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Durante o mês de outubro, vamos publicar entrevistas e testemunhos de missionários dehonianos que realizam seu apostolado nos  mais diversos países.

São padres , irmãos e religiosos que dedicam sua vida à missão e à evangelização, com o carisma da reparação e do ministério do amor, seguindo os passos de Padre Dehon.

 

 

09/10 - PADRE DAGNALDO ALEXANDRE SCJ (Superior da Província BS)

PORTAL DEHON BRASIL - A Congregação tem falado muito sobre missão nos últimos anos. Como essa urgência é vista na Província BS? Quais os maiores desafios na missão hoje?

PADRE DAGNALDO - A nossa presença no Nordeste do Brasil é fruto da sensibilidade social e missionária do Padre Dehon que no ano de 1893 enviou alguns religiosos para Camaragibe-PE afim de desenvolverem trabalhos com operários de uma fábrica de tecidos. O pioneirismo desses missionários vindos da Europa deixou um testemunho que foi seguido por vários outros majoritariamente holandeses, despertando vocações autóctones que ampliaram nossa presença e ação missionária a ponto de tornar-se Província no ano de 1938. Inserida na Igreja, a quem Cristo confiou a tarefa de prolongar sua missão e presença no mundo, esta porção da Congregação que compõe a Província Brasileira Setentrional, procura prolongar a missão de Cristo na fidelidade dinâmica ao carisma do nosso fundador. Composta de consagrados a partir de um carisma específico procura ser sinal e sacramento da presença do Senhor no mundo e do seu amor a todos e a cada homem. Urge estar sempre em missão, pois esta é a razão de ser da Igreja. Como província numericamente pequena – hoje contamos com 50 membros – somos desafiados a levar adiante a nossa missão atuando em vários setores da vida da Igreja, desde a administração de 12 paróquias e 03 áreas pastorais, duas casas de formação para os vocacionados à vida religiosa e sacerdotal, passando pelo apostolado social e o serviço na área educacional. Alguns confrades também exercem o magistério teológico fora do âmbito da província. Creio que todo este conjunto de atividades torna-se desafiador para a nossa missão, inseridos no mundo e na Igreja que passam por rápidas transformações, sofrendo os impactos das crises, sem perder a consciência de que somos “sementes de mostarda” e o “fermento” necessário para que a mensagem salvífica chegue a esta extensa terra de missão que é o Nordeste brasileiro.

 

PORTAL DEHON BRASIL - Nossa última Conferência Geral fala da missão ad gentes. O Brasil sempre recebeu missionários e agora dá largos passos no envio de missionários. O que ainda pode ser feito nesse sentido?

PADRE DAGNALDO - Conforme afirmei acima, nosso grupo SCJ é fruto de um perseverante e ardoroso trabalho dos missionários. Há algumas décadas a Província iniciou um processo de mudança de época: observa-se a passagem de responsabilidade da geração dos missionários vindos de fora aos confrades brasileiros, o que aponta para a conclusão da “fase missionária” da sua existência, na compreensão mais primitiva da missão.  Desponta, naturalmente, o desafio de levar adiante o projeto de Jesus Cristo a partir do carisma do Pe. Dehon, consolidando uma maior autonomia, inclusive financeira, e aceitar a realidade presente como fator positivo para um crescimento de qualidade da vida fraterna num espírito de partilha e de solidariedade na missão.  Nas orientações da VII Conferência Geral de Varsóvia lemos que “o serviço à missão é constitutivo da nossa Congregação, é a nossa resposta ao convite de Cristo para colaborar na sua missão, fiéis à inspiração do Fundador, para quem ‘a atividade missionária é uma forma privilegiada do serviço apostólico’ (Cst. 31)”. No Nordeste brasileiro procuramos viver esta dimensão missionária diante dos muitos desafios que se nos apresentam. Felizmente dentro da nossa Congregação existem províncias cujo número de pessoal é generoso, o que possibilita um reforço em áreas menos favorecidas e o intercâmbio de experiências missionárias ad gentes.

 

PORTAL DEHON BRASIL - O que é ser dehoniano missionário?

PADRE DAGNALDO - Creio que o dehoniano deve esforçar-se para encarnar na sua vida, a partir do exercício da missão, o ideal do Padre Fundador quando encorajava seus missionários na missão bela e difícil a que eram chamados em terras longínquas: “Sejam como fogo para fazer conhecido o amor do Coração de Jesus em todas as partes. Aceitem as cruzes da Providência como um meio infalível para fecundar o seu apostolado. Sejam generosos até o fim e o seu desejo seja o de morrer na missão, para que o seu sacrifício seja completo e sem reservas” (Arquivos Dehonianos B-38/6).   Obviamente podemos realizar este ideal também dentro dos parâmetros da província com os olhos fixos naquele que não mediu esforços para cumprir a vontade de Deus a fim de que o mundo fosse redimido. (“Eis que venho, ó Pai, para fazer a tua vontade” – Hb. 10,7). Somos herdeiros desse legado espiritual do Pe. Dehon: a capacidade de fazer da vida uma contínua oblação amorosa concretizada no serviço que prestamos aos nossos semelhantes, seja pessoalmente ou como grupo SCJ.

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