8 de Agosto de 2009

08 de agosto - O Coração de Jesus perante os doentes e os que sofrem

17 E, descendo com eles, parou numa planura onde se encontravam muitos discípulos seus e grande multidão do povo, de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon, 18 que vieram para o ouvirem e serem curados de suas enfermidades; também os atormentados por espíritos imundos eram curados. 19 E todos da multidão procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava todos (Lc 6, 17-19).


Primeiro Prelúdio. A compaixão preveniente e delicada de Jesus pelos doentes é inexprimível. Cura em massa todas as enfermidades que lhe são apresentadas.
Segundo Prelúdio. Senhor, o vosso coração é infinitamente misericordioso, tende piedade de todas as minhas enfermidades físicas e morais.


PRIMEIRO PONTO: Jesus veio à terra para curar e consolar os que sofrem. – O velho Simeão saudou-o no templo como a consolação de Israel.
Nosso Senhor aplica a si mesmo, no seu discurso de Nazaré, esta passagem do profeta Isaías: «O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso me marcou com a sua unção; enviou-me a evangelizar os pobres, a curar os que têm o coração partido, anunciar a libertação aos cativos, dar a vista aos cegos, libertar os oprimidos, e publicar o ano da misericórdia do Salvador e o dia da retribuição». - «E hoje, diz o Salvador, fechando o volume, realiza-se a passagem do Evangelho que acabais de escutar» (Lc 4, 16).
Que vinha fazer ao mundo, senão trazer-lhe uma consolação maior ainda que a sua infelicidade? Consolar os que sofrem, era o fim da sua vida. Era por isso que multiplicava os seus encorajamentos, os seus milagres, os seus benefícios. Foi pela nossa consolação que sofreu, que morreu e que instituiu a sua Igreja com os seus sacramentos.


SEGUNDO PONTO: O Coração de Jesus e os doentes. – Não é um doente de longe em longe que Nosso Senhor cura, opera curas em massa e em grande número.
Em Cafarnaum, impõe as mãos a todos os doentes que lhe apresentam e todos são curados (Lc 4, 40). /139
Algum tempo depois teve lugar esta cena tão comovente: uma multidão considerável seguiu-o ao longo do lago. A sua habitação é assaltada por esta multidão que lhe apresenta um grande número de doentes. Uma virtude miraculosa saía dele para os curar. Chegam a descobrir o tecto da casa, para chegarem a apresentar ao Salvador um paralítico estendido sobre um catre. O Salvador, tocado pela sua fé cura ainda este doente depois de todos os outros (Lc 3).
Na primeira Páscoa, opera tantos milagres que um grande número de Judeus é conquistado para a fé (Jo 2, 23).
Na sua primeira missão na Galileia, Nosso Senhor cura toda a fraqueza e toda a enfermidade (Mt 4).
Sobre o Monte das Bem-aventuranças, multidões de infortunados doentes, vindos da Judeia e mesmo de Tiro e de Sídon, são curados apenas pelo toque do seu manto.
Antes da primeira e da segunda multiplicação dos pães, Jesus cura primeiro as multidões dos doentes e de enfermos que se comprimem à sua volta.
Desde o início das missões de Pereia, Nosso Senhor renova os milagres das missões de Galileia, e em cada etapa são curas tão extraordinárias como numerosas (Mt 19).
«Por toda a parte aonde Jesus chegasse, diz-nos S. Marcos, nas aldeias e nas cidades colocavam os doentes no meio das praças públicas, pedindo-lhe que lhes permitisse tocarem ao menos na borda do seu manto. E todos os que lhe tocavam eram curados» (Mt 6).
Os apóstolos, enviados pelo Mestre, operam em todos os lugares em seu nome os mesmos prodígios (Mt 11).
Mesmo no dia dos Ramos, vemo-lo curar ainda, nos átrios do Templo, os cegos e os coxos que lhe imploram (Mt 21).


TERCEIRO PONTO: O Coração de Jesus e os aflitos. – Não é somente pelos doentes que o Coração de Jesus é compassivo, é por todos os que sofrem e que se encontram em dificuldade.
Como é bom para com as almas provadas pela perda daqueles que lhe são caros, com Jairo, cujo filho bem-amado acaba de morrer; com a pobre viúva de Naim que leva o seu filho único à sepultura, com Marta e Madalena que choram o seu irmão. Está emocionado até ao fundo da sua alma, chora. As suas lágrimas comovem os próprios judeus. Apela ao poder divino para ressuscitas os mortos.
A sua compaixão sobre Jerusalém é imensa, chora sobre as tribulações /140 futuras desta cidade ingrata e culpável.
Num movimento de compaixão sem medida, abre os seus braços a todos os infortúnios: «Vinde a mim, diz, vós todos que sofreis e que sois esmagados sob o peso do trabalho e da dor; vinde e vos aliviarei».
No caminho do calvário, esquece os seus próprios sofrimentos para se compadecer das filhas de Jerusalém e convidá-las a chorar pelos castigos que cairão em breve sobre a sua pátria.


Resoluções. – Senhor, aquele que amais está doente. Sim, tenho confiança de que amais o meu pobre coração, apesar das suas fraquezas e das suas faltas. Vós mo provastes de mil maneiras. Mas este pobre coração está doente. Sou pobre, Senhor, miserável, desnudado de tudo, cego e esfomeado de fervor. O vosso coração é tão misericordioso! Curai-me, tende piedade de mim.
Colóquio com Jesus, curando os doentes.