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OS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DEHONIANOS NO BRASIL

 

Olá amigos(as) missionários(as), talvez vocês já estejam pensando: “esta é mais uma daquelas matérias chatas cheias de datas”. Pode até ser que seja, mais o objetivo da mesma é fazer com que todos aqueles que se interessam em conhecer ou, já são apaixonados (as) pela Missão  Dehoniana Juvenil, conheçam também o cerne com que foi feito a cruz que vocês carregam no peito como missionários e missionárias, ou seja, as raízes e a história de nossa congregação, nossa Missão e seus primeiros missionários. É claro que todo esse conhecimento não estava gravado em minha bela memória, ele é fruto de pesquisa.

 

Como diria o velho “sábio”: “começo, pelo começo.” Por aquele que contemplando o Coração de Jesus e ouvindo o pulsar deste mesmo Coração fundou a nossa Congregação. Padre João Leão Dehon nasceu em 14 de março de 1843 em La Capelle na França e ordenado sacerdote no dia 19 de dezembro de 1868. Após 10 anos de sua ordenação, depois de muitas inquietações e orações, fundou a Congregação dos Oblatos do Coração de Jesus, hoje, Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus isso em junho de 1878.

Era o século das luzes, o século XIX, o século da imigração porque foi neste século que cerca 60 milhões de pessoas emigraram para a América, sendo, aproximadamente, 6 milhões de alemães e destes, cerca de 150 mil emigraram para o Brasil. Após uma reunião do conselho consultivo junto com Padre Dehon em Bruxelas, decidiram assumir o projeto da Missão no sul do Brasil. Isso em 12 de março de 1903. Onde? Na Ilha do Desterro, hoje Florianópolis, Estado de Santa Catarina, cujo a diocese era a de Curitiba - Paraná. Um dos objetivos dessa missão era que os padres Alemães amparassem e orientassem os imigrantes em sua fé.

         O padre Gabriel Jacó Lux (1869 – 1943) apresentado por padre Dehon ao seu conselho como um nome a ser o superior desta Missão, foi o escolhido, tendo como coadjutor o padre José Fidelis Foxius (1874 – 1931) recém ordenado. Com uma missa solene na casa missionária de Sittard, Holanda, após a costumeira sessão missionária, o padre Lux relatou as condições de vida, o clima e o povo que ele e o padre Foxius iriam encontrar , se despediram da Escola Apostólica e partiram para o Brasil.

         Amigos (as) missionários (as), agora convido vocês para juntos acompanharmos um pouco da trajetória desses dois pioneiros. É uma Quarta feira, 17 de junho de 1903 às 6h da manhã; o navio é o Maceió.

Após quase trinta dias de travessia atlântica, a voz do missionário ecoou em terras Brasileiras: “hoje, domingo, 12 de julho de 1903, está prevista, diz a mensagem, a nossa chegada a Paranaguá. Daqui seguimos viagem com navio costeiro até Desterro. Realmente, lá embaixo, contra os longínquos azuis, observamos, através da luneta, os contornos sombreados do planalto paranaense. Lá situa-se Curitiba, a sede do bispado. Lá se encontra, pois a terra dos nossos anseios e de nosso destino. O vasto campo de nossas atividades. É de coração que te saudamos, ó Terra Brasileira! Nova Pátria dos Padres do Coração de Jesus!”[1]

         O que sentiram esses missionários? O que se passava em seus corações? Para mim é grande emoção escrever sobre a saga desses homens de Deus é como se eu  estivesse com eles nesta Missão. Nós que participamos da MDJ, sabemos da emoção que é ao chegarmos pela primeira vez a terra a ser missionada. O coração bate mais forte no peito, o sorriso arrebenta nosso rosto e os olhos se afogam nas lágrimas do sonho missionário se realizando mesmo com toda comodidade que temos hoje. Imaginem pois a emoção e sentimentos desses pioneiros à 101 anos atrás.

No dia 20 de janeiro de 1904 chegam ao Brasil mais três missionários para se juntar a padre Lux e Foxius, são eles: padre Timóteo Henrique Meller, padre João Basílio Stolte e irmão José Rafael Küppers. Em 31 dezembro deste mesmo ano chegaram os padres: Herinque Canísio Lindgens, Francisco Damasceno Schüler e Antonio Amando Wollmeiner. Meu Deus! como deveria ser bom e ao mesmo tempo desafiante, difícil! Desbravar as matas, conhecer a língua, organizar as colônias e criar comunidades. Só o Coração de Jesus poderia impulsionar esses homens e ao mesmo tempo lhes conferir a paz do repouso nas noites em meios a bicharada e enxugar as lágrimas que rolavam devido a saudade dos parentes, dos confrades, dos amigos e da pátria amada.

No ano seguinte, 1905 no dia 29 de novembro chegaram os missionários professores vindo de Sittard – Holanda. São eles: padre Bernardo Wilibaldo Jonkmanm, padre José Apolonário Rogmanm, padre Guilherme Thoneick e irmão João Eusébio Kamphausen. Todos os missionários citados neste artigo, assumiram os mais diversas frentes de trabalho como: educação (escolas), pastoral (paróquias, capelas), construção cívil e administração  (seminários, hospital e igrejas). Pode ser coincidência, mas são 12 o número dos primeiros missionários dehonianos que vieram nesta época para o Brasil. Todos inspirados e enviados pelo nosso fundador padre João Leão Dehon.

No dia 4 de julho de 1906 a Santa Sé aprovou definitivamente a Congregação e suas constituições. Neste mesmo ano padre Dehon realizou seu sonho de visitar seus filhos missionários no nordeste e no sul do Brasil. Esta viaje, que com certeza não foi tão fácil, devido os meios de locomoção que bem sabemos eram os mais rústicos e desconfortáveis, ficou gravada na mente do padre Dehon. Imaginem ter que andar vários dias a cavalo ou em carroças, em estradas todas esburacadas. Sobre isso, ele escreveu: “a estrada Dona Francisca ficará por muito tempo gravada em minha memória. Necessito de vários dias de repouso...estou moído da viagem e me arrasto com dificuldade durante alguns dias.”[2] Com sua obra já bem desenvolvida e solidificada morreu no dia 12 de agosto de 1925 em Bruxelas – Bélgica.

Ao padre Dehon e a todos esses corajosos pioneiros rendemos nossas homenagens e pedimos que olhem por nós pequenos missionários dehonianos do Brasil e do mundo. Alegremo-nos queridos (as) missionários (as) pois em breve veremos nosso pai fundador beatificado e não tardará muito, como santo. Para que isto aconteça, mobilizemos nossos grupos missionários, nossas paróquias e comunidades com eventos, celebrações e muita oração.

Um cordial e fraterno abraço no Coração de Jesus,

Fr. Simão Pedro dos Santos, scj

 

Fonte:
Schmitt, José Francisco, Dehonianos no Sul do Brasil, 100 anos de presença e missão 1903 – 2003.
Dehonianos. São Paulo, 2003

 

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