7 de Agosto de 2009

07 de agosto - O Coração de Jesus e os que estão desprovidos de bens da terra

19 Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. 20 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Mt 8, 19-20).

Primeiro Prelúdio. Jesus escolheu uma vida pobre para consolar os pobres e para lhes obter as bênçãos divinas.

Segundo Prelúdio. Senhor, inspirai-me o desapego dos bens terrenos e a dedicação aos pobres.


PRIMEIRO PONTO: O exemplo de Jesus. – Ele escolheu a pobreza como sua parte: «Jesus, rico de todos os bens do céu e da terra, fez-se pobre, diz-nos S. Paulo, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2Cor 8, 9). Repara a nossa sensualidade.
Desde o seu nascimento e toda a sua vida, Jesus quis conhecer o desnudamento. Ele, Filho de Deus e Filho de David, é repelido por todos em Belém, e nasce num estábulo como o mais pobre dos pobres.
Durante o exílio no Egipto, ninguém saberia dizer a penúria da Sagrada Família. Viveram sem dúvida de esmolas, e o Filho de Deus ensaiou sem dúvida os seus primeiros passos estendendo a mão à caridade pública.
Em Nazaré, o criador do mundo afadiga-se no trabalho para ganhar o pão quotidiano. Os Nazarenos, espantados com a sua sabedoria, exclamam: «Não é este um carpinteiro e o filho de um carpinteiro?».
Na sua vida apostólica, percorre vastas províncias a pé, vive de pão de cevada e de peixes secos; para se alimentar a si e aos seus e para ajudar aos pobres nada mais tem do que as esmolas de algumas piedosas mulheres.
Assim como viveu no desnudamento, morre despojado de tudo sobre a cruz, e o seu corpo vai repousar num sepulcro emprestado.


SEGUNDO PONTO: As suas preferências. – O Coração de Jesus dá as suas preferências aos pobres porque praticam mais facilmente a humildade e o desapego.
Os primeiros adoradores de Jesus são pobres pastores.
A maior parte dos seus apóstolos são pobres pescadores, não tendo outra fortuna senão os seus barcos e as suas redes. Vive com eles durante três anos, apesar da rudeza dos seus costumes.
A primeira das bem-aventuranças é em favor dos pobres, e promete-lhes a realeza do céu.
As multidões que o seguem e o envolvem, que o aclamam e se juntam a ele, são sobretudo pessoas simples e pobres. Não trazem ao segui-lo nem provisões nem dinheiro. Duas vezes multiplica miraculosamente os pães e os peixes para que estes caros pobres não desfaleçam no caminho.
É glória para ele evangelizar os pobres; apela à profecia de Isaías, o qual marcou a evangelização dos pobres como uma das provas da missão do Messias.
É tão pobre, ele e os seus, que lhe é necessário fazer um milagre para pagar o tributo do Templo (Mt 17).
Quer que os seus apóstolos cumpram as suas missões como serviço e no desnudamento da pobreza: «não tenhais ouro, nem prata, nem bolsa na vossa cintura, nem sacos de viagem, nem muda de vestidos. Dar-vos-ão o pão da esmola» (Mt 10, 9).
Preferi, dizia-lhes, a sociedade dos pobres, assim não tereis de responder a convites faustosos, que vos deixariam sem méritos (Lc 14, 12).
Aflige-se por tantas almas abandonadas pelo egoísmo farisaico, e que jazem como rebanhos sem pastores (Mt 9).
Bom para com todos, guarda as suas preferências pelos pequenos e pelos humildes.


TERCEIRO PONTO: A caridade. – Com que insistência Nosso Senhor volta a cada instante ao dever da esmola aos seus caros pobres! «Dai aos pobres, diz, e a vossa alma será purificada das suas faltas» (Lc 11, 41). Mesmo os duros e orgulhosos fariseus serão perdoados, se consentirem em dar o seu supérfluo aos pobres.
Assemelha-se aos mais desprezados de todos, e considera-se obrigado por todo o bem que lhes será feito (Mt 10, 42). Os seus pobres são outros que ele mesmo. É segundo a nossa caridade ou dureza a seu respeito, que será pronunciado no último juízo se somos dignos da bênção ou da maldição eterna (Mt 21, 31).
São os pobres que convida para o festim do reino dos céus (Lc 14, 21). Toda a sua simpatia vai para o pobre Lázaro, abandonado pelo mau rico, e atribui-lhe uma compensação eterna no céu (Lc 16, 19). /137
O único estremecimento de alegria que manifesta na sua vida, vem do facto de que o Pai se digna revelar aos simples e aos pequenos, os mistérios que esconde aos sábios e aos prudentes; e exprime então nitidamente a sua preferência: «O meu Pai colocou tudo nas minhas mãos, diz, chamo quem eu quero ao seu conhecimento, vinde portanto a mim vós que penais e sofreis e vos consolarei» (Mt 11, 25).
O Coração de Jesus tem preferidos, amigos que escolheu e que se prendem a ele na vida religiosa, mas é sob a condição de que abracem a pobreza como ele e se façam os amigos dos pobres.


Resoluções. – Bom Mestre, fazei reinar no meu coração o desapego, como reinava no vosso. Que sacrifícios vou fazer hoje para vos imitar mais? Dai-me também o espírito de compaixão pelos pequenos, pelos humildes, pelos que sofrem. Perdoai-me todas as concessões que fiz demasiadas vezes ao espírito de cobiça e de sensualidade.

Colóquio com Jesus pobre e mortificado.