3 de Agosto de 2009

03 de agosto - Parábola do Filho Pródigo

A terna misericórdia do Coração de Jesus

20 E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. 21 E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o… (Lc 15, 20-22).

Primeiro Prelúdio. Este pai que vai ao encontro do filho pródigo é Jesus que faz estes avanços aos pecadores pelas inspirações da sua graça.
Segundo Prelúdio. Ó bom Mestre, volto para vós, apertai-me ao vosso Coração e revesti-me com a vossa veste de graça.


PRIMEIRO PONTO: Os desvarios do pródigo. – Esta parábola é fecunda em ensinamentos. Os publicanos e os pecadores vinham ter com Nosso Senhor. Ele recebia-os com bondade. Os fariseus e os escribas estavam escandalizados. Com esta parábola Nosso Senhor encoraja os pecadores arrependidos e generosos, mostra-lhes a sua ternura com a qual acolhe as ovelhas desgarradas. E assim, responde indirectamente aos fariseus.
Quando uma alma se separa de Nosso Senhor para se entregar às suas paixões, Ele não faz um milagre para a reter contra a sua vontade. Lamenta que façamos um mau uso dos seus dons, mas não atenta contra a nossa liberdade, não pode. Deplora o mau uso que fazemos de um privilégio que deu aos homens para lhes permitir darem ao seu Pai e a Ele um amor livre, e de servirem a Deus não como escravos, mas como servos afeiçoados, voluntária e livremente agarrados ao seu mestre. Como o pai desta parábola, deixa o pobre coração abusar em todo a liberdade dos dons que recebeu.
Deixa o pecador esgotar o primeiro furor da paixão; depois quando vem o período da fadiga e do tédio, vem com as suas primeiras inspirações salutares.


SEGUNDO PONTO: As indústrias da graça. – Se a alma for fiel a estas primeiras sugestões da graça, Nosso Senhor reduplica a solicitude, porque o bom acolhimento feito a uma graça excita-o a conceder outra. Se o pecador for surdo a estas sugestões sem ser desprovido de generosidade, Nosso Senhor far-lhe-á a graça de lhe enviar uma provação que provoque o regresso a si mesmo. Durante esta prova, fala mais amigavelmente ao seu coração; faz-lhe sentir vivamente toda a torpeza do seu estado, todo o perigo da sua situação. Procura promover nele um sentimento de humildade.
Se o pecador for fiel às sugestões da graça, se não recuar diante do esforço a fazer para tomar consciência da miséria na qual caiu, para ver a porcaria de que se sujou, a lepra de que se cobriu, Nosso Senhor recompensa este primeiro sentimento tornando-o mais vivo. O coração penetrado de um desprezo profundo por si mesmo abre-se à acção divina. Um toque poderoso parte então este coração humilhado e ele confessa a sua falta. Geme pela sua miséria, que lhe aparece então em toda a sua torpeza. Compara o seu estado ao dos servos fiéis que vivem numa doce paz de alma sob os olhares benevolentes de Nosso Senhor. O sentimento da sua indignidade é então tão vivo, que ele exclama como o filho da parábola: «Meu Deus, não sou digno de ser vosso filho, mas tende piedade de um pobre coração contrito e humilhado». Levanta-se então resolutamente para entrar de novo em graça com Deus.
O Coração de Jesus, emocionado de compaixão, facilita a esta cara alma a penosa caminhada à qual finalmente se resolveu. Nosso Senhor acolhe de braços abertos o infeliz que desde este instante se torna de novo seu filho bem-amado.


TERCEIRO PONTO: Conversão e perdão. – Nosso Senhor cumula o convertido de carícias. Enche o seu coração com os mais doces sentimentos de alegria para o adoçar da amargura da penitência. Reserva a este pobre coração partido pelo arrependimento o festim delicioso das suas consolações. Longe de lhe reprovar o seu passado, mostra-se com ele cheio de doces delicadezas, porque já não é um pecador, mas um filho ternamente amado.
Esta conversão alegra o Coração de Jesus, e se o filho reencontrado continua a ser generoso, se é sobretudo amoroso, este regresso pode ser o ponto de partida não somente de uma vida correcta e virtuosa, mas muitas vezes de uma santidade deslumbrante. Mas para isso é preciso sempre que Nosso Senhor encontre no coração do convertido um grande impulso de generosidade.
Consideremos o convertido da parábola. Logo que reconhecida a sua falta, o seu coração contrito e humilhado experimentará o sentimento profundo da sua indignidade. A acção segue imediatamente a resolução.

Levantar-me-ei, diz, e irei ter com o meu pai, e não podendo conter-se, levanta-se e vai exprimir ao seu pai a sua indignidade e pedir um lugar de simples doméstico.
Esta generosidade, é preciso tê-la sempre, de outro modo a pessoa arrasta-se primeiro para a tibiez e depois cai ainda mais baixo.
Meditemos também no acolhimento feito à generosidade do arrependimento: o pai não deixa ao filho senão o tempo de confessar a sua falta, depois aperta-o ao coração, perdoa-lhe e cumula-o com os seus dons. Que tocante e encorajadora parábola!


Resoluções. – Pensarei muitas vezes durante o dia na bondade, na ternura do Coração de Jesus. Recordarei as melhores circunstâncias da minha vida, a minha conversão, a minha vocação. O reconhecimento levar-me-á a ser mais fiel à minha regra, às minhas resoluções, mais afectuoso para com Nosso Senhor, mais generoso nos pequenos sacrifícios de cada dia.

Colóquio com o Sagrado Coração.