10 de março de 2010

Fontes de graças



Para decidirmo-nos a realizar uma caminhada quaresmal com “mortes e ressurreições”, e mais ainda, para conseguirmos realizá-las, necessitamos muito da graça divina, do auxílio divino. “O espírito está pronto, mas a carne é fraca”, disse Jesus, a nosso respeito. Ou como escreveu Paulo: “Muitas vezes faço o mal que eu não quero, e não consigo fazer o bem que eu quero”.
Na quaresma, de forma especial, Deus tem “suas mãos cheias de bênçãos estendidas para nós” oferecendo-nos seu auxílio, para conseguirmos realizar as mortes e as ressurreições de que precisamos e desejamos. Basta que realizemos a nossa parte nesses processos de mortes e ressurreições.
Uma fonte jorrante de graças é a meditação e a contemplação da paixão, morte e ressurreição de Jesus, nosso Salvador. A quaresma e, principalmente, a semana santa nos chamam a olhar para Jesus sofredor, morto e ressuscitado, e a perguntarmo-nos: por que tão grande e terrível sofrimento?... “Por que” e “para que” a paixão e morte de Jesus?...
Jesus foi capaz de abraçar sua paixão e morte de cruz “porque” somos pecadores, e sem a salvação conquistada por Ele estaríamos todos condenados. Mais. Jesus aceitou sua paixão e morte “para que” possamos ser perdoados de nossos pecados, reconciliados com Deus e admitidos à salvação eter-na.
Jesus sofreu por nós e para nós! Então, nesta quaresma, precisamos nos perguntar: se Jesus foi capaz de sofrer sua paixão e morte pela minha salvação, o que é que eu estou fazendo em minha vida para me apropriar dessa redenção e para alcançar a minha salvação eterna? Estou levando suficiente-mente a sério o processo de minha salvação eterna? E se eu viesse a me perder?... Essa reflexão levada à profundidade e a sério poderá levar-nos a grandes transformações em nossa vida cristã vivida cada dia.

O PAI CELESTE CHAMA !





Para aqueles católicos que abandonaram sua fé, sua Igreja, sua vida de oração, sua vida cristã, o Deus misericordioso e preocupado com a salvação desses seus filhos que o abandonaram, tem um chamado todo especial: “Converte-te ao Senhor, abandona os teus pecados! Volta para o Senhor! (Cf. Eclo 17,21-23) Diz mais: “Volta ao Senhor teu Deus, porque foi teu pecado que te fez cair. Volta ao teu Senhor” (Cf Os 14,1-2) E diz ainda: “Desde o tempo de vossos pais vos apartastes de meus mandamentos, e não os guardastes. Voltai a mim e eu me voltarei para vós”. (Mal 2,7) Sim, Deus se preocupa muito com aqueles que dEle se afastaram, e por isso vivem no pecado, correndo o risco de perde-rem-se para a vida eterna. Essa perda seria a pior desgraça que poderia ocorrer na vida de alguém: perder o céu e ser condenado à separação eterna de Deus e dos Santos.
Quais são os motivos pelos quais o nosso Deus nos chama com tanta insistência, com tanta misericórdia e com tanta bondade para que nós nos voltemos a Ele de todo coração? É porque Ele nos ama com amor divino e eterno. É porque Ele sabe que se nós vivermos no seu amor e no amor ao próximo, estaremos vivendo no melhor caminho para nosso verdadeiro bem, realização e felicidade. Vivermos numa profunda amizade com Deus nos dá a sabedoria que procede se seus ensinamentos, os quais são todos para o nosso maior bem, durante esta vida, e como garantia de uma futura vida eterna feliz. O chamado de Deus à conversão e às ressurreições, na verdade, é um chamado a sermos santos. Viver em santidade na vida cristã de cada dia é a graça máxima que um batizado pode ter.

QUARESMA - KAIRÓS



Os amores de Deus Pai, de Jesus ressuscitado e do Espírito Santo se manifestam novamente de forma especial, neste tempo quaresmal, chamando-nos à conversão e à santidade, e oferecendo-nos suas graças para que elas aconteçam.
A quaresma é um “kairós”. É um tempo forte de graças divinas, oferecidas por Deus-Trindade a todos os cristãos, e recebidas por aqueles que abrem seus corações e participam consciente e vivamente desse tempo de conversão para a santidade.
Quaresma são os quarenta dias vividos entre a quarta-feira de cinzas e o Domingo de Ramos. Ou os dias contados entre o primeiro domingo da quaresma e a Quinta-Feira Santa.
Todos nós somos chamados a fazer desse tempo um abençoado período de reflexão sobre a qualidade de nossa vida cristã: pessoal, familiar, comunitária, profissional e social, com a finalidade de “mudarmos para melhor” aquilo que não está de acordo com os mandamentos e ensinamentos de Jesus, bem como para “tornarmos” ainda melhores e mais perfeitos aqueles aspectos de nossa vida que já estão conformes aos ideais de uma vida cristã autêntica, e até santa. Portanto, dois pólos: conversão e santificação.

9 de março de 2010

TEMPO DA QUARESMA



A palavra “Quaresma” vem da língua latina e tem sua origem no número “quarenta”.
Em religião, a Quaresma é o período de quarenta dias que vai da quarta-feira de cinzas até o Domingo de Ramos, ou do 1º Domingo até a Quinta-feira santa.
A Quaresma é um tempo forte de espiritualização da vida cristã, realizada por meio de: 1º. mais freqüente e fervorosa oração; 2º. de jejuns e mortificações para corrigir pecados, tendências pecaminosas, maus hábitos e vícios perniciosos; 3º. de boas obras de caridade fraterna; 4º. de mais assídua e piedosa participação nos sacramentos da Confissão e da Eucaristia; 5º. de participação consciente e ativa nas celebrações da comunidade paroquial.
A Quaresma é, também, um tempo forte de espiritualização, conversão, penitência e caridade, em preparação para um tempo ainda maior de espiritualidade que é a Páscoa. Numa palavra: a Quaresma é uma caminhada de preparação para a Páscoa da ressurreição de Jesus.
Na quaresma devemos “sepultar” com Jesus, todos aqueles pecados, maus hábitos de vida, tendências viciosas que nos incomodam, nos levam a ofender a Deus e ao próximo, e que não nos deixam sermos bons como gostaríamos, a fim de ressuscitar com Jesus, para uma vida renovada no amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos.

QUARESMA: MORTES E RESSURREIÇÕES

O tempo quaresmal é uma caminhada em direção à Páscoa da Ressurreição de Jesus e de nossas ressurreições pessoais. Podemos sintetizar essa caminhada em duas palavras: mortes e ressurreições.
Mortes.
Fazer morrer, crucificar, eliminar, extinguir em nós tudo aquilo que ainda é pecado, vício, tendências negativas como: orgulhos, egoísmos, invejas, vaidades, ódios, ressentimentos, mágoas, sensualidades, erotismos, materialismos, preguiças espirituais, infidelidades, corrupções etc. O trabalho de conversão consiste exatamente em extirpar, eliminar, “fazer morrer” todo o mal que ainda exista em nós, para vivermos uma vida cristã mais santa e ressuscitada.

Ressurreições.
Avivarmos em nós, e tornarmos mais fortes e dinâmicas em nós, as virtudes, as boas qualidades, os nossos bons propósitos de vida, o crescimento de nosso relacionamento com Deus, a vivência de nossa fé e de nosso culto religioso, uma vida matrimonial e familiar de muito melhor qualidade em amor e em convivência, nosso testemunho cristão na profissão, no trabalho, na comunidade, na sociedade. De fato, o objetivo maior da quaresma é levar-nos a muitas ressurreições.

3 de março de 2010

EUCARISTIA - SABEDORIA DE SANTO AGOSTINHO



“Não somos nós que transformamos Jesus Cristo em nós, como fazemos com os outros alimentos que tomamos, mas é Jesus Cristo que nos transforma nEle.”

“Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais; e sendo riquíssimo, não teve mais o que dar.”

“ A Eucaristia é o pão de cada dia que se toma como remédio para a nossa fraqueza de cada dia.”

“Na Eucaristia Maria perpetua e estende a sua maternidade.”

1 de março de 2010

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ

O mês de março é dedicado a São José, esposo da Virgem Maria, pai adotivo de Jesus Cristo, patrono e guardião da Igreja, poderoso intercessor junto à Trindade Santíssima em favor dos pais de família, das casas religiosas que se dedicam a idosos carentes, e à crianças órfãs ou pobres.Eis aqui uma oração para honrar esse Santo, bem como para obter sua poderosa proteção.
São José, meu terno pai,/
ponho-me para sempre
sob a vossa proteção./
Considerai-me como
vosso(a) filho(a),/
preservai-me de todo pecado,/
acolhei-me em vossos braços/
para que me acompanheis
no caminho da virtude,/
e me assistais
na hora morte. / Amém!

22 de fevereiro de 2010

MÁGOAS DO TIO FALECIDO



“Papai tinha uma empresa em sociedade com um tio, irmão mais velho dele. Por diversos anos a empresa funcionou muito bem, cresceu e deu bons lucros. Tanto meu tio como papai, graças à empresa, construíram boas residências, compraram apartamento na praia, enfim, puderam dar às nossas famílias um muito bom nível de vida.
Após quase vinte anos, papai percebeu que as coisas começaram a tomar rumos estranhos. Enquanto os lucros caíam cada vez mais e a empresa entrou em dificuldades, meu tio enriquecia mais e mais. Para encurtar a história: a empresa faliu, porque devia demais aos fornecedores. Para pagá-los judicialmente, papai teve que vender quase tudo. Só sobrou a casa e um carro. No entanto, meu tio está por cima. Papai descobriu tarde demais que, em vez de pagar os fornecedores, meu tio desviava e aplicava o dinheiro em bancos, em nome de fantasmas. Papai sofreu e sofre muito com tudo o que ocorreu.
Meu tio recentemente teve um câncer no fígado e morreu. Sabe, eu tenho muita mágoa dele e de toda sua família. Pior. Ás vezes me surpreendo sentindo como uma satisfação vingativa por ele ter morrido. Sinto-me muito mal ao perceber isso. Tais sentimentos não me fazem bem. Nem resolvem qualquer problema.”
O desamor entre familiares
Há muitos casos semelhantes de pessoas revoltadas e magoadas por causa de problemas familiares surgidos com fraudes materiais, nas divisões de heranças ou por outras razões semelhantes. As vítimas passam a sofrer duplamente. Sofrem com o problema como tal, e sofrem suas conseqüências, ou seja, sentimentos dolorosos de ódios, raivas, ressentimentos, sentimentos de vingança etc. Mais. Por causa desses sentimentos de desamor surgem, depois, problemas de depressão, desequilíbrios emocionais e tantos outros problemas de saúde física.
Ocorrendo o problema, o que se deve fazer é buscar e aplicar soluções. Principalmente quanto às conseqüências humanas, emocionais. No caso do nosso jovem, com certeza nada poderá recuperar materialmente. Mais importante do que recuperar bens materiais, porém, é curar o coração ferido, curar os sentimentos feridos, curar o íntimo do jovem.
Para conseguir a cura dos corações feridos é preciso trabalhar em duas áreas interiores. Primeira: “eliminar toda a rejeição ao fato ocorrido”, pois o íntimo, o coração não acolhe, não aceita, não quer admitir o que aconteceu, ou seja: a trapaça, a perda dos bens, a queda do nível de vida, e que tudo tenha sido causado pelo próprio tio. Pelo fato de não aceitar, o coração “rejeita” aqueles fatos. Cria-se, portanto, uma rejeição psicológica e emocional. Essa
rejeição torna-se uma força viva, poderosa, ativa, que mantém acesa a chama do desamor, das emoções feridas, como o ódio, a raiva, a mágoa, a vingança, a tristeza e outros. É preciso, pois, desalojar o processo de rejeição, substituindo-o por um processo inverso de “aceitação”. É preciso internalizar uma aceitação de tudo o que ocorreu, e da realidade tal qual é.
É preciso entender que “aceitar” não é justificar, nem aprovar, nem pôr panos quentes, ou afirmar que foi justo, legal e bom o que ocorreu. Não. Esta aceitação necessária para a cura das emoções consiste em acolher o problema como um fato histórico ocorrido e irreversível. Aconteceu? Sim. Aconteceu. É um fato. Não dá para fazer o tempo retornar e evitar o que aconteceu. É preciso, pois, aceitar a realidade histórica dos fatos para eliminar a rejeição e chegar à cura emocional.
Decidir-se a solucionar o problema
Como realizar essa terapia? Procure um lugar tranqüilo. Concentre-se. Raciocine e decida-se aceitar os fatos ocorridos para seu próprio bem e saúde. Fale consigo mesmo, diga seu nome, e afirme que você aceita, que acolhe aqueles fatos. “Eu, Fábio, aceito, acolho como parte de minha vida que papai tenha feito sociedade dom meu tio. Eu aceito. Aceito e acolho que após anos, tio Alfredo tenha começado a trapacear nos negócios. Aceito o fato de ele ter desviado tanto dinheiro. Aceito e acolho que papai jamais tenha suspeitado e ficado alerta. Eu aceito, ainda, que a empresa tenha falido. Aceito e acolho como parte de nossa vida que tenhamos perdido quase tudo. Eu aceito ...” E continua verbalizando essa aceitação em relação a todos os fatos negativos rejeitados por seu coração. Falar prolongadamente. Repetir muito as palavras: eu aceito, eu acolho, eu admito.
Segunda. Curar as feridas emocionais. O coração ficou muito ferido pelos acontecimentos. Para curar essas feridas, nada melhor, nada mais rápido e profundo do que a terapia do perdão. Perdoar tudo. Perdoar profundamente. Perdoar repetidas vezes. Esse perdão não beneficia o tio. Beneficia, sim, a quem perdoa. Pergunto: Quem está ferido? Quem está sofrendo? Conservar o sofrimento resolve algum problema? A solução, pois é perdoar. Ao perdoar, o coração fica curado, as emoções dolorosas são sanadas, e todas as suas seqüelas emocionais ou físicas são eliminadas.
O perdão que cura
Como fazê-lo? Logo após a terapia da aceitação, trazer pela imaginação a pessoa que causou o problema e, conversando com ela, como se estivesse fisicamente presente, perdoá-la de tudo o que aconteceu. Fato por fato. Ofensa por ofensa. Prejuízo por prejuízo. Detalhadamente. “Tio Alfredo, eu o perdôo de todo coração pela sua fraqueza de personalidade, e por um dia ter planejado prejudicar papai e nossa família. Eu o perdôo. Perdôo-o por todo desvio de dinheiro... Pela trapaça com fantasmas... Eu o perdôo por ter criado a crise financeira da empresa... Perdôo-o por ter levado papai a perder quase tudo o que possuía...” Desta forma, se possível falando em voz audível, vai perdoando de tudo quanto ocorreu.
Para que o coração fique plenamente curado e a pessoa possa sentir-me normal, sadia, com todo o problema superado, é preciso repetir esses dois passos: a aceitação e o perdão, por diversas vezes. Muitas vezes. Até sentir-se bem. Até sentir-se curado.

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