6 de Agosto de 2009

06 de agosto - Transfiguração de Jesus

Tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. 29 E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. 30 Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, 31 os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. 32 Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam. 33 Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia. 34 Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. 35 E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi (Lc 9, 28-35).


Primeiro Prelúdio. Jesus revela-nos a sua divindade e Deus coloca-nos sob a sua condução.

Segundo Prelúdio. Senhor, ensinai-me a rezar, a conhecer-vos, a amar-vos e a seguir-vos.


PRIMEIRO PONTO: Aprendamos a rezar. – Jesus manda muitas vezes os seus discípulos rezar. Hoje, toma à parte os seus preferidos, Pedro, Tiago e João, para os fazer rezar mais longa e intimamente. Estes três representam particularmente os pontífices, os religiosos, as almas chamadas à perfeição.
Para rezar Jesus gosta da solidão, a montanha onde reina a paz, a calma, onde pode ver-se a grandeza da obra divina sob o céu estrelado durante as belas noites do Oriente.
A transfiguração é uma visão do céu. É uma graça extraordinária para os três apóstolos. Não nos devemos agarrar às graças extraordinárias que são por vezes o fruto da contemplação. Pedro agarra-se a isso. Engana-se. Queria ficar lá: «Façamos três tendas», diz. Não sabia o que dizia. A visão desaparece numa nuvem.
Há aqui uma lição para nós. Entreguemo-nos à oração habitual, à contemplação. Não desejemos as graças extraordinárias. Se vierem, não nos agarremos a elas.


SEGUNDO PONTO: Os frutos da festa. – É primeiro o crescimento da fé. Os apóstolos testemunham-nos que viram a glória do Salvador. «Não são fábulas que vos contamos, diz S. Pedro (2Pd 1, 16), fomos testemunhas do poder e da glória do Redentor. Ouvimos a voz do céu sobre a montanha gritando-nos no meio dos esplendores da transfiguração: É o meu Filho bem-amado, escutai-o».
S. Paulo encoraja a nossa esperança recordando a lembrança da glória do salvador manifestada na transfiguração e na ascensão: «Veremos a glória face a face, diz, e seremos transfigurados à sua semelhança» (2Cor 3, 18). – Esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo terrestre e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso» (Fil 3, 21).
Mas este mistério é sobretudo próprio para aumentar o nosso amor por Jesus. Nosso Senhor manifestou-nos naquele dia toda a sua beleza. O seu rosto era resplandecente como o sol. Os apóstolos, testemunhas da transfiguração, estavam totalmente inebriados de amor e de alegria. «Que bom é estar aqui», dizia S. Pedro: Bonum est nos hic esse! «Façamos aqui a nossa tenda». A beleza de Cristo transfigurado, contemplada pelo pintor Rafael, inspirou-lhe a obra-prima da arte cristã.
Nosso Senhor falava então da sua Paixão com Moisés e Elias: nova lição de amor por nós. O Coração de Jesus, mesmo na sua glória, não pensa senão em nós e nos sacrifícios que quer fazer por nós.
Lições também de penitência, de reparação, de compaixão pelo Salvador.
Porque teve de sofrer tanto para nos resgatar, choremos os nossos pecados, amemos o nosso Redentor, consolemo-lo.


TERCEIRO PONTO: Escutai-o. – A voz do Pai celeste diz-nos: Escutai-o, ispum audite, palavra cheia de sentido, como todas as palavras divinas. Deus dá-nos lá o seu divino Filho por guia, por chefe, por mestre.
Escutai-o, fala-nos nas leis santas do Evangelho e nos conselhos de perfeição.
Fala-vos nas vossas santas regras, se sois religiosos; no vosso regulamento de vida, se sois do mundo.
Fala-vos pelos vossos superiores, pelo vosso director. Têm a missão para vos dizer a vontade divina.
Fala-vos pela sua graça, na oração, na união habitual com ele. A palavra de Deus nunca vos falta, é a vossa docilidade que falta habitualmente.
Esta palavra divina «Escutai-o» espera de vós uma resposta. Não basta apenas uma promessa vaga: «hei-de escutar». É preciso uma disposição habitual: «escuto, escuto sempre; falai, Senhor, o vosso servo escuta». Escutarei no começo de cada acção, para saber o que devo fazer e como devo fazê-lo.

Resoluções. – Sim, Senhor, conduzi-me pela vossa palavra sempre presente, pelas minhas regras, pelos meus superiores, pela vossa graça, pelas vossas luzes. Falai, Senhor… Loquere, cor Jesu, quia audit servus tuus. Que pede de mim, neste momento, o Coração de Jesus? Que devo fazer, neste momento, para o amar, o consolar e o compensar?

Colóquio com Jesus transfigurado.