Especial
Missão Dehoniana
MISSÃO
NA ANGOLA
Angola situa-se na costa ocidental do continente
africano. Com uma superfície de 1.246.700 km2,
tem 1.650 km de fronteira. Confina ao norte com
a República Democrática do Congo e com a
República Popular do Congo, a Leste com as
fronteiras da República Democrática do Congo e
da Zâmbia e a Sul com a Namíbia. A província de
Cabinda está separada do resto do território
pelo estuário do Rio Congo e por território
zairense, fazendo fronteira a Norte com o Congo.
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Província de Luanda
Luanda é a capital da República de Angola. O seu clima é
tropical litoral com duas estações: a das chuvas – que
vai de Janeiro a Maio e Setembro a Dezembro, e a estação
seca – que vai de Junho a Agosto. A temperatura média é
de 24 graus centígrados e a sua superfície é de 2.257
Km2.
Dois grandes rios, o Bengo e o Kwanza (do qual deriva o
nome da moeda nacional), cruzam a província de Luanda,
que, correndo do interior ao Atlântico, originam
planícies aluviadas.
Segundo dados não oficiais, a sua população é de 5
milhões de habitantes, mas o êxodo das populações rurais
para os grandes centros urbanos, em busca de segurança
devido ao conflito armado, provocou o aumento
vertiginoso da população na periferia (zonas
suburbanas). Mas desde o fim da guerra alguns populares
estão a regressar às suas áreas de origem no intuito de
ali poderem encontrar outras fontes de sobrevivência,
como a prática da agricultura, entre outros ofícios.
A Igreja Católica de Angola tinha previsto que dentro de
5 anos a população de Luanda diminuiria. Neste momento,
o processo está em crescimento, todos os dias chegam
mais habitantes a Luanda, aos milhares. A falta de vias
de comunicação para poder circular bens e pessoas está a
provocar o reverso da medalha.
Todos vêm para Luanda em busca de melhores condições de
vida, de trabalho e sobretudo à procura de dinheiro e
alimento.
Igreja de Angola
A Igreja de Angola conta com 15 dioceses. Os bispos são,
na sua maioria, angolanos, mas alguns deles são
missionários oriundos de outras Igrejas.
Algumas dioceses são de evangelização mais antiga,
sobretudo na costa (Zaire, Huíge, Malange) e no planalto
central (Huambo e Lubango). Outras são de evangelização
mais recente e, como tal, apresentam maiores carências,
em termos de pessoal e de estruturas (Lunda Norte e Sul,
Lwena e Menongue).
A Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST)
conta com um grupo de pastores com boa formação e uma
visão eclesial aberta, que procura e aprecia a
colaboração de outras igrejas, particularmente nesta
fase de enormes carências. O Presidente da Conferência
Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST) é o Arcebispo de
Luanda, D. Damião Franklim, e o Vice-Presidente da
Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé (CEAST) é o
Bispo da Diocese de Lwena, D. Gabriel Mbilingi.
Existem seminários maiores de teologia em Luanda, Huambo
(chamada o Vaticano de Angola pelo número de
congregações presentes) e Lubango.
As dioceses com mais clero e vocações religiosas são
Benguela, Huambo e Luanda, embora aqui um grande número
de religiosos se encontre ao serviço de cúrias
provinciais e regionais e procuradorias de dioceses e
congregações religiosas.
De entre as congregações religiosas masculinas presentes
em Angola, assumem particular relevo os Espiritanos, os
Capuchinhos e os Missionários da Boa Nova, tanto pelo
papel que tiveram na evangelização do país, como pelo
número de pessoas e estruturas que possuem. E a partir
do dia 5 de Março de 2004, estamos também presentes nós,
os Sacerdotes do Coração de Jesus – Dehonianos.
Com a paz, a Igreja de Angola vê-se confrontada com
desafios enormes. Em Luanda, é o problema de acudir aos
imensos bairros da periferia, com todo o gênero de
carências religiosas, educativas, sanitárias e
econômicas. Nas dioceses do interior, particularmente as
mais atingidas pela guerra, é o desafio de voltar a
contatar com as inúmeras comunidades das missões que se
encontram encerradas há 15, 20 e 30 anos, que mantiveram
a fé, sustentadas por valorosos catequistas, muitos dos
quais perderam a vida no serviço do evangelho.
Em todos estes ambientes, os novos movimentos religiosos
estão a fazer um proselitismo agressivo, desviando muita
gente, que acaba vítima de pregadores sem escrúpulos,
cujo objetivo é viver à custa da miséria e ignorância,
que tantas vezes acompanha a busca religiosa do povo.
Durante a vigência do regime marxista, a maior parte das
estruturas da Igreja, particularmente as escolas e
instituições de saúde, foram nacionalizadas. Desde há
alguns anos está-se a verificar a devolução dessas
estruturas, embora em estado de grande degradação, e o
governo pede a colaboração da Igreja nestes sectores. No
campo do ensino, existe já um acordo entre a Igreja e o
Estado, segundo o qual os professores das instituições
escolares da Igreja são pagos pelo Ministério da
Educação. Estão em curso negociações para celebração de
um acordo semelhante no campo da saúde. São novos campos
e novos desafios que esbarram com a escassez de meios,
particularmente de meios humanos.
Do ponto de vista das vocações de consagração, em todas
as dioceses se nota um ambiente muito propício e os
bispos encorajam a pastoral vocacional, tanto para o
clero diocesano, como para os institutos religiosos. Mas
também aqui, a grande dificuldade é a de formar bem
esses candidatos e candidatas, pois faltam formadores e
professores nas matérias teológicas. Os bispos sonham
com uma Faculdade de Teologia, no âmbito da Universidade
Católica, mas já têm tantas dificuldades em manter os
seminários…
Presença Dehoniana na Angola
Foram três os anos de preparação: visitas a Angola por
Superiores Provinciais de Portugal e Moçambique,
capítulos provinciais nas várias Províncias e o XXI
Capítulo Geral da Congregação em 2003, do qual saiu a
decisão de abertura de uma nova presença no continente
africano. E Angola foi o país escolhido. Assim, os
Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos) iniciaram a
sua presença missionária em Angola no dia 05 de Março de
2004.
Trata-se de uma presença internacional, com a iniciativa
de algumas províncias: Portuguesa, Moçambicana e Itália
do Norte; iniciativa também aberta a outras Províncias,
sobretudo africanas.
Os primeiros missionários dehonianos chegaram a Luanda
em Março de 2004: no dia 05 de Março chegaram os padres
Manuel Domingos Nunes Pestana e Joaquim da Silva
Freitas, da Província Portuguesa dos Sacerdotes do
Coração de Jesus, e no dia 17 de Março chegou o Pe.
Maggiorino Madella, da Província Moçambicana dos
Sacerdotes do Coração de Jesus. No dia 14 de Maio de
2004 chegou também o Pe. Vincenzo Rizzardi, da Província
da Itália do Norte dos Sacerdotes do Coração de Jesus.
No dia 4 de Fevereiro de 2005 chegou o Pe. José Jorge de
Sousa Alves, da Província Portuguesa dos SCJ. A
comunidade fica situada perto de Luanda, no Km 9/A
(Município de Viana, Província de Luanda). Chama-se
assim porque fica a nove quilômetros da capital. Esta
missão é a primeira da Congregação naquele país africano
desta congregação, apesar de termos missionários em
vários pontos do globo. A escolha deste país deveu-se ao
desafio lançado há muito tempo pela Igreja local.
A nossa presença em Angola privilegiará de modo
particular a Diocese de Lwena, devido ao fato de ser uma
das Diocese de Angola com reduzido número de
missionários e clero local. Porém, a primeira comunidade
DEHONIANA de Angola a ser constituída foi em Luanda,
pelo fato de em Luanda se centrar todos os organismos de
contactos oficiais, quer do estado, quer de grande parte
das instituições não governamentais.
A exemplo do Padre Leão Dehon, somos em Angola chamados
a ser homens de coração aberto a Deus, à Igreja e ao
mundo. Somos chamados a ser homens de coração aberto a
Deus, pela atenção aos sinais da sua presença nos irmãos
que se cruzam nos nossos caminhos (cf. Cst 28). Sempre
que um necessitado nos bate à porta, procuramos viver os
mesmos gestos de atenção e de misericórdia do Senhor
Jesus, acolhendo-o e promovendo-o.
Pondo em prática as recomendações do último Capítulo
Geral, sentimo-nos chamados a ser homens de coração
solidário com os irmãos. Ao vivermos numa comunidade
fraterna no meio do povo do bairro do Km 9, procuramos
testemunhar a comunhão dos homens e ao mesmo tempo ser
sinal da presença de Cristo e anúncio do Reino que vem.
Vivendo ao lado do povo e inseridos no meio do povo,
estamos atentos aos apelos do mundo e, no contacto com
as misérias humanas (crianças órfãs, mães solteiras,
viúvas, refugiados, doentes de HIV/SIDA), empenhamo-nos
na promoção dos mesmos, defendendo o respeito pela
dignidade de todos e cada um dos seus irmãos, a exemplo
de Cristo (Heb 10, 5-10).
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