17 de Agosto de 2009

17 de agosto - A fé do centurião

8 Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faz isto, e ele o faz. 10 Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta (Mt 8,8-10).


Primeiro Prelúdio. Este oficial romano, homem justo e recto, dá-no sum admirável exemplo de fé.

Segundo Prelúdio. Colocai, Senhor, uma fé viva no meu coração, peço-o ao vosso divino Coração.

PRIMEIRO PONTO: As qualidades da fé. – A perfeição da fé, diz S. João, é crer no amor de Nosso Senhor por nós (Jo 4, 16). Tal era a lei do bom centurião.
A fé deve ser esclarecida, não pede, no entanto, um luxo exagerado de provas. Os judeus pediam sempre novos prodígios para acreditarem. Jesus censura-os por isso (Jo 4, 48). O centurião soube que Jesus curava muitos doentes com uma bondade extrema, isso lhe basta.
A fé deve ser confiante e firme. Assim foi a do centurião. Não duvida, tem confiança, insiste, sabe que Jesus pode curar à distância.
A fé deve estar penetrada de humildade. O nosso oficial não ousa ir ele mesmo ter com Jesus, envia um ancião da sinagoga, depois um vizinho. Não se julga digno que Jesus entre debaixo do seu tecto.
A fé fortifica-se no meio das provas. Nosso Senhor com frequência provou a fé por meio de uma primeira recusa, como aconteceu com a mulher cananeia.
É preciso confessar a própria fé e não ter vergonha. O centurião fez isto de um modo magnífico, ele que era estranjeiro e pagão e que admirava os judeus pela vivacidade da sua fé.

SEGUNDO PONTO: Poder da fé. - «Tudo é possível a quem tem fé», dizia Nosso Senhor ao pai do pobre lunático (Mt 9). – A fé é a força que triunfa do mundo, repetem os apóstolos nas suas epístolas (Jo 1; Heb 11).
A fé obtém a cura da alma e do corpo, Nosso Senhor mostrou-o a respeito do paralítico: curou-o e perdoou-lhe os pecados.
A fé comanda toda a natureza e opera os maiores prodígios. S. Paulo recordava aos hebreus todas as maravilhas da fé no antigo testamento (Heb 11): as bênçãos de Abraão, os milagres de Moisés…
É na medida da sua fé que os doentes obtêm de Nosso Senhor a sua cura, os possessos a sua libertação.
Era necessário recordar aqui todos os milagres de Nosso Senhor e citar todo o evangelho. – “Não encontrei tanta fé em Israel”, exclama Nosso Senhor diante da humildade crente do centurião. - «Ó mulher, como é grande a tua fé!», diz à cananeia. - «Credes que o possa fazer?», pergunta aos cegos de Cafarnaum». - «Se podes crer!», responde ao pai do lunático: tudo é possível a quem crê. - «Que seja feito segundo a vossa fé!», diz em várias circunstâncias. - «Senhor, se quiserdes, diz o leproso de Galileia, podeis purificar-me». - «Crê somente e a tua filha viverá», diz a Jairo. – A vários repete: «A vossa fé vos salvou». Aos apóstolos que se afligem por não poderem operar algumas curas, Nosso Senhor revela o motivo da sua impotência: «É por causa da vossa incredulidade». - «Homens de pouca fé, onde está então a vossa confiança?», diz-lhes, no meio dos terrores da tempestade. – Promete-lhes que operarão prodígios se tiverem a fé somente como um grão de mostarda. – E a última censura que lhes dirige, antes de subir ao céu, é de terem tão lentamente acreditado nas testemunhas da sua ressurreição. – Senhor, aumentai a minha fé e curai-me de todas as minhas enfermidades.


TERCEIRO PONTO: Como a fé se adquire, se recupera e se aumenta. – A fé adquire-se e aumenta-se por um vivo desejo, por uma oração ardente, por actos repetidos.
«Senhor, ajudai à impotência da minha fé!», exclamava o pai do lunático (Mt 9).
«Porque é que então, dizem os apóstolos ao Salvador, que não pudemos expulsar este demónio do lunático?» - «Por causa da vossa falta de fé, responde Jesus». Em verdade vos digo: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: «Transporta-te daqui para ali», e ela deslocar-se-ia. Diríeis a esta amoreira: «Arranca-te e vai plantar-te no mar», e ela obedecer-vos-ia imediatamente, e nada vos seria impossível».