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 Estar com o Povo

A JUVENTUDE ESPERA POR NÓS!

Pelo tipo de trabalho que me foi confiado por um tempo em Boa Vista do Buricá, após 23 anos agradáveis de magistério na Educação Superior, para a qual quero voltar, posso constatar algumas coisas muito positivas. Tendo a feliz oportunidade de manter contato com pais de alunos, com profissionais da educação, com lideranças de comunidades, de modo geral, ouvem-se queixas para com a juventude, hoje. Ouvem-se expressões como:  “Não querem nada com nada”. “Não são perseverantes”. “Querem tudo pronto”.

De outro lado, mantendo contato com jovens, fico agradavelmente preocupado e intrigado: o que está sendo oferecido aos e às jovens, hoje? Que desafios lhes são colocados? Que oportunidades recebem? Que responsabilidades se lhes são exigidas? Em que oportunidades podem colocar em comum suas habilidades? Onde aplicar sua força e vontade de viver e de fazer as coisas?

Nossos pais tiveram a sabedoria de saber exigir muito de nós. Mas, eles tinham tempo para nos ouvir, para orientar-nos e ajudar-nos quando fosse necessário.  Nada vinha de graça. Tudo tinha seu valor e assim devia ser avaliado. Estávamos ocupados quase que durante todo o nosso tempo. Sentíamo-nos sujeitos de nossa história. Tínhamos orgulho em poder dizer: “Isso eu fiz!”. E os adultos nos reconheciam e admiravam e estimulavam-nos a continuar e a  “ir em frente” (era essa a expressão). Éramos jovens com bandeira. Éramos alguém que sabia por o quê lutar. E como lutávamos! Quanta dificuldade a ser superada com os próprios esforços e com apoio dos pais e professores...

Hoje, quando temos oportunidade e tempo de sentar, ouvir e conversar com os/as jovens percebe-se que estão anos e anos à nossa frente em potenciais, em capacidades e habilidades, em facilidades de compreender o novo desse mundo do conhecimento e da informação que está se configurando. Os/as jovens têm facilidade maior de diálogo do que nós tínhamos com nossos pais. Nós é que hoje não entendemos sua linguagem. Não estamos na mesma sintonia. Os/as jovens nos dirão que não estamos em “sua jinga”. Estamos em ritmos diferentes.

Caros pais e profissionais da educação: os/as jovens estão abertos ao diálogo e estão esperando que cheguemos até eles/elas. Percebemos que há muitos pais que estão “plugados” e ligados em seus filhos e em suas filhas. Pais que estão dispostos a aprender com a juventude. Basta ter suficiente abertura de mente e coração, vontade e disposição de ouvir e ter tempo. São jovens que querem e esperam dos pais e profissionais da educação uma palavra de segurança, dita com ternura. Esperam por um “não” devidamente justificado. Anseiam por um abraço carinhoso carregado da consciência das exigências da vida. Aguardam que seus erros e suas “mancadas” sejam repreendidos pelos pais com um “filho/a, da próxima te cuida! Tu já és grandinho/a o suficiente”.

Os/as jovens de hoje são tão cheios de potencialidades, de força, de vontade, de capacidades que a sociedade, em sua estrutura e suas funções, não encontra e não dá espaço para essa torrente de forças...

Um rio, quando vem com toda a sua força e energia, ele arrebenta qualquer taipa e muda a geografia. Parece-me que a juventude hoje se parece com um rio caudaloso que está à espera de orientação e de alguém que queira aproveitar sua capacidade de gerar energia.

Os/as jovens estão à nossa espera! Não podemos deixá-los/las a esperar em vão!

Pe. Nestor Adolfo Eckert, scj naeckert@terra.com.br

 

 

© 2006-2008 - Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus
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