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Aclarar
algumas premissas é útil e necessário:
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SEMINÁRIO
Para preparar um
trabalho de “seminário”, é oportuno começar do mais básico que é
a definição dos termos, não somente para entender-nos
reciprocamente senão também para delimitar o alcance do nosso
trabalho. A definição mais rápida do mesmo termo “seminário”
encontramos na internet: “um seminário é uma reunião
especializada de natureza técnica e acadêmica, cujo objetivo é
realizar um estudo profundo de determinados materiais com um
tratamento que requer uma interação entre os especialistas. Se
consideram seminários aquelas reuniões que possuem essas
características, sempre que tenham um número mínimo de 50
participantes. O número de participantes é limitado em função do
seu conhecimento da matéria.”
Um seminário é um
encontro no qual se semeiam ideias. É uma semeadura na qual
todos são semeadores e todos recolhem frutos. Se busca superar a
distinção entre expositor sábio que semeia e ouvintes que
recolhem o que ele semeou. É uma trabalho em equipe, de
investigação, sobre um tema específico. Isso exige,
naturalmente, que cada um esteja adaptado ao trabalho e às
normas básicas da metodologia proposta. É um processo dinâmico
em busca de aprofundar o conhecimento e, se possível, dar um
passo novo ao tema proposto. A principal característica é,
então, a participação ativa de todos, cada um de acordo com as
suas possibilidades e aptidões.
Como não se trata de
receber um proposta já feita, mas sim construí-la juntos, cada
qual apresentará sua reflexão em um clima de diálogo. Cada
unidade de trabalho se desenvolve em três módulos:
- a motivação inicial
dos expositores abre o caminho e oferece pistas de compreensão,
relação... a partir de uma reflexão escrita e apresentada a
todos para ser analisada.
- no trabalho de grupo
convergem as perguntas e soluções sobre problemas pendentes a
ser aclarados. As equipes serão formadas em núcleos de acordo
com a área de interesse (Bíblia, Liturgia, Pastoral Urbana,
Missão, Pastoral Social).
- a partilha em comum
nosa pede capacidade de reconhecer o essencial, as relações,
comparar, valorizar, definir, fundamentar, concluir, aplicar,
sintetizar... desenvolver propostas. O seminário proporciona uma
experiência de aprofundamento no grupo através de uma
comunicação intensa (utilizando todas as linguagens e expressões
disponíveis).
Como este seminário toma
o título de “Missio Cordis”, a partir de outro seminário
celebrado entre 9 e 14 de março de 2008, em Alfragide
(Portugal), com o título de “Theologia Cordis”, podemos
aproveitar a nossa definição de termo o que se disse na
avaliação daquele mesmo seminário. Começamos com algumas
propostas metodológicas:
- propor um seminário
que tenha conversas e exposições, mas também o intercâmbio e o
diálogo. É fundamental o trabalho em pequenos grupos (oficinas),
para aprofundar as exposições.
- que os expositores
fiquem durante todo o seminário, desde o começo ao final, que
busquem manter um vínculo entre uma exposição e outra. Pede-se
aos relatores que entreguem seus escritos previamente.
- necessita-se um
pequeno comitê que coordene as linhas mestras entre as
diferentes conferências, que ponham em relevo os pontos
norteadores ajudando no seguimento dos trabalhos.
- para um futuro
congresso, preparar e estudar um instrumentum laboris
para ser trabalhado no congresso. Colocar os materiais na
internet.
- distribuir o trabalho
em diversas áreas: bíblica, pastoral... mais do que por grupos
linguísticos, organizar por grupos de interesse ou
especialização.
-
PASTORAL
Na América Latina o
enfoque pastoral é quase imprescindível, mais ainda se
considerarmos a proposta que as conferências gerais do
episcopado nos propõem constantemente. O marco da última
assembleia, de Aparecida, e seu respectivo documento final (DAp,
são a natural fundamentação para este seminário, como também
manifesta nosso logo.
Toda a vida do
discípulo-missionário está projetada em Cristo Mestre, em função
à meta que Ele mesmo nos indicou: “para que tenham vida”.
Algumas citações
significativas:
“O projeto de Jesus é
instaurar o Reino de seu Pai. Por isso, pede a seus discípulos:
Proclamem que está chegando o Reino dos céus!” (Mt 10,7).
Trata-se do Reino da vida. Porque a proposta de Jesus Cristo a
nossos povos, o conteúdo fundamental desta missão, é a oferta de
uma vida plena para todos...” (DAp 361).
Evidentemente toda
atividade pastoral e missionária da Igreja, deve deixar
transparecer essa “atrativa oferta de uma vida mais digna”.
Antes, de uma maneira muito bela, havia aclarado que o primeiro
princípio cristão dizia que para ter vida é preciso dá-la.
“A vida se acrescenta
dando-a e se enfraquece no isolamento e na comodidade. De fato,
os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da
margem e se apaixonam na missão de comunicar vida aos demais. O
Evangelho nos ajuda a descobrir que um cuidado enfermo da
própria vida depõe contra a qualidade humana e cristã dessa
mesma vida. Vive-se muito melhor quando temos liberdade interior
para dá-la a todos: “Quem aprecia sua vida terrena, a perderá”
(Jo 12,25). Aqui descobrimos outra lei profunda da realidade: “
que a vida se alcança e amadurece à medida que se a entrega para
dar vida aos outros. Isso é, definitivamente, a missão.”
(DAp, 360).
Esse seminário pastoral
intitulado “Missio” assume plenamente o compromisso da grande
missão continental, proclamada em Aparecida, na qual cada crente
se transforma em discípulo-missionário. Para desenvolver a
dimensão missionária da vida em Cristo, Aparecida afirma:
“Esperamos um novo
Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusão, da
acomodação ao ambiente; esperamos uma vinda do Espírito que
renove nossa alegria e nossa esperança. Por isso, é imperioso
assegurar calorosos espaços de oração comunitária que alimentem
o fogo de um ardor incontido e tornem possível um atrativo
testemunho de unidade “para que o mundo creia” (Jo 17,21)”
(DAp 362).
Com poucas pinceladas,
numa linguagem provocativa, muito simbólica, já sentimos a
urgência em “aterrissar” o documento na pastoral. Na avaliação
do seminário Theologia Cordis se diz:
- notou-se a falta do
aspecto pastoral. Voltar a pisar a terra apontando um trabalho
mais concreto. Como podemos transmitir, na prática, esta
teologia do coração, a nível pastoral em geral, na pastoral
social, na liturgia e na evangelização?
-
MISSIO
Temos que definir bem
esta outra palavra-chave: a missão.
Fazem algumas décadas
que vem-se buscando uma releitura teológica do termo “missão”,
que aprofunde seu significado desde a compreensão de Deus da
história, e que se dá a conhecer através dela. Como resultado,
chegou-se a conclusão de que para definir a prática missionária
da igreja (missiones ecclesiae) a que voltar-se à
compreensão da Missio Dei, um Deus que está continuamente
em missão, auto enviando-se ao mundo...
A Igreja não é (ou não
deve ser) um corpo “autônomo” da missão, senão formar parte da
missão de Deus na história. Quem bem define essa concepção
missiológica é David J. Bosch: “Na nova imagem da missão não é
primordial uma atividade da Igreja, senão um atributo de Deus.
Deus é um Deus missionário... Não é que a Igreja tenha a missão
de salvação do mundo; essa missão é do Filho de Deus e do
Espírito Santo que, por meio do Pai, atuam na Igreja...
concebe-se a missão, então, como um movimento de Deus, orientado
para o mundo; concebe-se a Igreja como um instrumento para essa
missão... Existe a Igreja porque existe a missão, e não o
contrário... participar da missão é participar do movimento do
amor de Deus às pessoas, porque Deus é fonte de um amor que
envia.
Não podemos definir a
Deus mais além de sua projeção na história. Como já
desenvolveram amplamente as teologias latino-americanas, a
história forma parte do significado a partir do qual
compreendemos e descrevemos a Deus. Um Deus por natureza
“projetado” missionário. Não deveríamos falar que Deus tem um
projeto ou uma missão, senão que Ele mesmo é, por natureza,
“eregido” na história.
A partir dessa
perspectiva, torna-se relevante uma abordagem simbólica do nosso
anúncio missionário, resgatando aquelas “mediações” históricas
cuja carga significativa condensa nossas experiências do divino;
as palavras e os gestos, as práticas que nos fazem compreender a
Deus como Deus de amor, de justiça, de paz...
Nesse sentido, teologia
e missão se unem. Já na Bíblia, “a revelação não é uma mensagem
sobrenatural que temos que crer, senão uma experiência que
atesta e que converte-se em mensagem proclamada que quer
oferecer aos ouvintes uma nova possibilidade de vida.
A teologia, no lugar de
ser uma “especialização” reservada a uns poucos, passa a ser de
todos e todas àqueles e àquelas que têm uma experiência de fé. O
caminho privilegiado para proclamar e celebrar esta experiência
de fé e vida é a linguagem simbólica. Os símbolos não são
somente meios expressivos de qualquer experiência humana, senão
o que criam o mundo sendo instrumentos influenciadores numa
maneira de ver as coisas e impô-las como verdade.
Para os primeiros
cristãos e cristãs fazer teologia era parte de sua vida
cotidiana, expressão de adoração (doxologia) comunitária no seio
da liturgia. Nas suas celebrações, carregadas de um forte
conteúdo simbólico, eles refletiam sua vivência cotidiana. A
linguagem do símbolo era a expressão da sua fé, não tinha como
finalidade revelar um significado conceitual, senão fazê-los
celebrar (em comum) o caminho até o Pai. Justamente na liturgia,
teologia e missão se manifestavam unidas em um significativo e
vital ato de identidade pessoal e comunitário, de maneira que
toda a liturgia era mistagógica e conduzia ao centro (Kerygma)
dos mistérios da fé.
É interessante
recuperar uma vez mais da avaliação do seminário Theologia
Cordis:
- há uma necessidade de
tratar mais diretamente com os símbolos e simbolismos. Nossas
diferenças culturais afetam nossa compreensão: necessitamos
dialogar a esse nível.
- recuperar o discurso
devocional (devoção popular) e litúrgico na atualidade.
-
CORDIS
Dizíamos que, na
partilha da fé e na busca de perceber e discernir a realidade,
os primeiros cristãos (mas também hoje muitas pequenas
comunidades cristãs) construíram sua teologia. Havia um modo
especial (uma metodologia característica) que definia esse “que
fazer” teológico. A teologia é algo que fazia-se em comunidade e
experimentava-se como comunhão de amor.
Também hoje fica de pé
essa opção metodológica de fazer teologia. Leonardo Boff define
essa outra opção concreta de fazer teologia como theologia
cordis: “A opção pela teologia como inteligência da fé supõe
uma concepção da igreja como unidade dos fiéis (communitas
fidelium). A outra opção da teologia como theologia
cordis , pressupõem uma visão de Igreja como comunidade dos
que amam”.
Desde este seminário,
tomamos essa perspectiva do “coração” como uma boa metodologia
teológica (mesmo que possa soar estranho relacionar coração
com o método). Podemos ver o coração como a interação
amorosa e amistosa com as pessoas e o mundo. É também a dimensão
essencial da comunidade de fé que tem “um só coração é uma só
alma”; que partilha a comida e louva a Deus “com simplicidade de
coração”.
Além disso, para nós,
dehonianos, oblatos do Coração de Jesus, a chave “Cordis” é como
algo constitutivo do nosso carisma. Não só nossa teologia e
nossa espiritualidade, senão a mesma missão e toda a vida são
marcadas com esse selo. Temos só que especificar que esse
“Cordis” deve referir-se, em primeira instância, ao Coração de
Jesus, que é Missionário do Pai, e só depois, junto a Ele,
representaria também nossos corações que associam-se ao mistério
do seu amor reparador. Padre Dehon fará reiteradamente essa
leitura cristocêntrica e cordicêntrica de toda a missão e de
todo o Evangelho. “O Coração de Jesus é todo o Evangelho.”
Na avaliação do
seminário “Theologia Cordis” diz-se :
- em várias ocasiões,
assinalou-se que, historicamente, na Igreja a inteligência
prevalece sobre o coração e a afetividade (lamentavelmente isso
aconteceu também nas próprias conferências deste seminário).
- recuperar a pedagogia
do coração, como Jesus atuava na vida cotidiana, a sua amizade
com os discípulos, sua cordialidade e atenção aos problemas...
assim como Padre Dehon testemunhou e refletiu nos seus escritos.
- elaborar um estudo
bíblico e interdisciplinar sobre o significado do coração, por
meio das categorias atuais (uma proposta original).
- educação e pedagogia
do coração na chave bíblica (Evangelho de João).
- aproveitar a “porta
oriental” de gestos e símbolos, etc. Não esquecer essa dimensão.
-
DEHONIANO
Por último, quase como
uma assinatura, é importante remarcar que esse seminário é
dehoniano, por que é organizado e levado a diante por dehonianos
(as províncias SCJ da América) mas sobretudo por que se
fundamenta na vida e na obra do Venerável Padre Dehon. A
proposta dehoniana será facilmente encontrada em todos os temas
nas três grandes etapas da missão: escuta, aprende e anuncia.
Como dinâmica de
trabalho, no lugar de ter palestras magistrais sobre o padre
Dehon, buscaremos uma reflexão partilhada (nos grupos e nos
plenários) a partir de textos e de algumas seleções de textos
dehonianos (caderninhos) e de outros recursos oferecidos em DVD.
Não vem ao caso se
alargar aqui dando muitas explicações, já que é evidente a
importância fundamental para nós de considerar tudo a partir do
nosso carisma.
Apenas uma vez mais vale
a pena relembrar as últimas considerações que nos dá a avaliação
do seminário Theologia Cordis.
- os futuros encontros
devem ter uma temática mais centrada e homogênea, devendo voltar
às fontes mais dehonianas, raízes e tradições do pensamento do
padre Dehon.
-incluir uma leitura
dehoniana a partir, por exemplo, do tema encarnação e de
uma aproximação à teologia dos afetos, ou pastoral.
-tomar um texto base do
padre Dehon, por exemplo, as “Coroas de Amor”.
-continuar fazendo um
estudo dos lemas dehonianos e reinterpretar a linguagem:
oblação, reparação. Diálogo com a atualidade. Reflexão sobre os
valores dehonianos atuais: encontrar caminhos mais concretos.
***
Essas premissas foram
muito simples e apuradas. Mais que motivações pessoais ou
apresentação de uma “tese central e tranversal do seminário” me
pareceu importante recolher as sugestões do seminário anterior
“Theologia Cordis” e a provocação central do Documento de
Aparecida.
Era importante também
aclarar que o mesmo termo “Missio Cordis” encerra um objetivo e
uma metodologia que são propostos para todos, para poder fazer
nesses dias um caminho “sinodal” e chegar assim a uma meta
comum.
A todos um fraterno
desejo de que tenham um bom trabalho no seminário. In Corde
Jesu.
Pe.
Quinto Regazzoni, scj
(ver fontes das citações na versão em espanhol)
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- Power Point de apresentação (espanhol)
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