16 de Agosto de 2009

16 de agosto - São Joaquim

Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos seus mandamentos. 2 A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos. 3 Na sua casa há prosperidade e riqueza, e a sua justiça permanece para sempre (Sl 112, 1-3).

Primeiro Prelúdio. A Igreja aplica estes louvores a S. Joaquim no seu ofício. Não a ninguém mais do que a ele.

Segundo Prelúdio. Sim, venerável patriarca, a vossa descendência é tão gloriosa como santa, porque é Maria e Jesus mesmo. Adoptai-me também como irmãozinho de Jesus e como vosso filhinho.

PRIMEIRO PONTO: A sua santa vida. – Joaquim era da tribo de Judá, e da raça de David por Matan. O seu nome significa «Preparação do Senhor». Do seu sangue, de fato, foi preparada Maria que foi o templo do Senhor. A sua juventude deve ter sido admiravelmente piedosa e santa, para que tenha sido escolhido como esposo de Sta. Ana, a venerável mãe da santa Virgem.
Viviam juntos, diz S. Jerónimo, numa admirável santidade. Faziam três partes dos seus bens: a primeira era destinada a ajudar o templo de Jerusalém; a segunda era distribuída pelos pobres, e a terceira servia para o sustento da casa.
Viviam um modo de vida muito simples, vida de oração e de trabalho, como devia ser a da Sagrada Família de Nazaré. Joaquim levava o seu modesto rebanho para a montanha, Ana ocupava-se com os trabalhos da casa e do Jardim. Encontravam-se para a hora da oração.
Os padres da Igreja, e em particular Sto. Epifânio, S. Jerónimo e S. João Damasceno, louvam a vida de recolhimento, de piedade e de humilde trabalho de S. Joaquim e de Sta. Ana.

SEGUNDO PONTO: A sua gloriosa paternidade. – Ana e Joaquim tinham chegado a uma idade avançada sem terem filhos. Resignados à vontade de Deus, suplicavam no entanto ao Senhor que pusesse cobro aos seus votos dando-lhes um fruto da sua santa união. Ambos multiplicavam as orações e as boas obras para obterem este favor. Prometiam ambos consagrarem a Deus o filho que lhes seria concedido.
Um dia em que Joaquim rezava na montanha em que apascentava o seu rebanho, e Ana no seu jardim onde tinha feito um pequeno santuário, os seus bons anjos visitaram-nos e anunciaram-lhes que Deus tinha atendido as suas preces e que iam ser consolados com o nascimento de uma criança, que chamariam Maria.
O dia 8 de Setembro foi o dia deste nascimento miraculoso, que honramos com uma terna devoção.
O privilégio da Conceição imaculada de Maria ergue bem alto a glória e a santidade de S. Joaquim e de Sta. Ana. Foram portanto isentos de toda a concupiscência no acto que deu a vida à Virgem Imaculada. Foram subtraídos às consequências do pecado de Adão e de Eva.
Eram como anjos vivendo sobre a terra em corpos humanos. Que vida de oração, de recolhimento e de ódio ao pecado isso supõe! Que exacta mortificação e que perfeito domínio sobre a carne e as suas cobiças! Saudemos estes dois serafins da terra, renovemos as nossas resoluções de modéstia e coloquemo-las sob a sua proteção.

TERCEIRO PONTO: O grande sacrifício. – Joaquim e Ana experimentavam uma suprema alegria em educar o anjo que Deus lhes tinha dado. Os seus corações fundiam-se de amor na contemplação deste pequeno ser todo celeste. Mas não esqueciam a promessa que tinham feito a Deus de lhe consagrarem a criança. Era preciso levar Maria ao templo. Teriam podido usar demoras esperando que ela tivesse alguns anos mais, mas a sua fidelidade e a generosidade dos seus corações igualavam a sua pureza. A criança não tinha senão três anos quando a deram a Deus. Era mais do que o sacrifício de Abraão. Era muito deixar Isaac, que era amável e doce, mas deixar Maria! Separar-se deste pequeno ser angélico! Joaquim e Ana não hesitaram.
Que lição para nós todos! Para os pais que se opõem à vocação dos seus filhos ou lhes retardam a execução; para nós mesmos que somos surdos tantas vezes a um apelo de Deus, a uma graça que nos pede um esforço, um sacrifício, um despojamento. Que a festa de hoje nos traga um acréscimo de generosidade!
S. Joaquim apagou-se, como S. José, numa morte calma e toda em Deus, e o seu culto vai sempre a crescer.
Honrando-o, consolamos o Coração de Jesus que se sente tocado e nos é agradecido.


Resoluções. – Que confusão a minha perante vidas tão santas! Não vou pôr mais ordem na minha vida e decidir-me a preferir a vida interior, a calma, o recolhimento, a oração?
Felizes aqueles que têm o coração puro, bem-aventurados aqueles que rezam fielmente levando uma vida modesta e humilde no trabalho, na piedade e na caridade.


Colóquio com S. Joaquim.