nossa
bagagem.
Pe. Francisco Sehnem, scj
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