21 de Agosto de 2009

21 de agosto - Santa Joana Francisca de Chantal

E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna (Mt 19,20).

Primeiro Prelúdio. Santa Chantal é verdadeiramente uma santa do Sagrado Coração. Deu à Visitação o espírito que preparou Margarida Maria para as grandes graças que recebeu.

Segundo Prelúdio. Cara Santa, obtende para mim o espírito da Visitação, que é o dos amigos do Sagrado Coração.


PRIMEIRO PONTO: A sua preparação. Joana Francisca de Frémiot foi educada na piedade. Desposou o barão de Chantal e viveu como o modelo das mães de família. Com a idade de 28 anos perdeu o seu marido, que morreu em consequência de um acidente acontecido na caça. Foi encontrar no seu fervente amor de Deus a força sobrenatural que faz suportar com resignação as mais cruéis provações e dá mesmo a coragem de abençoar a mão que fere.
Oferece-se a Deus como uma vítima preparada para sofrer todas as cruzes que quisesse enviar-lhe, e repetia muitas vezes com uma santa alegria estas palavras: «Senhor, quebrastes os meus laços, posso portanto agora apresentar-vos uma vítima de louvor» (Sl 115).
Retirada do mundo, dividia o seu tempo entre a oração, o trabalho e a educação dos seus filhos. Avançou rapidamente na perfeição, impondo-se vigílias e jejuns, distribuindo abundantes esmolas e ligando-se a Deus pelo voto de castidade.
S. Francisco de Sales, tendo vindo pregar a Quaresma a Dijon em 1604, foi o director escolhido por Deus para conduzir esta alma nas vias da santidade. O seu fervor levou-a a gravar sobre o seu coração com um ferro quente o nome adorável de Jesus, como testemunho do amor divino que a consumia.


SEGUNDO PONTO: A Visitação Santa Maria. – Madame de Chantal abriu-se a S. Francisco de Sales a respeito dos seus desejos de vida religiosa. Ele deu-lhe a conhecer o desígnio que tinha de fundar a Visitação, ela colocou-se à sua disposição. Mas como prover à educação dos seus filhos e à administração dos seus bens? A sua resolução lançou a sua família na dor. Entretanto tudo pôde resolver-se. A mais velha das suas filhas estava casada, levou consigo as outras duas consigo para Annecy. Confiou ao seu pai, M. de Frémiot, o seu filho, o barão de Chantal, com a idade de 15 anos. O menino estava em boas mãos, mas a sua despedida dilacerante e a dor que manifestou deitando-se através da porta, fez sofrer a sua mãe um sacrifício heróico.
Começou a obra da Visitação com algumas piedosas senhoras em Annecy. S. Francisco de Sales traçou-lhe as regras que, sem exigir grandes austeridades exteriores, pedem o mais contínuo e perfeito exercício da mortificação do espírito e do coração.
«Que a renúncia interior a tudo o que pode lisonjear o orgulho e os sentidos, dizia nas suas instruções sobre a regra, seja contínuo e estudado em Jesus Cristo o adorável modelo. Ele disse-nos a nós todos: Aprendei de mim que sou doce e humilde de coração, e encontrareis o repouso das vossas almas. Que a humildade seja para vós a fonte das virtudes, que seja sem limites, que apareça em todas as vossas acções; e logo com ela a caridade e a doçura para com o próximo tornar-se-vos-ão como naturais à força de as praticardes. Porque é preciso morrer em espírito para que Deus viva em nós; sem este meio único, é impossível que cheguemos nesta vida a nos unirmos a Ele».
Façamos destes conselhos a regra da nossa vida, e em breve chegaremos à união com o Sagrado Coração.


TERCEIRO PONTO: A consumação. – Algum tempo depois da sua profissão quis empenhar-se através de um voto a fazer sempre o que julgasse mais perfeito. S. Francisco de Sales permitiu-o, porque conhecia a sua generosidade e a sua coragem.
Deus provou-a com doenças frequentes e dolorosas. Sofria com alegria e com a paz que o amor divino dá. «O mundo inteiro, escrevia a S. Francisco de Sales, morria de amor por um Deus tão amável, se conhecesse a doçura que goza um a alma ao amá-lo».
Perdeu o seu pai. Uma perseguição se levantou contra a sua fundação em Paris. Em 1627, o jovem barão de Chantal foi morto combatendo contra os huguenotes na ilha de Ré. Em 1631, perdeu a jovem baronesa, sua nora e o conde de Toulonjon, seu genro. Suportou todos estes lutos com uma coragem heróica. Renovava a oferta do seu coração a Nosso Senhor dizendo-lhe: «Senhor, destruí, cortai, queimai tudo o que se opõe ao vosso serviço». - «Nosso Senhor, dizia às suas filhas, ligou o preço do seu amor e da glória eterna à vitória que conseguirmos sobre nós mesmas; e a nossa intenção, ao entrarmos na Visitação, deve ter sido a de nos desunirmos inteiramente de nós mesmas, para nos unirmos totalmente a Deus». Morreu nas mais fervorosas disposições. A sua vida é para nós um admirável modelo de desapego das criaturas e de amor por Nosso Senhor.


Resoluções. – Santa amiga do Sagrado Coração de Jesus, ajudai-nos a crescer no seu amor. Ensinastes-nos a tudo sacrificar por Deus, quero doravante sacrificar-me melhor do que no passado na mortificação interior, na união com Nosso Senhor e na aceitação das cruzes que a divina Providência me enviar.


Colóquio com Santa Chantal.

20 de Agosto de 2009

20 de agosto - São Bernardo

3 Suave é o aroma dos teus unguentos, como unguento derramado é o teu nome; por isso, as donzelas te amam. 4 Leva-me após ti, apressemo-nos. O rei me introduziu nas suas câmaras. Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; não é sem razão que te amam (Cant 1,3-4).


Primeiro Prelúdio. S. Bernardo também é um santo do Sagrado Coração. A Igreja coloca as suas efusões de amor para com Nosso Senhor no ofício da festa do Sagrado Coração.

Segundo Prelúdio. Grande santo, fazei-me penetrar convosco no lado de Jesus, para aí encontrar os tesouros do seu Coração.

PRIMEIRO PONTO: A sua preparação. – A sua piedosa mãe consagrou-o desde o seu nascimento ao serviço dos altares e não deixou desde então de o ver como pertencendo exclusivamente ao Senhor. Educado nos cónegos de Chatillon, manifestou todas as virtudes da infância: o recolhimento, a docilidade, a afabilidade, a modéstia. O que ele pedia mais frequentemente a Deus era nunca macular a sua inocência pelo pecado. Numa noite de Natal o menino Jesus apareceu-lhe radiante de graça e de beleza.
Lutou heroicamente contra as tentações e mergulhou um dia tanque gelado para reprimir um movimento da carne.
O mundo assustava-o, pensou no mosteiro de Citeaux que era então florescente. Decidiu-se a entrar nele. Toda a sua família se opôs, desejando para ele as grandezas e as dignidades eclesiásticas. Mas a sua eloquência sobrenatural foi tão poderosa na sua defesa, que ganhou todos os seus, parentes e amigos, para a vida monástica: os seus cinco irmãos, o seu tio, o seu amigo Hungues de Macon. Entrou em Citeaux com os seus cinco irmãos e vinte e cinco outros fidalgos.
Excitava-se à santidade repetindo para si muitas vezes: «Bernardo, Bernardo, porque é que vieste para esta casa?»
Praticava uma grande mortificação e vivia na união contínua com Deus.


SEGUNDO PONTO: As suas grandes obras. - Em 1114, Sto. Estêvão, o seu abade de Citeaux, enviou-o a fundar um mosteiro na diocese de Langres, num lugar selvagem que se chamou mais tarde Claraval. A sua vida aí era pobre e dura, mas a santidade de Bernardo atraiu para lá numerosas vocações. Até o seu próprio pai e o seu irmão mais novo Nivard vieram juntar-se a ele.
Citeaux chegou em breve até setecentos monges. Vários enxames se desprenderam para irem fundar outras abadias, nomeadamente Foigny, junto de La Capelle, na diocese de Laon, onde S. Bernardo começou a composição das suas obras. Fundava também mosteiros de mulheres, como o de Clairefontaine na diocese de Namur e os milagres começavam a multiplicar-se sob os seus passos.
O caro santo recusou vários bispados, mas apesar da sua humildade tornou-se o árbitro dos reis e o conselheiro da Santa Sé. Os bispos consultavam-no. Pôde dizer-se que ele dirigia toda a Igreja do Ocidente do fundo da sua solidão.
Reonquistou todas as nações à obediência do Papa legítimo Inocêncio II, contra o anti-papa Anacleto. Foi-lhe necessário para isso visitar o rei de Inglaterra, o rei de França Luís, o Gordo, o imperador Lotário, o doge de Génova, o duque de Milão.
Combateu os erros de Abelardo, de Arnould de Brescia, de Gilberto de la Porrée.
Fundou sessenta outros mosteiros, entre outros o das Três Fontes em Roma.
Bernardo de Pisa, abade de Três Fontes, tendo sido eleito Papa com o nome de Eugénio III, S. Bernardo continuou seu director, seu conselheiro íntimo e escreveu para ele os cinco livros «obre a contemplação». Estando ameaçado o reino de Jerusalém, Bernardo pregou a cruzada com sucesso.
O lastimável desfecho da cruzada foi para ele uma grande prova e uma longa doença preparou-o para o último sacrifício.


TERCEIRO PONTO: O santo do Sagrado Coração. – Os seus escritos estão todos cheios do espírito do Sagrado Coração, sobretudo as suas homilias sobre a Incarnação, o seu tratado do amor de Deus, os seus sermões sobre o Cântico dos cânticos.
Explicando este texto: «Olhou para as fendas de pedra», e mostrado que estas fendas sõ as chagas de Jesus Cristo, sobretudo a do lado através da qual se vê o seu Coração: «Oh! Exclama, porque chegamos ao Coração dulcíssimo de Jesus, não suportamos que dele nos separem. Ah! Como é doce, como é bom habitar neste Coração! Que tesouro precioso o vosso Coração, ó misericordioso Jesus! Pérola incomparável encontrada esquadrinhando o vosso corpo! Darei tudo para o possuir. Trocarei todos os pensamentos e afectos da minha alma por ele. Fixarei todos os meus desejos no Coração do meu Senhor Jesus, e sem nenhuma dúvida, ele me alimentará com o seu amor. Lá, neste Templo, o Santo dos Santos, nesta arca preciosa, viverei, adorarei, louvarei o Senhor. Lá estará a vítima que sem cessar lhe oferecerei, o altar no qual oferecerei todos os meus sacrifícios, sobre o qual as mesmas chamas de amor com que o seu arde consumirão o meu».


Resoluções. Retiradas de S. Bernardo: encontrarei neste Sagrado Coração um modelo para regular os movimentos do meu, um fundo para me desempenhar do que devo à justiça divina, e um lugar seguro onde, estando a coberto dos naufrágios e das tempestades, direi com David: encontrei o meu coração para orar a Deus. Sim, encontrei este Coração na divina Eucaristia, encontrando aí o Coração do meu soberano, do meu bom amigo, do meu irmão, o Coração do meu amável Redentor…

Colóquio S. Bernardo.

19 de Agosto de 2009

19 de agosto - O Bem-Aventurado João Eudes

16 Para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; 17 e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, 18 a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade 19 e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus (Ef 3, 16-19).


Primeiro Prelúdio. O Padre Eudes é um dos santos que melhor conheceram a largura, a altura e a profundidade do Coração de Jesus e do Coração de Maria. Meditou e descreveu-os muito bem!

Segundo Prelúdio. Santo Apóstolo dos Sagrados Corações, obtende-me a graça de imitar o vosso amor pelo Coração de Jesus e de Maria e o vosso zelo pela sua glória.


PRIMEIRO PONTO: O precursor de Margarida Maria. – O Padre Eudes, a maravilha do seu século, no dizer de M. Olier, depois de ter penetrado até ao mais íntimo das almas de Jesus e de Maria e depois de ter perscrutado os seus mistérios, tão tardou a encontrar um alimento para a sua piedade na devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Esclarecido pelas luzes sobrenaturais da Irmã Maria des Vallées e provavelmente também pelas suas próprias revelações, não quis ter outro termo do seu amor e das suas homenagens senão estes Corações Sagrados, Resolveu consagrara a sua vida a estabelecer e a propagar o culto destes dois Corações, que uniu como não fazendo senão um todo moral, considerando-os como um mesmo Coração em unidade de espírito, de sentimento, de vontade e de afeto.
Começa a sua propaganda em 1640, e a primeira grande revelação de Margarida Maria não data senão de 1673. «Ele foi, diz o Padre Regnault (director do Mensageiro do Sagrado Coração), um zelador excepcional ao qual cabe a honra insigne de ter sido o primeiro a trabalhar na propagação do culto do Sagrado Coração». - «O Padre Eudes, diz o cardeal Perraud, foi suscitado por Deus para preparar o mundo cristão a receber a grande devoção da qual uma revelação miraculosa devia confiar mais tarde o apostolado à visitandina de Paray».


SEGUNDO PONTO: O culto dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. – O Padre Eudes começou por fundar duas congregações, consagradas aos sagrados Corações de Maria. A sua Congregação de Padres propagou esta devoção em várias dioceses. Depois erigiu confrarias dedicadas à mesma devoção e obteve para elas a aprovação da Santa Sé. Fundou várias capelas em honra dos dois Sagrados Corações. A do Santo Salvador na diocese de Coutance é designada numa bula de Clemente X sob o nome preciso de igreja do Coração de Jesus e de Maria. A sua construção deu lugar às liberalidades mais generosas da parte de todas as classes da sociedade. O Padre Eudes preparava assim o espírito público em França para receber as manifestações de Paray-le-Monial.
Até 1670, o Padre Eudes tinha unido mais ou menos constantemente os dois Corações do Filho e da Mãe, considerando-os na sua união moral. A partir desta altura, faz de cada um destes Corações o objecto de um culto especial.


TERCEIRO PONTO: O culto do Sagrado Coração de Jesus. – O Padre Eudes redige então esta missa deliciosa do Sagrado Coração que se chamou a missa do fogo tanto é animada por um amor ardente. Foi aprovada em várias dioceses. Escreve o seu belo ofício, que exprime tão bem o espírito suave e terno de Jesus, e que nos revela, como diz o Padre Le Doré, os tesouros de doçura, de misericórdia e de bondade que encerra o Coração tão cheio de amor do divino Mestre. São como outros tantos jactos de fogo que se escapam um atrás do outro do Coração de Jesus e da alma que canta o seu amor, as suas grandezas e os seus encantos.
Várias comunidades religiosas adoptaram o ofício da missa, nomeadamente as beneditinas do Santíssimo Sacramento e a abadia de Montmartre.
No seu livro sobre o Coração adorável de Jesus, publicado em 1670, o Padre Eudes exprime já todos os sentimentos que Margarida Maria devia receber diretamente do Coração de Jesus pouco tempo depois.
Como ela, une a reparação ao amor. Diz-nos que um dos sentimentos do Coração de Jesus que mais merece ser o objeto da nossa devoção é esta imensa dor de que está penetrado desde a sua agonia até ao Calvário, e que o inundaria todos os dias, se a dor pudesse entrar no céu.
Mostra-nos também no Coração de Jesus o altar de ouro do divino amor, a cidade de refúgio das almas provadas, e ensaiado já o tesouro de todas as graças e de todas as reparações.


Resoluções. – Senhor, com S. João Eudes, como com todos os apóstolos do vosso divino Coração, consagro-vos o meu pobre coração, para o consagrar ao vosso amor e à reparação que esperais dos vossos amigos.

Colóquio com o Padre Eudes.

18 de Agosto de 2009

18 de agosto - Ainda a fé do centurião

1 Tendo Jesus concluído todas as suas palavras dirigidas ao povo, entrou em Cafarnaum. 2 E o servo de um centurião, a quem este muito estimava, estava doente, quase à morte. 3 Tendo ouvido falar a respeito de Jesus, enviou-lhe alguns anciãos dos judeus, pedindo-lhe que viesse curar o seu servo (Lc 7, 1-3).


Primeiro Prelúdio. Admirável exemplo de humildade e de fé! Este pagão tocou o Coração de Jesus e obteve do Salvador um elogio e um milagre.

Segundo Prelúdio. Vejo como poderei tocar o Coração de Jesus, indo a Ele com humildade e com uma fé simples e confiante.

PRIMEIRO PONTO: Humildade. – O centurião está cheio de humildade. Duas vezes envia mensageiros a Jesus. Julga-se indigno de aparecer ele mesmo diante do Salvador. Ouviu contar os milagres do Salvador. Acredita neles com a simplicidade de uma criança. O seu servo está doente, espera que Jesus o vá curar. Envia primeiro os anciãos da Sinagoga, que considera mais dignos do que ele para serem atendidos. Depois quando Jesus se aproxima, envia-lhes os seus amigos com esta mensagem: «Senhor, não vos incomodeis a vir; não sou digno que entreis na minha casa e não ousei aparecer diante de vós; mas dizei somente uma palavra de longe e o meu servo será curado». Admirável simplicidade, Nosso Senhor louvou estas disposições que não encontrou entre os Israelitas, e a Igreja, entusiasmada por este acto de fé e de humildade, inseriu-o no cânon da missa como preparação para a santa comunhão.


SEGUNDO PONTO: Fé simples. – A fé do centurião iguala a sua humildade. Este homem é admirável na sua fé e na sua confiança. Ouviu contar os milagres de Cristo, isso lhe basta. Não duvida do seu poder divino e tem confiança na sua misericórdia. Envia uma primeira mensagem por veneráveis Judeus para pedirem ao Salvador, para vir curar o seu servo. Estes cumprem a sua missão com dedicação, pedem com insistência a Nosso Senhor para vir a casa do doente: «O centurião, dizem, merece este favor, é um homem honrado, que gosta da nação judaica e que mandou construir a sinagoga». Nosso Senhor sente-se tocado, e põe-se a caminho. Durante este tempo, o jovem piora; mas a fé do centurião não desfalece, parece mesmo afirmar-se ainda mais.
Envia outros mensageiros, amigos seus, dizer a Nosso Senhor: «Não vale a pena virdes a minha casa, não sou digno. Dizei apenas uma palavra e o meu servo será curado. Toda a natureza vos obedece, como os meus soldados me obedecem, digo-lhes: Ide ali, e eles vão; vinde aqui, e eles vêm. E quando digo ao meu servo: Faz isto, ele faz».
Este pagão tinha dado o exemplo mais admirável de fé e de confiança e a mais bela lição de obediência.
Nosso Senhor ficou muito admirado com ele: quo audio, Jesus miratus est; e no-lo propõe como exemplo de fé e de confiança.


TERCEIRO PONTO: Cura. – A fé do centurião obtém uma dupla recompensa. A primeira é uma confirmação por Nosso Senhor de todas as promessas feitas aos gentios pelos profetas. – Em verdade vos digo, diz Nosso Senhor aos discípulos: Os povos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão parte no reino dos céus com os patriarcas Abraão, Isaac e Jacob, enquanto que os filhos de Israel serão rejeitados. – A segunda recompensa foi a cura imediata do servo que amava. – Vai, manda-lhe dizer Nosso Senhor, ser-te-á feito segundo a tua fé e a tua confiança. – E o servo foi curado naquele mesmo instante.
Nós vamos muitas vezes a Nosso Senhor. Talvez o recebamos todos os dias na santa comunhão, e os nossos defeitos não se curam. Qual pode ser então a causa disso? É que a nós falta humildade, fé e confiança. Vamos a Nosso Senhor por rotina, com tibieza, com uma fé fraca. O nosso espírito e a nossa imaginação levam lá todas as suas distracções habituais. A vida dissipada do dia transborda mesmo sobe as nossas comunhões. Temamos que Nosso Senhor sinta por nós amargura, como sentiu quando viu a frieza dos filhos de Israel.


Resoluções. – Senhor, não sou digno que venhais a mim na santa comunhão, nem nas vossas visitas habituais, reconheço-o hoje e humilho-me. Suplico-vos, bom Mestre, dizei uma palavra e a minha alma será curada da sua doença.

Colóquio com Nosso Senhor.

17 de Agosto de 2009

17 de agosto - A fé do centurião

8 Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. 9 Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faz isto, e ele o faz. 10 Ouvindo isto, admirou-se Jesus e disse aos que o seguiam: Em verdade vos afirmo que nem mesmo em Israel achei fé como esta (Mt 8,8-10).


Primeiro Prelúdio. Este oficial romano, homem justo e recto, dá-no sum admirável exemplo de fé.

Segundo Prelúdio. Colocai, Senhor, uma fé viva no meu coração, peço-o ao vosso divino Coração.

PRIMEIRO PONTO: As qualidades da fé. – A perfeição da fé, diz S. João, é crer no amor de Nosso Senhor por nós (Jo 4, 16). Tal era a lei do bom centurião.
A fé deve ser esclarecida, não pede, no entanto, um luxo exagerado de provas. Os judeus pediam sempre novos prodígios para acreditarem. Jesus censura-os por isso (Jo 4, 48). O centurião soube que Jesus curava muitos doentes com uma bondade extrema, isso lhe basta.
A fé deve ser confiante e firme. Assim foi a do centurião. Não duvida, tem confiança, insiste, sabe que Jesus pode curar à distância.
A fé deve estar penetrada de humildade. O nosso oficial não ousa ir ele mesmo ter com Jesus, envia um ancião da sinagoga, depois um vizinho. Não se julga digno que Jesus entre debaixo do seu tecto.
A fé fortifica-se no meio das provas. Nosso Senhor com frequência provou a fé por meio de uma primeira recusa, como aconteceu com a mulher cananeia.
É preciso confessar a própria fé e não ter vergonha. O centurião fez isto de um modo magnífico, ele que era estranjeiro e pagão e que admirava os judeus pela vivacidade da sua fé.

SEGUNDO PONTO: Poder da fé. - «Tudo é possível a quem tem fé», dizia Nosso Senhor ao pai do pobre lunático (Mt 9). – A fé é a força que triunfa do mundo, repetem os apóstolos nas suas epístolas (Jo 1; Heb 11).
A fé obtém a cura da alma e do corpo, Nosso Senhor mostrou-o a respeito do paralítico: curou-o e perdoou-lhe os pecados.
A fé comanda toda a natureza e opera os maiores prodígios. S. Paulo recordava aos hebreus todas as maravilhas da fé no antigo testamento (Heb 11): as bênçãos de Abraão, os milagres de Moisés…
É na medida da sua fé que os doentes obtêm de Nosso Senhor a sua cura, os possessos a sua libertação.
Era necessário recordar aqui todos os milagres de Nosso Senhor e citar todo o evangelho. – “Não encontrei tanta fé em Israel”, exclama Nosso Senhor diante da humildade crente do centurião. - «Ó mulher, como é grande a tua fé!», diz à cananeia. - «Credes que o possa fazer?», pergunta aos cegos de Cafarnaum». - «Se podes crer!», responde ao pai do lunático: tudo é possível a quem crê. - «Que seja feito segundo a vossa fé!», diz em várias circunstâncias. - «Senhor, se quiserdes, diz o leproso de Galileia, podeis purificar-me». - «Crê somente e a tua filha viverá», diz a Jairo. – A vários repete: «A vossa fé vos salvou». Aos apóstolos que se afligem por não poderem operar algumas curas, Nosso Senhor revela o motivo da sua impotência: «É por causa da vossa incredulidade». - «Homens de pouca fé, onde está então a vossa confiança?», diz-lhes, no meio dos terrores da tempestade. – Promete-lhes que operarão prodígios se tiverem a fé somente como um grão de mostarda. – E a última censura que lhes dirige, antes de subir ao céu, é de terem tão lentamente acreditado nas testemunhas da sua ressurreição. – Senhor, aumentai a minha fé e curai-me de todas as minhas enfermidades.


TERCEIRO PONTO: Como a fé se adquire, se recupera e se aumenta. – A fé adquire-se e aumenta-se por um vivo desejo, por uma oração ardente, por actos repetidos.
«Senhor, ajudai à impotência da minha fé!», exclamava o pai do lunático (Mt 9).
«Porque é que então, dizem os apóstolos ao Salvador, que não pudemos expulsar este demónio do lunático?» - «Por causa da vossa falta de fé, responde Jesus». Em verdade vos digo: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: «Transporta-te daqui para ali», e ela deslocar-se-ia. Diríeis a esta amoreira: «Arranca-te e vai plantar-te no mar», e ela obedecer-vos-ia imediatamente, e nada vos seria impossível».

16 de Agosto de 2009

16 de agosto - São Joaquim

Bem-aventurado o homem que teme ao Senhor e se compraz nos seus mandamentos. 2 A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos. 3 Na sua casa há prosperidade e riqueza, e a sua justiça permanece para sempre (Sl 112, 1-3).

Primeiro Prelúdio. A Igreja aplica estes louvores a S. Joaquim no seu ofício. Não a ninguém mais do que a ele.

Segundo Prelúdio. Sim, venerável patriarca, a vossa descendência é tão gloriosa como santa, porque é Maria e Jesus mesmo. Adoptai-me também como irmãozinho de Jesus e como vosso filhinho.

PRIMEIRO PONTO: A sua santa vida. – Joaquim era da tribo de Judá, e da raça de David por Matan. O seu nome significa «Preparação do Senhor». Do seu sangue, de fato, foi preparada Maria que foi o templo do Senhor. A sua juventude deve ter sido admiravelmente piedosa e santa, para que tenha sido escolhido como esposo de Sta. Ana, a venerável mãe da santa Virgem.
Viviam juntos, diz S. Jerónimo, numa admirável santidade. Faziam três partes dos seus bens: a primeira era destinada a ajudar o templo de Jerusalém; a segunda era distribuída pelos pobres, e a terceira servia para o sustento da casa.
Viviam um modo de vida muito simples, vida de oração e de trabalho, como devia ser a da Sagrada Família de Nazaré. Joaquim levava o seu modesto rebanho para a montanha, Ana ocupava-se com os trabalhos da casa e do Jardim. Encontravam-se para a hora da oração.
Os padres da Igreja, e em particular Sto. Epifânio, S. Jerónimo e S. João Damasceno, louvam a vida de recolhimento, de piedade e de humilde trabalho de S. Joaquim e de Sta. Ana.

SEGUNDO PONTO: A sua gloriosa paternidade. – Ana e Joaquim tinham chegado a uma idade avançada sem terem filhos. Resignados à vontade de Deus, suplicavam no entanto ao Senhor que pusesse cobro aos seus votos dando-lhes um fruto da sua santa união. Ambos multiplicavam as orações e as boas obras para obterem este favor. Prometiam ambos consagrarem a Deus o filho que lhes seria concedido.
Um dia em que Joaquim rezava na montanha em que apascentava o seu rebanho, e Ana no seu jardim onde tinha feito um pequeno santuário, os seus bons anjos visitaram-nos e anunciaram-lhes que Deus tinha atendido as suas preces e que iam ser consolados com o nascimento de uma criança, que chamariam Maria.
O dia 8 de Setembro foi o dia deste nascimento miraculoso, que honramos com uma terna devoção.
O privilégio da Conceição imaculada de Maria ergue bem alto a glória e a santidade de S. Joaquim e de Sta. Ana. Foram portanto isentos de toda a concupiscência no acto que deu a vida à Virgem Imaculada. Foram subtraídos às consequências do pecado de Adão e de Eva.
Eram como anjos vivendo sobre a terra em corpos humanos. Que vida de oração, de recolhimento e de ódio ao pecado isso supõe! Que exacta mortificação e que perfeito domínio sobre a carne e as suas cobiças! Saudemos estes dois serafins da terra, renovemos as nossas resoluções de modéstia e coloquemo-las sob a sua proteção.

TERCEIRO PONTO: O grande sacrifício. – Joaquim e Ana experimentavam uma suprema alegria em educar o anjo que Deus lhes tinha dado. Os seus corações fundiam-se de amor na contemplação deste pequeno ser todo celeste. Mas não esqueciam a promessa que tinham feito a Deus de lhe consagrarem a criança. Era preciso levar Maria ao templo. Teriam podido usar demoras esperando que ela tivesse alguns anos mais, mas a sua fidelidade e a generosidade dos seus corações igualavam a sua pureza. A criança não tinha senão três anos quando a deram a Deus. Era mais do que o sacrifício de Abraão. Era muito deixar Isaac, que era amável e doce, mas deixar Maria! Separar-se deste pequeno ser angélico! Joaquim e Ana não hesitaram.
Que lição para nós todos! Para os pais que se opõem à vocação dos seus filhos ou lhes retardam a execução; para nós mesmos que somos surdos tantas vezes a um apelo de Deus, a uma graça que nos pede um esforço, um sacrifício, um despojamento. Que a festa de hoje nos traga um acréscimo de generosidade!
S. Joaquim apagou-se, como S. José, numa morte calma e toda em Deus, e o seu culto vai sempre a crescer.
Honrando-o, consolamos o Coração de Jesus que se sente tocado e nos é agradecido.


Resoluções. – Que confusão a minha perante vidas tão santas! Não vou pôr mais ordem na minha vida e decidir-me a preferir a vida interior, a calma, o recolhimento, a oração?
Felizes aqueles que têm o coração puro, bem-aventurados aqueles que rezam fielmente levando uma vida modesta e humilde no trabalho, na piedade e na caridade.


Colóquio com S. Joaquim.

15 de Agosto de 2009

15 de agosto - Assunção da Santíssima Virgem

Se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor (5, 8). - Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem (Cant 2, 13). - Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol, formidável como um exército com bandeiras? (Cant 6, 10)

Primeiro Prelúdio. – Jesus e Maria desejavam ardentemente a sua reunião. A entrada de Maria no céu foi um triunfo.

Segundo Prelúdio. – Maria tornou-se lá em cima a nossa mediadora junto do Coração de Jesus, o canal das graças divinas e o sustentáculo da Igreja.

PRIMEIRO PONTO: A bem-aventurada morte da santíssima Virgem. – Nosso Senhor deixou esperar bastante tempo a sua santa mãe. Era para bem da Igreja nascente, para lhe deixar uma Mãe para a educar, uma Mestra para a instruir, uma Consoladora no meio das perseguições. Maria apoia os apóstolos, descobre aos Evangelistas os segredos da vida escondida do seu divino Filho, anima os primeiros mártires, inspira às virgens e às viúvas os celestes atractivos da pobreza.
Depois vem a hora da sua morte. Ela sem dúvida é advertida pelos anjos. Repete o seu Ecce Ancilla. Os apóstolos estão reunidos pela vontade divina. Maria dá-lhes os seus últimos conselhos e despede-se. Não tem bens temporais para legar aos homens, mas deixa-lhes os seus preciosos méritos.
Jesus vem diante dela. Ela desfalece de amor, como a esposa do Cântico. Jesus convida-a para as núpcias eternas. Vinde, diz-lhe, vinde, minha Mãe bem-amada, vinde receber a vossa coroa de Rainha do céu e da terra. Maria repete, sem dúvida, estas últimas palavras que Jesus disse na cruz: «Meu Deus, coloco a minha alma nas vossas mãos». Depois expira de amor.

SEGUNDO PONTO: A ressurreição de Maria. – Maria deixou o seu corpo sobre a terra, como um último sacrifício. Mas Nosso Senhor não quer abandonar à corrupção do túmulo este corpo que lhe esteve tão unido. Desperta o corpo de sua Mãe bem-amada, como despertou Lázaro. Maria ressuscita no terceiro dia, como Jesus. Ela esperou a chamada do seu Filho glorioso: «Levanta-te, apressa-te, minha Mãe bem-amada, e vem». O céu todo inteiro se prepara para a festa. Os anjos exclamam: «Quem é esta, que avança como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, e terrível como um exército? Quem é esta, que sobe para nós, apoiada sobre o seu bem-amado?» (Cant 6, 8). É a Virgem Imaculada, é a Mãe do Salvador, é a Esposa do Rei dos céus. Os anjos fazem-lhe o cortejo, assim como as almas dos justos da antiga lei: David e Abraão, os seus antepassados segundo a carne, com os reis de Judá. Eva que lhe cede o título de Mãe dos viventes; S. José que lhe foi à frente; os profetas que a tinham entrevisto nas suas visões; S. João Baptista, o grande mártir; os santos Inocentes, irmãozinhos de Jesus.
Ó minha Mãe, misturo a minha voz à de toda a corte celeste. – Sois digna de toda a veneração: Tu gloria Jerusalem, tu laetitia Israel; sois a alegria e a glória de toda a cidade dos céus. Deus vos abençoou acima de todas as mulheres da terra.
Mas que são os nossos louvores? Eis a Santíssima Trindade que a acolhe: o Pai recebe-a como a mais perfeita das suas filhas; o Filho coloca-a à sua direita como sua Mãe imaculada; o Espírito Santo reconhece-a como sua esposa privilegiada.

TERCEIRO PONTO: No céu. – O Profeta real repete o seu admirável epitâlamo: «Vejo à vossa direita, ó meu Príncipe, uma Rainha vestida com um manto de ouro todo adornado de bordados. As virgens, depois dela, apresentam-se ao meu Rei com santa alegria» (Sl 44). – Isaías, transportado pelo espírito de Deus, canta num arroubamento sublime: «Eis a Virgem que devia conceber e dar à luz um Filho».
A voz de Deus domina todas as exclamações de alegria: «Vinde minha esposa, diz, vinde, minha bem-amada, vinde do Líbano para ser coroada» (Cant).
A Santíssima Trindade concede a Maria a auréola do Martírio, do doutoramento e da virgindade, ornamenta a sua augusta fronte com a coroa real. Eis a Rainha de glória, mas também Rainha de bondade e de misericórdia. Vinde a ela vós todos que estais em dificuldade. O seu poder não tem outros limites que os do amor que o seu Filho tem por ela. Ela é o asilo dos pecadores, a protectora dos justos, a esperança e o sustentáculo da Igreja, o refúgio dos povos e dos reis.
Os espíritos celestes são os seus ministros, o género humano os seus súbditos, as três Igrejas o seu reino. Ela é três vezes Rainha. – O segredo do seu poder é o amor que lhe leva o Coração de Jesus. Se o Coração de Jesus é a fonte das graças e o tesouro do céu, quem melhor do que Maria pode ir até a esta fonte e abrir este tesouro? Este coração, não é feito /160 do sangue e da carne de Maria? Rainha do Sagrado Coração, abençoai-nos – se o Sagrado Coração de Jesus é o sol da cidade celeste, o Coração de Maria é como a lua brilhante que nos transmite os seus raios.


Resoluções. – Irei junto da verdadeira Judite para que ela salve o seu povo; junto da verdadeira Ester, para que ela peça graça para o povo de Deus. Ó Maria, dizei a Jesus que já não há vinho no meu coração, pedi-lhe que mude a água para lá colocar o vinho do fervor.

Colóquio com Maria, Rainha do céu.

13 de Agosto de 2009

14 de agosto - A Samaritana

Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. 11 Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? 12 És tu, porventura, maior do que Jacob, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado? 13 Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; 14 aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna (Jo 4, 10-14).

Primeiro Prelúdio. É Nosso Senhor que é o dom de Deus, vamos beber às fontes do seu Coração.

Segundo Prelúdio. Dai-me, Senhor, a água preciosa da vossa graça e do vosso amor.


PRIMEIRO PONTO: É Jesus e o seu Coração que são o dom de Deus. – É Nosso Senhor que é o dom de Deus. O seu Pai amou tanto os homens que lhes deu o seu Filho único, para os resgatar, para lhes comunicar a sua graça e os reconduzir a si. É portanto somente por Nosso Senhor que podemos ir ao Pai.
E Nosso Senhor mesmo ama tanto os homens aos quais o seu Pai o deu, que Ele mesmo dá os primeiros passos para os ganhar ao seu amor.
Nós ficamos muitas vezes surdos as estes passos que são as suas doces inspirações e a graça dos seus sacramentos. Se o conhecêssemos melhor, se soubéssemos melhor qual é este nosso amigo que nos fala no segredo do nosso coração e que solicita o nosso amor, apressar-nos-íamos para irmos ter com ele e lhe pediríamos estas águas vivas da graça, que tanto deseja espalhar.
Deseja tanto possuir o coração dos homens e nós pensamos tão pouco nele! Se o conhecessem melhor, todos os corações se abririam a ele.


SEGUNDO PONTO: Para conhecermos bem Nosso Senhor, é preciso estudar o seu coração e os prodígios do seu amor. – É preciso penetrar o mais adiante que for possível no conhecimento de Nosso Senhor, dos seus mistérios, dos seus benefícios, dos seus sacrifícios e sobretudo do amor do seu Coração, o único inspirador de tudo o que fez por nós. Quem não conhece o Coração de Jesus pretenderá em vão conhecer Nosso Senhor, tem dele apenas um conhecimento superficial.
Para estudar o Coração de Jesus, é preciso ver e reconhecer em tudo o que ele fez pelos homens o amor que o inspirou. Faz-se mendigo para solicitar o afecto dos nossos corações: Sto ad ostium et pulso. É Ele quem primeiro o diz: «Dai-me de beber». E o que é que lhe damos para saciar a sua sede de amor? Indiferença, frieza, esquecimento, quando não é mesmo ofensa e ultraje.
Para conhecer bem Nosso Senhor, é preciso penetrar-se desta verdade: que ama os homens, que tudo o que fez, fê-lo por amor por eles, e que não tem maior desejo do que de ser amado por eles; que tem sede de entrar nos seus corações, de os possuir, de os encher inteiramente de si mesmo. O amor do Coração de Jesus por nós é a única luz que pode guiar-nos com segurança, se queremos aplicar a nossa inteligência ao estudo da sua vida e das suas obras. Quem estuda Nosso Senhor deste modo, conhece-o melhor que todos os outros.
Para conhecer Nosso Senhor desta maneira que excita o coração a amá-lo, basta um pouco de simplicidade e de bondade de coração: Sentite de Domino in bonitate et in simplicitate cordis quaerite illum (Sab 1, 1). É o primeiro conselho que nos dá o livro da Sabedoria.
Depois de ter estudado Nosso Senhor desta maneira, exclamaremos como o salmista: «Confessemos bem alto a bondade do Senhor» (Sl 117).


TERCEIRO PONTO: Quem conhece o Sagrado Coração, bebe com alegria nesta fonte de água viva. – Quando alguém conhece o Sagrado Coração, o amor começa e com ele a sede de amor. Os que não conhecem Nosso Senhor senão com a sua razão têm ainda sede, como os que bebem água do poço de Samaria; mas os que o conhecem com o coração, já não têm sede de outra coisa. Unir-se a Jesus cada vez mais, é o seu único desejo: Unam petii a Domino, hanc requiram, ut inhanitem in domo Domini omnibus diebus vitae meae (Sl 26). Os seus corações são conquistados. Vão por si mesmos a esta fonte que deve saciar a sua sede para a eternidade. Vão directamente ao amor de Nosso Senhor, porque compreendem que a sua sede é de ser amado. O amor uma vez acendido aquece por graus, o coração torna-se uma fornalha ardente onde a graça penetra cada vez mais e traz consigo esta fonte de água viva que jorra até à vida eterna.
Se procuramos um objeto ao qual possamos dar todos os nossos afectos, vamos a Jesus, vamos beber na fonte do seu amor. Ele realizará todos os nossos desejos. É para o amar que o coração do homem foi feito. Indo a Nosso Senhor pelo afecto, atingimos o nosso fim mesmo desde esta vida. Todo outro afecto deixaria o nosso coração na inquietação e na perturbação.


Resoluções. – Estudarei Nosso Senhor no seu coração considerando os motivos de amor que inspiraram todos os seus actos. Farei hoje frequentes actos de amor e manifestarei o meu amor pela aceitação alegre de todos os pequenos sacrifícios que pedem a minha regra e o meu emprego. Peço-vos com simplicidade, ó meu bom Mestre, a graça de vos amar e de sentir vivamente a sede do vosso amor.

Colóquio com o Sagrado Coração.

13 de agosto - São João Berchmanns

20 Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 21 Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor (Mt 25, 20-21).

Primeiro Prelúdio. Quem melhor do que S. João Berchmanns foi fiel nas pequenas coisas? Deus fê-lo grande no céu.

Segundo Prelúdio. Santo bem-amado, pedi a Deus por nós esta fidelidade nas pequenas coisas, com o amor do Sagrado Coração que é o seu inspirador.


PRIMEIRO PONTO: A sua fidelidade. – S. João Berchmanns é um modelo para todos. É sobretudo um modelo para todos os jovens, como S. Luís Gonzaga e S. Estanislau. Não pisou como eles debaixo dos pés coroas principescas; o que o elevou à santidade foi que tudo cumpriu, mesmo as coisas mais comuns, de uma maneira não comum, por motivos sobrenaturais, no espírito de uma fé viva, por puro amor por Deus, na intenção mais pura, na presença de Deus e numa união estreita e não interrompida com Nosso Senhor. – Tornou-se nisto para nós num magnífico exemplo. A sua vida tão curta e no entanto tão rica em virtudes e em méritos subiu para o trono de Deus, como um agradável holocausto do cumprimento fiel do seu dever e do seu puro e generoso amor. – Ele é um modelo muito especial para os noviços, para os estudantes, e mesmo para os irmãos Conversos, nos seus exercícios de piedade, nos seus trabalhos e nas suas funções.
Que se lembrem todos como cumpria pontualmente, alegremente, com amor e zelo, as acções mais ordinárias e considerava-se feliz, vendo-se mesmo indigno de prestar durante toda a sua vida serviços aos padres da companhia de Jesus.


SEGUNDO PONTO: Uma feliz morte coroa uma vida santa. – S. Berchmanns morreu, é sabido, abraçando e apertando sobre o seu coração, as suas regras, o seu rosário e a sua cruz.
Felizes os que podem como ele morrer com um coração confiante e alegre, com as santas regras, pelas quais devem ser julgados, – como imitadores fiéis das virtudes de Maria, a santíssima e puríssima Mãe de Deus, à qual consagraram uma devoção filial, - como amigos da cruz, o instrumento da redenção.
Felizes aqueles que, como S. Berchmanns, encontraram durante a sua vida na oração a Maria, na cruz do seu Deus, do seu mestre e esposo, no cumprimento das suas santas regras e de todos os seus deveres, a sua alegria, as suas delícias, o seu apoio, o seu todo.
Felizes os que na pureza do corpo, da alma e do coração, na humildade e na desconfiança de si mesmos, no amor puro, sobrenatural, se esquecem a si mesmos e não procurando senão a glória de Deus e a salvação das almas, serviram o seu Deus, seguiram Jesus, o seu Senhor e Mestre, na via da cruz, dos sofrimentos e do sacrifício!
Semelhante morte é preciosa aos olhos de Deus. Escutam então da parte de Deus este convite: «Vinde, bom e fiel servidor, porque fostes fiel nas pequenas coisas, estabelecer-vos-ei sobre maiores; entrai na alegria do vosso Senhor».


TERCEIRO PONTO: As suas virtudes. – Foi a virtude da fidelidade, de amor da ordem, e da regularidade que levou S. João Berchmanns e inumeráveis santos a uma grande glória de felicidade no céu, sem que tivessem cumprido obras grandes e brilhantes diante do mundo. Porque é o coração com o seu amor, a vontade e a intenção, que têm valor aos olhos de Deus, e é dai que depende a recompensa e a punição.
A vida de S. Berchmanns é conforme à da sagrada Família de Nazaré. A santa Virgem não fez nenhuma acção brilhante. As suas ocupações eram as do governo da casa e da vida de família, mas cumpria todos estes actos em união com Deus, no espírito do puro amor e com uma perfeição irreprimível. S. José foi elevado a uma tão grande santidade cumprindo as acções mais simples com uma grande perfeição. Viveu exteriormente como simples artesão, mas o seu coração estava todo ardente de amor por Deus.
Nosso Senhor mesmo quis viver durante trinta anos uma vida toda comum e toda modesta, mas os seus actos mais simples eram animados pelo seu amor divino.


Resoluções. – Caro santo, amastes e imitastes a vida de Nazaré, ajudai-me a obter de Deus a mesma graça. É preciso que eu ame, como vós, a minha regra, o meu rosário e a minha cruz, se quero contentar o Coração de Jesus e morrer como vós na alegria e na paz da alma.

Colóquio com S. João Berchmanns.

11 de Agosto de 2009

12 de agosto (Dia de Padre Dehon) - Cura do surdo-mudo: da vigilância para evitar as recaídas

Hoje, a Congregação faz memória da morte de Padre Dehon. Leia sobre nosso fundador em www.dehonbrasil.com/padredehon

43 Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. 44 Por isso, diz: Voltarei para minha casa donde saí. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. 45 Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem torna-se pior do que o primeiro (Mt12, 43-45).

Primeiro Prelúdio. Nosso Senhor mostra-nos o estado deplorável de uma alma que recaiu depois da sua primeira conversão. É uma advertência.

Segundo Prelúdio. Senhor, tornai-me vigilante e assisti-me, com medo de recair.


PRIMEIRO PONTO: É preciso premunir-se contra as tentações ocasionais por falta de vigilância. – A calma na qual se encontra uma alma que escapou ao demónio pode fazer nascer uma segurança perigosa, se não estiver atenta a alimentar com cuidado as intenções sobrenaturais nas quais reside a força de resistência da alma. A tentação é às vezes uma prova querida ou permitida por Nosso Senhor para provar a virtude. Foi assim que Tobias foi tentado, porque era agradável a Deus. Mas o mais das vezes a origem mesma da tentação e os seus desenvolvimentos vêem de uma falta de vigilância. Esta tentação é a mais comum e a mais perigosa. Nosso Senhor mandou-nos rezar ao seu Pai para que nos preserve: Et ne nos inducas in tentationem.
Nosso Senhor advertiu-nos bem: «Vigiai e rezai para que não entreis em tentação». É preciso rezar sempre e nunca desfalecer, disse ainda, porque não sabeis a que hora virá o ladrão (Mt 24, 43). Estas são advertências solenes muitas vezes repetidas pela Sagrada Escritura.
Trata-se da salvação eterna. É para a alma uma questão de vida ou de morte, porque ninguém pode prever as terríveis consequências de uma queda grave e, por mais forte razão, de uma recaída.


SEGUNDO PONTO: Para uma alma consagrada a Deus, a vigilância consiste na exacta observância dos seus deveres de estado e da sua regra. – Seria tentar Deus contar com a super-abundância do seu socorro, quando nada fizemos para o merecermos /151 e sobretudo quando agimos de maneira a desagradar a Deus. A incúria, a preguiça espiritual não são coisas de natureza a atrair a graça. Aliás, a graça é um dom gratuito, Nosso Senhor concederá este dom aos que o profanam? Aquele que é negligente no cumprimento dos seus deveres de estado pode dizer que exerceu esta vigilância protectora que teria podido afastar a tentação ou chamar a graça divina? Rezou quando recitou negligentemente ou por rotina fórmulas de oração; quando deixou o seu espírito ocupar-se de coisas estranhas mesmo durante a santa missa; quando não prestou senão uma atenção distraída à meditação; quando cumpriu sem cuidado ou por motivos puramente humanos os deveres do seu estado? O cumprimento fiel dos próprios deveres em espírito de fé e de amor segundo as nossas regras tem a virtude de transformar as nossas acções em oração contínua e mesmo de fazer delas um acto contínuo de caridade.
É por esta fidelidade que cumprimos o preceito: «Vigiai e orai para que não entreis em tentação».
Quem é tíbio e negligente está grandemente exposto às tentações. Cada acto de negligência abre uma porta ao inimigo. S. Pedro descreve o furor deste inimigo comparando-o a um leão pronto a atirar-se à sua presa para a devorar. E o Evangelho que meditamos hoje diz-nos que o demónio vencido volta com outros sete piores do que ele. Estes avisos deviam bastar para nos acautelarmos contra a falta de vigilância.


TERCEIRO PONTO: Uma alma consagrada ao Sagrado Coração deve observar a vigilância por amor a Nosso Senhor. – Às considerações ditadas pelos interesses prementes da salvação, uma alma consagrada ao Sagrado Coração deve acrescentar um outro motivo. Se esta vigilância salutar é um preceito e o único preservativo contra a tentação, é também um meio de testemunhar o nosso amor a Nosso Senhor. A vigilância está atenta a nada omitir daquilo que é prescrito, a nada fazer daquilo que é proibido, a fazer o melhor possível tudo o que se faz. Torna-nos delicados nas pequenas coisas. Não há nada que agrade tanto ao Coração de Jesus como esta delicadeza nas mínimas coisas. Ofereçamos, portanto, a Nosso Senhor como um sinal de amor a resolução de estarmos vigilantes e o cuidado com o qual nos manteremos nesta resolução. Agindo assim, não somente nos anteciparemos às tentações, mas santificar-nos-emos e daremos ao Sagrado Coração uma grande consolação.
Nosso Senhor, tocado pelo nosso amor, proteger-nos-á com uma solicitude incessante.
Os seus anjos velarão por nós: Angelis suis mandavit de te ut custodiant te in omnibus viis tuis (Sl 90, 11).
Nosso Senhor abrigar-nos-á como debaixo de um escudo: Scuto circumdabit te veritas ejus (Sl 90, 5).
Cobrir-nos-á com as suas asas, como uma galinha cobre os seus pintainhos: Scapulis suis obumbrabit tibi et sub pennis ejus sperabis (Sl 90, 4).


Resoluções. – Ofereço a Nosso Senhor a resolução de observar uma estrita vigilância sobre mim mesmo durante este dia, por amor pelo Sagrado Coração, que é tão cheio de amor por mim. – Não perderei de vista Nosso Senhor: Oculi mei semper ad Dominum, e Ele me salvará de todos os embustes. Dignai-vos tomar cuidado de mim, Senhor, tende piedade de mim, sou como um órfão sem recursos (Sl 24). Recordar-me-ei durante o dia desta ameaça terrível: o estado daquele que recai é pior do que antes.

Colóquio com Nosso Senhor.

11 de agosto - O Coração de Jesus e os padres

15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. 16 Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça (Jo 15, 15-16).

Primeiro Prelúdio. O padre é o amigo pessoal e íntimo de Jesus Cristo. Como João Batista, é o amigo do Esposo das almas.

Segundo Prelúdio. Senhor, ajudai os vossos padres, derramai sobre os seus corações a graça e caridade que inundam o vosso.

PRIMEIRO PONTO: A vocação sacerdotal. – A vocação ao apostolado é um acto do beneplácito divino (Heb 5, 4). É o Pai quem separa do mundo aqueles que destina ao sacerdócio e que os dá ao Filho (Jo 17, 6).
Não é o padre que escolhe Jesus; mas é Jesus Cristo quem escolhe o padre e o coloca na sua Igreja, para que aí cresça em ciência, em santidade, em zelo, e que aí produza um fruto duradouro (Jo 15, 16).
Nosso Senhor reza longamente antes de chamar os seus apóstolos. – Rezemos a Deus como Ele, para que envie dignos operários para a sua vinha.
A vocação impõe sacrifícios. É preciso deixar tudo e tomar a sua cruz para seguir Jesus. Acontece mesmo que a vocação encontra na família oposições que é preciso vencer (Lc 14, 26).
Os apóstolos deixaram tudo imediatamente para seguirem Jesus. A sua generosidade é uma garantia de salvação e de glória (2Pd 1,10).
Deve fortalecer-se a própria vocação pela oração, pelo estudo da boa doutrina e pelas obras santas (2Tes 2).
Estejamos nas mãos de Deus para toda a boa obra segundo a sua vontade e o seu apelo.

SEGUNDO PONTO: Grandezas e virtudes do sacerdócio. – O padre é o embaixador oficial de Deus junto das almas (2Cor 13, 20); é a luz do mundo e o sal da terra.
É um outro Cristo, continua Cristo sobre a terra. Receber um padre, é receber Jesus Cristo mesmo e o seu Pai (Lc 10, 16).
Todos os dias opera o maior milagre do Salvador, no santo sacrifício da missa. Como Cristo, tem a chave das consciências e os seus juízos são ratificados no céu (Jo 20, 23).
O padre é o homem de Deus e das almas; a sua função própria é oferecer a Deus sacrifícios e orações por si e pelos irmãos. Mesmo se separado do mundo, é preciso que viva no mundo, mas sem tomar o seu espírito (Heb 5; Jo 17).
A ciência é-lhe absolutamente necessária, senão é um cego conduzindo outros cegos (Lc 6, 39).
De espalhar pelas suas virtudes o bom odor de Jesus Cristo (2Cor 2).
«Tomemos cuidado, diz S. Paulo aos presbíteros de Corinto, em não darmos a ninguém ocasião de escândalo, para que o nosso ministério não seja censurado. Mas mostremo-nos em todas as coisas tais como devem ser os ministros de Deus, com uma grande paciência nas tribulações, nas perseguições, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns; pela pureza, pela ciência, por uma doçura perseverante; pelos frutos do Espírito Santo, por uma caridade sincera; pela palavra da verdade, pela força de Deus, pelas armas da justiça; na honra ou na humilhação; sempre alegres, mesmo na provação e na pobreza…» (2Cor 6).
Tal é o carácter do verdadeiro apóstolo, sempre zeloso, ardente e paciente.
É preciso que o padre seja bom, que se compadeça em todos os infortúnios, que tenha piedade das vítimas da ignorância e do erro (Heb 5).
O seu desinteresse constitui a sua glória (Mt 18, 20).
Deve velar como um pastor sobre o seu rebanho e dar às suas ovelhas os seus cuidados e a sua dedicação (Mt 13, 25).

TERCEIRO PONTO: Labores, provas e recompensas. – O padre é um trabalhador e um semeador, tem uma tarefa rude (Jo 4, 35).
É um soldado infatigável de Cristo, um lutador intrépido (2Tim 2). Deve estar disposto a tudo sofrer por amor dos eleitos e pela glória de Deus.
É a cruz que fecunda o ministério do padre, por isso deve estar constantemente unido a Cristo sobre a cruz (Jo 12, 26). Discípulo e continuador de Cristo, o padre não pode ser tratado de outro modo senão como o seu Mestre (Mt 10, 24).
A perseguição inerente ao ministério sacerdotal não faz senão reavivar a graça e o zelo no padre e aproveita grandemente às almas (2Cor 4, 8).
O padre tem o direito à confiança e ao afecto filial dos fiéis. Mas pelo seu lado terá uma conta rigorosa a prestar da sua administração (Heb 13, 17).
Uma magnífica recompensa está reservada ao padre, administrador fiel da sua família paroquial; um castigo rigoroso espera o administrador infiel.
«Estai preparados, tinha dito Nosso Senhor, e tende as vossas lâmpadas acesas, a lâmpada das boas obras. – É para nós ou para todos que dizeis isto?» diz-lhe S. Pedro. – Qual é então, responde-lhe Nosso Senhor, o administrador fiel e prudente que o Senhor colocou à frente da sua casa para dar a cada um na hora conveniente a sua medida de trigo? (Não é o padre?). Se o Senhor, à sua chegada, encontra este servo fiel, cumulá-lo-á de bens» (Lc 12, 41).


Resoluções. – Tenhamos, portanto, uma elevada ideia do sacerdócio, que é o dom mais maravilhoso do Coração de Jesus. Agradeçamos a Nosso Senhor por ter dado à sua Igreja o sacerdócio novo que ultrapassa em dignidade e em fecundidade o sacerdócio levítico tanto quanto o sacrifício eucarístico ultrapassa os holocaustos da antiga lei. – Peçamos ao Senhor da messe que dê à sua Igreja muitos santos sacerdotes.

Colóquio com Jesus, Pontífice supremo.

10 de Agosto de 2009

10 de agosto - São Lourenço

8 Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, 9 como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre (2Cor 9,8-9).

Primeiro Prelúdio. A Igreja faz-nos ler hoje estas palavras em que S. Paulo glorifica o justo que dá os seus tesouros aos pobres. A caridade de S. Lourenço é, como o seu martírio, um dos seus títulos de glória.

Segundo Prelúdio. Ilustre mártir, obtende-me um amor por Jesus e pelo próximo ardente como a chama que consumiu as vossas carnes.


PRIMEIRO PONTO: O desejo do sacrifício. – O ilustre diácono S. Lourenço era verdadeiramente um santo do Sagrado Coração, estava tão cheio de amor por Nosso Senhor! Era espanhol. O papa Sixto II tinha-o conhecido em Espanha onde tinha sido governador, e tinha-o conduzido a Roma onde foi o seu arquidiácono e o seu esmoler.
Preso no momento em que celebrava os santos mistérios, o pontífice vê-se condenado à morte. Já caminhava para o suplício e o seu diácono seguia-o chorando. O coração de Lourenço batia em uníssono com o Coração de Jesus. Como ele desejava oferecer-se em sacrifício pelas almas. «O pai, dizia a S. Sixto, para onde ides sem o vosso filho? Ó santo pontífice, para onde ides sem o vosso diácono? Nunca oferecíeis o sacrifício sem que eu vos servisse no altar…» O pontífice enternecido respondeu-lhe: «Não vos abandono. Um maior combate vos está reservado. Seguir-me-eis dentro de três dias».
Jesus não tinha dito: «Tenho sede de ser baptizado com um baptismo de sangue, e o meu Coração está totalmente oprimido por este desejo, que queria ver realizar-se sem tardar».


SEGUNDO PONTO: Aliviar os membros sofredores de Jesus Cristo. – S. Sixto, antes de morrer tinha recomendado ao seu diácono de distribuir os bens da Igreja aos pobres. O diácono percorreu imediatamente toda a cidade de Roma para procurar os cristãos pobres nos seus redutos, consolá-los e encorajá-los. Lavava-lhes os pés, dava-lhes o beijo da paz, fazia esmolas a cada um e curava os doentes.
Mas ao falar dos tesouros a distribuir aos pobres, o pontífice mártir tinha chamado a atenção dos perseguidores. O imperador Valeriano, imaginando que os cristãos tinham grandes riquezas em reserva, resolveu apoderar-se delas. Mandou vir S. Lourenço e perguntou-lhe onde estavam os tesouros de que tinha a guarda. O santo diácono respondeu-lhe sem se perturbar: «Dai-me um pouco de tempo para tudo dispor e vo-los farei chegar». O imperador concedeu-lhe três dias e colocou-o sob a vigilância de um cavaleiro chamado Hipólito. S. Lourenço falou ao cavaleiro dos tesouros espirituais e da glória do céu, e converteu-o. Hipólito recebeu o baptismo com a família e deu mais tarde a sua vida por Jesus Cristo. Lourenço percorreu toda a cidade para procurar os pobres e os enfermos que a Igreja assistia com as sus esmolas. Depois de ter reunido um grande número, veio apresentá-los ao imperador. «Príncipe, diz-lhe, aqui estão os tesouros da Igreja que prometi mostrar-vos». A riqueza da Igreja é sobretudo espiritual, as suas obras são os pobres que ela socorreu».
Lourenço disse ainda: «Acrescento-lhe as pérolas e as pedras preciosas; são estas virgens e estas viúvas consagradas a Deus; a Igreja não tem outras riquezas». O espírito da Igreja foi sempre partilhar os seus recursos em três partes: uma para o culto de Deus, uma para os pobres, uma para a modesta sustentação do clero. Imitemos a caridade de S. Lourenço por aqueles que são pobres ou que sofrem, são os membros sofredores de Jesus Cristo.


TERCEIRO PONTO: Sofrer por Jesus Cristo. – O imperador furioso mandou despojar o santo dos seus vestidos e ordenou que lhe dilacerassem o corpo com açoites e unhas de ferro. O mártir rezava, com o sorriso sobre os lábios. Um anjo veio enxugar o suor da sua fronte e o sangue das suas chagas.
À noite, o imperador mandou estendê-lo sobre uma grelha de ferro sob a qual acenderam um fogo de carvões para o queimarem lentamente. Estes tiranos eram mais cruéis do que tigres.
O mártir virando-se para o tirano disse-lhe: «Estes fogos não são para mim senão refrigerantes, mas não será o mesmo daqueles que te atormentarão no inferno». Ao carrasco, dizia heroicamente: «Não vês que a minha carne está bastante grelhada deste lado, volta-me do outro».
O santo, tendo rezado pela conversão de Roma e agradecido a Deus pela graça do martírio, expirou serenamente.
Que lição sublime! O segredo desta coragem, é o amor do Salvador. S. Lourenço desejava dar a Jesus amor por amor e sacrifício por sacrifício. Era feliz por se imolar pela conversão dos pagãos. Tinha pressa em ir para o céu encontrar o Salvador bem-amado.
Deus não nos pedirá um semelhante martírio, mas o Sagrado Coração de Jesus espera de nós uma grande generosidade nos sacrifícios quotidianos.


Resoluções. – Quero redobrar de caridade por todos os que sofrem e que estão em dificuldade. Ofereço-me de novo ao Coração de Jesus para me sacrificar ao seu amor na regularidade, na paciência, na doçura, no recolhimento e nos sacrifícios quotidianos que lhe aprouver mandar-me.

Colóquio com S. Lourenço.

9 de Agosto de 2009

09 de agosto - O Coração de Jesus e a juventude

16 E eis que alguém, aproximando-se, lhe perguntou: Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna? 17 Respondeu-lhe Jesus: Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos. 18 E ele lhe perguntou: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho; 19 honra a teu pai e a tua mãe e amarás o teu próximo como a ti mesmo. 20 Replicou-lhe o jovem: Tudo isso tenho observado; que me falta ainda? 21 Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me (Mt 19, 16-21).

Primeiro Prelúdio. Nada amável como a juventude, quando está adornada de candura e de modéstia. Mesmo Nosso Senhor não resiste à sua atração.

Segundo Prelúdio. Mas quantos perigos ameaçam a sua inexperiência! Rezemos por ela, ajudemo-la.


PRIMEIRO PONTO: Graças de ressurreição. – A juventude com a sua franqueza, os seus ardores e a sua generosidade, com as esperanças que faz conceber, não é menos cara ao Coração do bom Mestre do que a infância. As graças de ressurreição que concede na sua vida mortal são para a juventude: Lázaro é ainda um jovem; a filha de Jairo é uma criança de doze anos; o terceiro é um adolescente, o filho único da pobre viúva de Naim.
Como Jesus se mostra solícito e dedicado em todas estas circunstâncias! A sua emoção trai o seu coração.
«Mestre, dizem as irmãs de Lázaro, aquele que amais está doente. – O nosso amigo Lázaro dorme, diz Jesus. Desde que Jesus vê Madalena e os amigos de Lázaro a chorar, estremece, perturba-se: «Onde o colocaram?», diz, e chora; e os Judeus diziam: «Vede como o amava». – E chegado junto do túmulo, Jesus chamou o seu amigo Lázaro com grandes gritos e Lázaro levantou-se (Jo 11).
Jesus dirige-se a casa de Jairo junto do cadáver de uma menina de doze anos. Toma-a pela mão gritando-lhe: «Menina, levanta-te, sou eu que o quero». E ordena que lhe dêem de comer (Mt 9, 18).
Para o filho da viúva de Naim, Jesus emociona-se de compaixão. Diz à mãe: «Não chore». Toca no caixão, diz em alta voz: «Jovem, eu te ordeno, levanta-te». Depois, entrega-o à sua mãe (Lc 7, 11).
Jesus ama os jovens, e quer ganhar o seu coração para o dar a seu Pai.


SEGUNDO PONTO: Curas e vocações. – Há cena mais comovente do que a cura da filha da Cananeia? É uma mulher pagã que tem confiança em Jesus e que lhe vem implorar pela sua filha possuída do demónio. Nosso Senhor obriga-a a esperar, experimenta a sua fé, depois deixa-se tocar: «Ó mulher, diz, a tua fé é grande, vai, a tua filha está curada».
E aquele pobre jovem, filho único de um pai desolado. O demónio possui-o e fá-lo sofrer terríveis tormentos. Como o bom Mestre se interessa, e com que autoridade proíbe o demónio de o atormentar para o futuro! «Mestre, diz o pai ajoelhado, suplico-vos, lançai os olhos sobre o meu filho, o meu filho único e tende piedade dele». - «Se podes acreditar», diz Jesus. Este pobre pai desfazia-se em lágrimas: «Creio, Senhor, dizia, mas aumentai a minha fé!» E, Jesus, com um tom de ameaça, gritou: «Demónio surdo e mudo, sai desta criança, ordeno-te, e nunca mais voltes».
A cena da vocação do jovem é também muito tocante. Este jovem é bom, deseja a perfeição. Corre para diante de Jesus, ajoelha-se no caminho sem respeito humano, está tomado de uma terna afeição por Jesus: «Bom Mestre, diz-lhe. «Só Deus é bom», diz-lhe. Depois detém o seu olhar sobre ele, ama-o, queria dar-lhe a graça do apostolado. Convida-o à perfeição e ao desapego das riquezas, o jovem rico hesita e recua, como Jesus deve ter sofrido!


TERCEIRO PONTO: Meios de salvação para os jovens. – É a Eucaristia, primeiro e a união com Jesus. O Salvador que ama S. João, seu jovem discípulo, e que quer guardá-lo puro e santo, dá um cuidado particular à sua primeira comunhão, recebe-o sobre o seu Coração.
Nosso Senhor indica também assim que a devoção ao Sagrado Coração é para os jovens uma salvaguarda especial. A sua idade especial tem necessidade de afeição, o apego ao Coração de Jesus é a fonte da pureza.
Um outro meio é a direcção sacerdotal. Nosso Senhor recomenda-a a S. Paulo: Vade ad Ananiam. Fá-la recomendar aos jovens por S. Pedro: «Jovens, diz S. Pedro, submeteu-vos aos presbíteros e praticai a humildade: Adolescentes subditi estote senioribus». Os jovens devem pedir aos padres a direcção da sua vida (1Pd 5, 5).
S. João aconselha aos adolescentes e aos jovens que se agarrem à palavra de Deus, ela será a sua força na resistência aos assaltos do inferno. A sua idade está ao alcance das seduções do mundo e das tentações da cobiça de Satanás (1Jo 2, 13).
Como é que se alimentarão da palavra de Deus? Gostando de escutá-la quando ela é anunciada pelo padre, entregando-se com piedade à meditação quotidiana e às santas leituras marcadas pelo seu regulamento de vida.


Resoluções. – Convosco, ó meu Salvador, terei interesse pelos jovens, rezarei por eles. Se tiver alguma autoridade sobre eles, dirigi-los-ei nos vossos caminhos. Se eu próprio sou jovem, agarrar-me-ei aos meios de santificação que a Sagrada Escritura indica aos jovens: a comunhão fervorosa, a direção espiritual, a meditação e as piedosas leituras.

Colóquio com Nosso Senhor amigo dos jovens.

8 de Agosto de 2009

08 de agosto - O Coração de Jesus perante os doentes e os que sofrem

17 E, descendo com eles, parou numa planura onde se encontravam muitos discípulos seus e grande multidão do povo, de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon, 18 que vieram para o ouvirem e serem curados de suas enfermidades; também os atormentados por espíritos imundos eram curados. 19 E todos da multidão procuravam tocá-lo, porque dele saía poder; e curava todos (Lc 6, 17-19).


Primeiro Prelúdio. A compaixão preveniente e delicada de Jesus pelos doentes é inexprimível. Cura em massa todas as enfermidades que lhe são apresentadas.
Segundo Prelúdio. Senhor, o vosso coração é infinitamente misericordioso, tende piedade de todas as minhas enfermidades físicas e morais.


PRIMEIRO PONTO: Jesus veio à terra para curar e consolar os que sofrem. – O velho Simeão saudou-o no templo como a consolação de Israel.
Nosso Senhor aplica a si mesmo, no seu discurso de Nazaré, esta passagem do profeta Isaías: «O Espírito do Senhor está sobre mim, por isso me marcou com a sua unção; enviou-me a evangelizar os pobres, a curar os que têm o coração partido, anunciar a libertação aos cativos, dar a vista aos cegos, libertar os oprimidos, e publicar o ano da misericórdia do Salvador e o dia da retribuição». - «E hoje, diz o Salvador, fechando o volume, realiza-se a passagem do Evangelho que acabais de escutar» (Lc 4, 16).
Que vinha fazer ao mundo, senão trazer-lhe uma consolação maior ainda que a sua infelicidade? Consolar os que sofrem, era o fim da sua vida. Era por isso que multiplicava os seus encorajamentos, os seus milagres, os seus benefícios. Foi pela nossa consolação que sofreu, que morreu e que instituiu a sua Igreja com os seus sacramentos.


SEGUNDO PONTO: O Coração de Jesus e os doentes. – Não é um doente de longe em longe que Nosso Senhor cura, opera curas em massa e em grande número.
Em Cafarnaum, impõe as mãos a todos os doentes que lhe apresentam e todos são curados (Lc 4, 40). /139
Algum tempo depois teve lugar esta cena tão comovente: uma multidão considerável seguiu-o ao longo do lago. A sua habitação é assaltada por esta multidão que lhe apresenta um grande número de doentes. Uma virtude miraculosa saía dele para os curar. Chegam a descobrir o tecto da casa, para chegarem a apresentar ao Salvador um paralítico estendido sobre um catre. O Salvador, tocado pela sua fé cura ainda este doente depois de todos os outros (Lc 3).
Na primeira Páscoa, opera tantos milagres que um grande número de Judeus é conquistado para a fé (Jo 2, 23).
Na sua primeira missão na Galileia, Nosso Senhor cura toda a fraqueza e toda a enfermidade (Mt 4).
Sobre o Monte das Bem-aventuranças, multidões de infortunados doentes, vindos da Judeia e mesmo de Tiro e de Sídon, são curados apenas pelo toque do seu manto.
Antes da primeira e da segunda multiplicação dos pães, Jesus cura primeiro as multidões dos doentes e de enfermos que se comprimem à sua volta.
Desde o início das missões de Pereia, Nosso Senhor renova os milagres das missões de Galileia, e em cada etapa são curas tão extraordinárias como numerosas (Mt 19).
«Por toda a parte aonde Jesus chegasse, diz-nos S. Marcos, nas aldeias e nas cidades colocavam os doentes no meio das praças públicas, pedindo-lhe que lhes permitisse tocarem ao menos na borda do seu manto. E todos os que lhe tocavam eram curados» (Mt 6).
Os apóstolos, enviados pelo Mestre, operam em todos os lugares em seu nome os mesmos prodígios (Mt 11).
Mesmo no dia dos Ramos, vemo-lo curar ainda, nos átrios do Templo, os cegos e os coxos que lhe imploram (Mt 21).


TERCEIRO PONTO: O Coração de Jesus e os aflitos. – Não é somente pelos doentes que o Coração de Jesus é compassivo, é por todos os que sofrem e que se encontram em dificuldade.
Como é bom para com as almas provadas pela perda daqueles que lhe são caros, com Jairo, cujo filho bem-amado acaba de morrer; com a pobre viúva de Naim que leva o seu filho único à sepultura, com Marta e Madalena que choram o seu irmão. Está emocionado até ao fundo da sua alma, chora. As suas lágrimas comovem os próprios judeus. Apela ao poder divino para ressuscitas os mortos.
A sua compaixão sobre Jerusalém é imensa, chora sobre as tribulações /140 futuras desta cidade ingrata e culpável.
Num movimento de compaixão sem medida, abre os seus braços a todos os infortúnios: «Vinde a mim, diz, vós todos que sofreis e que sois esmagados sob o peso do trabalho e da dor; vinde e vos aliviarei».
No caminho do calvário, esquece os seus próprios sofrimentos para se compadecer das filhas de Jerusalém e convidá-las a chorar pelos castigos que cairão em breve sobre a sua pátria.


Resoluções. – Senhor, aquele que amais está doente. Sim, tenho confiança de que amais o meu pobre coração, apesar das suas fraquezas e das suas faltas. Vós mo provastes de mil maneiras. Mas este pobre coração está doente. Sou pobre, Senhor, miserável, desnudado de tudo, cego e esfomeado de fervor. O vosso coração é tão misericordioso! Curai-me, tende piedade de mim.
Colóquio com Jesus, curando os doentes.

7 de Agosto de 2009

07 de agosto - O Coração de Jesus e os que estão desprovidos de bens da terra

19 Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. 20 Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Mt 8, 19-20).

Primeiro Prelúdio. Jesus escolheu uma vida pobre para consolar os pobres e para lhes obter as bênçãos divinas.

Segundo Prelúdio. Senhor, inspirai-me o desapego dos bens terrenos e a dedicação aos pobres.


PRIMEIRO PONTO: O exemplo de Jesus. – Ele escolheu a pobreza como sua parte: «Jesus, rico de todos os bens do céu e da terra, fez-se pobre, diz-nos S. Paulo, para nos enriquecer com a sua pobreza» (2Cor 8, 9). Repara a nossa sensualidade.
Desde o seu nascimento e toda a sua vida, Jesus quis conhecer o desnudamento. Ele, Filho de Deus e Filho de David, é repelido por todos em Belém, e nasce num estábulo como o mais pobre dos pobres.
Durante o exílio no Egipto, ninguém saberia dizer a penúria da Sagrada Família. Viveram sem dúvida de esmolas, e o Filho de Deus ensaiou sem dúvida os seus primeiros passos estendendo a mão à caridade pública.
Em Nazaré, o criador do mundo afadiga-se no trabalho para ganhar o pão quotidiano. Os Nazarenos, espantados com a sua sabedoria, exclamam: «Não é este um carpinteiro e o filho de um carpinteiro?».
Na sua vida apostólica, percorre vastas províncias a pé, vive de pão de cevada e de peixes secos; para se alimentar a si e aos seus e para ajudar aos pobres nada mais tem do que as esmolas de algumas piedosas mulheres.
Assim como viveu no desnudamento, morre despojado de tudo sobre a cruz, e o seu corpo vai repousar num sepulcro emprestado.


SEGUNDO PONTO: As suas preferências. – O Coração de Jesus dá as suas preferências aos pobres porque praticam mais facilmente a humildade e o desapego.
Os primeiros adoradores de Jesus são pobres pastores.
A maior parte dos seus apóstolos são pobres pescadores, não tendo outra fortuna senão os seus barcos e as suas redes. Vive com eles durante três anos, apesar da rudeza dos seus costumes.
A primeira das bem-aventuranças é em favor dos pobres, e promete-lhes a realeza do céu.
As multidões que o seguem e o envolvem, que o aclamam e se juntam a ele, são sobretudo pessoas simples e pobres. Não trazem ao segui-lo nem provisões nem dinheiro. Duas vezes multiplica miraculosamente os pães e os peixes para que estes caros pobres não desfaleçam no caminho.
É glória para ele evangelizar os pobres; apela à profecia de Isaías, o qual marcou a evangelização dos pobres como uma das provas da missão do Messias.
É tão pobre, ele e os seus, que lhe é necessário fazer um milagre para pagar o tributo do Templo (Mt 17).
Quer que os seus apóstolos cumpram as suas missões como serviço e no desnudamento da pobreza: «não tenhais ouro, nem prata, nem bolsa na vossa cintura, nem sacos de viagem, nem muda de vestidos. Dar-vos-ão o pão da esmola» (Mt 10, 9).
Preferi, dizia-lhes, a sociedade dos pobres, assim não tereis de responder a convites faustosos, que vos deixariam sem méritos (Lc 14, 12).
Aflige-se por tantas almas abandonadas pelo egoísmo farisaico, e que jazem como rebanhos sem pastores (Mt 9).
Bom para com todos, guarda as suas preferências pelos pequenos e pelos humildes.


TERCEIRO PONTO: A caridade. – Com que insistência Nosso Senhor volta a cada instante ao dever da esmola aos seus caros pobres! «Dai aos pobres, diz, e a vossa alma será purificada das suas faltas» (Lc 11, 41). Mesmo os duros e orgulhosos fariseus serão perdoados, se consentirem em dar o seu supérfluo aos pobres.
Assemelha-se aos mais desprezados de todos, e considera-se obrigado por todo o bem que lhes será feito (Mt 10, 42). Os seus pobres são outros que ele mesmo. É segundo a nossa caridade ou dureza a seu respeito, que será pronunciado no último juízo se somos dignos da bênção ou da maldição eterna (Mt 21, 31).
São os pobres que convida para o festim do reino dos céus (Lc 14, 21). Toda a sua simpatia vai para o pobre Lázaro, abandonado pelo mau rico, e atribui-lhe uma compensação eterna no céu (Lc 16, 19). /137
O único estremecimento de alegria que manifesta na sua vida, vem do facto de que o Pai se digna revelar aos simples e aos pequenos, os mistérios que esconde aos sábios e aos prudentes; e exprime então nitidamente a sua preferência: «O meu Pai colocou tudo nas minhas mãos, diz, chamo quem eu quero ao seu conhecimento, vinde portanto a mim vós que penais e sofreis e vos consolarei» (Mt 11, 25).
O Coração de Jesus tem preferidos, amigos que escolheu e que se prendem a ele na vida religiosa, mas é sob a condição de que abracem a pobreza como ele e se façam os amigos dos pobres.


Resoluções. – Bom Mestre, fazei reinar no meu coração o desapego, como reinava no vosso. Que sacrifícios vou fazer hoje para vos imitar mais? Dai-me também o espírito de compaixão pelos pequenos, pelos humildes, pelos que sofrem. Perdoai-me todas as concessões que fiz demasiadas vezes ao espírito de cobiça e de sensualidade.

Colóquio com Jesus pobre e mortificado.

6 de Agosto de 2009

06 de agosto - Transfiguração de Jesus

Tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. 29 E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. 30 Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, 31 os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. 32 Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam. 33 Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias, não sabendo, porém, o que dizia. 34 Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. 35 E dela veio uma voz, dizendo: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi (Lc 9, 28-35).


Primeiro Prelúdio. Jesus revela-nos a sua divindade e Deus coloca-nos sob a sua condução.

Segundo Prelúdio. Senhor, ensinai-me a rezar, a conhecer-vos, a amar-vos e a seguir-vos.


PRIMEIRO PONTO: Aprendamos a rezar. – Jesus manda muitas vezes os seus discípulos rezar. Hoje, toma à parte os seus preferidos, Pedro, Tiago e João, para os fazer rezar mais longa e intimamente. Estes três representam particularmente os pontífices, os religiosos, as almas chamadas à perfeição.
Para rezar Jesus gosta da solidão, a montanha onde reina a paz, a calma, onde pode ver-se a grandeza da obra divina sob o céu estrelado durante as belas noites do Oriente.
A transfiguração é uma visão do céu. É uma graça extraordinária para os três apóstolos. Não nos devemos agarrar às graças extraordinárias que são por vezes o fruto da contemplação. Pedro agarra-se a isso. Engana-se. Queria ficar lá: «Façamos três tendas», diz. Não sabia o que dizia. A visão desaparece numa nuvem.
Há aqui uma lição para nós. Entreguemo-nos à oração habitual, à contemplação. Não desejemos as graças extraordinárias. Se vierem, não nos agarremos a elas.


SEGUNDO PONTO: Os frutos da festa. – É primeiro o crescimento da fé. Os apóstolos testemunham-nos que viram a glória do Salvador. «Não são fábulas que vos contamos, diz S. Pedro (2Pd 1, 16), fomos testemunhas do poder e da glória do Redentor. Ouvimos a voz do céu sobre a montanha gritando-nos no meio dos esplendores da transfiguração: É o meu Filho bem-amado, escutai-o».
S. Paulo encoraja a nossa esperança recordando a lembrança da glória do salvador manifestada na transfiguração e na ascensão: «Veremos a glória face a face, diz, e seremos transfigurados à sua semelhança» (2Cor 3, 18). – Esperamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo terrestre e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso» (Fil 3, 21).
Mas este mistério é sobretudo próprio para aumentar o nosso amor por Jesus. Nosso Senhor manifestou-nos naquele dia toda a sua beleza. O seu rosto era resplandecente como o sol. Os apóstolos, testemunhas da transfiguração, estavam totalmente inebriados de amor e de alegria. «Que bom é estar aqui», dizia S. Pedro: Bonum est nos hic esse! «Façamos aqui a nossa tenda». A beleza de Cristo transfigurado, contemplada pelo pintor Rafael, inspirou-lhe a obra-prima da arte cristã.
Nosso Senhor falava então da sua Paixão com Moisés e Elias: nova lição de amor por nós. O Coração de Jesus, mesmo na sua glória, não pensa senão em nós e nos sacrifícios que quer fazer por nós.
Lições também de penitência, de reparação, de compaixão pelo Salvador.
Porque teve de sofrer tanto para nos resgatar, choremos os nossos pecados, amemos o nosso Redentor, consolemo-lo.


TERCEIRO PONTO: Escutai-o. – A voz do Pai celeste diz-nos: Escutai-o, ispum audite, palavra cheia de sentido, como todas as palavras divinas. Deus dá-nos lá o seu divino Filho por guia, por chefe, por mestre.
Escutai-o, fala-nos nas leis santas do Evangelho e nos conselhos de perfeição.
Fala-vos nas vossas santas regras, se sois religiosos; no vosso regulamento de vida, se sois do mundo.
Fala-vos pelos vossos superiores, pelo vosso director. Têm a missão para vos dizer a vontade divina.
Fala-vos pela sua graça, na oração, na união habitual com ele. A palavra de Deus nunca vos falta, é a vossa docilidade que falta habitualmente.
Esta palavra divina «Escutai-o» espera de vós uma resposta. Não basta apenas uma promessa vaga: «hei-de escutar». É preciso uma disposição habitual: «escuto, escuto sempre; falai, Senhor, o vosso servo escuta». Escutarei no começo de cada acção, para saber o que devo fazer e como devo fazê-lo.

Resoluções. – Sim, Senhor, conduzi-me pela vossa palavra sempre presente, pelas minhas regras, pelos meus superiores, pela vossa graça, pelas vossas luzes. Falai, Senhor… Loquere, cor Jesu, quia audit servus tuus. Que pede de mim, neste momento, o Coração de Jesus? Que devo fazer, neste momento, para o amar, o consolar e o compensar?

Colóquio com Jesus transfigurado.

5 de Agosto de 2009

05 de agosto - Basílica de Santa Maria Maior

10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. 11 Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas (Mt 2, 10).


Primeiro Prelúdio. Como os Magos, o nobre patrício João e sua esposa, advertidos por Deus, honraram Jesus e Maria.

Segundo Prelúdio. Ó Jesus, por Maria, nesta festa, dai-me o favor de renovar em mim as graças de Natal.


PRIMEIRO PONTO: Esta festa é como o Natal de Verão. – A Providência reproduziu, em Roma, de algum modo os lugares santos da Palestina. A basílica de Santa Maria Maior é como Belém. Possui o presépio.
A basílica de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, é como o Calvário. Está construída sobre uma camada de terra que Santa Helena mandou vir do Calvário; possui as mais belas relíquias da Paixão: a Verdadeira cruz, o título da cruz, a cruz do bom Ladrão, etc..
A basílica de S. João de Latrão, em Roma, é o Cenáculo. Possui a mesa da Ceia, aí são feitas as ordenações.
A festa de Santa Maria Maior recorda o Natal e Belém. Tudo faz pensar nisso: a neve que marcou o lugar da Igreja, segundo a tradição; o presépio que está lá; as relíquias dos santos Inocentes; o corpo de S. Jerónimo, o santo de Belém e o custódio da gruta.
Durante os séculos de liberdade, os Papas iam oficiar a Santa Maria Maior no Natal.
Esta basílica possui a imagem mais venerável de Maria. É atribuída a S. Lucas. É seguramente dos primeiros séculos. É o tipo das Virgens mães. A santíssima Virgem está sentada como uma rainha, apresenta às nossas homenagens o seu divino Filho, que é nosso Rei, como em Belém apresentava o seu Filho às adorações dos pastores e dos Magos.
A Providência dá-nos neste dia como um Natal de Verão, saibamos aproveitá-lo.

SEGUNDO PONTO: Os frutos da festa. – Meditemos na festa do Natal e renovemos em nós os frutos do nascimento do Salvador. Façamos como se estivéssemos em Roma ou em Belém, adoremos Jesus menino no seu presépio ou sobre os braços de Maria.
O principal fruto da festa é o amor por Jesus, que se fez homem por nosso amor, é o amor pelo Coração de Jesus que começa a bater por nós em Belém.
Vamos ter com Jesus e com Maria hoje com a simplicidade dos pastores e com a generosidade dos Magos. Ofereçamos os nossos presentes: o ouro, o incenso e a mirra das nossas resoluções e dos nossos votos. Renovemos os votos que fizemos a Nosso Senhor.
O mistério de Belém ensina a humildade, o ódio do pecado, o desapego. Nosso Senhor aniquilou-se, humilhou-se até se tornar criança na noite fria e no pobre estábulo de Belém. Ensina-nos o desapego das criaturas como o remédio para todas as nossas concupiscências.
Os anjos cantavam a glória do divino Menino, os pastores corriam com simplicidade e com alegria para junto dele, os Magos vinham de bem longe trazer os seus tesouros. Que lições para meditar! Que exemplos para seguir!
O mistério do Natal foi caro a todos os santos. Vários, como S. Jerónimo e Sta. Paula, fixaram-se em Belém. Já não eram capazes de se afastarem (arracher) deste santuário onde tudo prega o amor do divino Menino e a confiança nele.


TERCEIRO PONTO: Vamos a Jesus por Maria. – Não é sem motivo que os Evangelhos nos mostram os pastores e os Magos encontrando o menino Jesus com sua Mãe. Vamos a Jesus por Maria. Ele está sempre com ela porque é o seu filho. Mesmo no Calvário, é colocado nas mãos de Maria. Mas é sobretudo em Belém que é preciso dirigir-se a Maria para encontrar Jesus. Ninguém vai ter com uma criança sem a concordância de sua mãe. Vamos ter com Maria, e é ela que nos vai introduzir junto de Jesus. Ela levantará o véu que cobre o menino, apresentá-lo-á sobre os seus joelhos.
S. Caetano de Thienne passava muitas vezes as noites junto do presépio, em Sta. Maria Maior, sobretudo no tempo do Natal. Não podia deixar de meditar no delicioso mistério de Belém. Um dia a santa Virgem apareceu-lhe e entregou-lhe o menino Jesus que pôde conservar alguns momentos nos seus braços.
Vamos ter com Maria e peçamos-lhe que coloque nos nossos corações o amor do divino Menino e as graças do mistério do Natal.


Resoluções. – Tenho o costume de me recordar todas as manhãs dos mistérios de Belém e de Nazaré. Para o fazer, irei sempre primeiro ter com Maria e pedir-lhe-ei para me fazer conhecer e amar Jesus menino. Irei ao Coração de Jesus com Maria e por Maria, nada me poderá recusar.

Colóquio com Maria e Jesus menino.

4 de Agosto de 2009

04 de agosto - O Santo Cura D´Ars e o Sagrado Coração

Passou Jesus a dizer ao povo a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8 Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais. 9 Mas para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta (Mt 11, 7-9).

Primeiro Prelúdio. Podia dizer-se isto às multidões que iam visitar João Batista Vianney: na aparência, era uma cana agitada pelo vento; na realidade, era um homem de Deus e um profeta.

Segundo Prelúdio. Grande santo, de alma toda seráfica, ensinai-me a amar o Sagrado Coração.


PRIMEIRO PONTO: O seu fervor. – A vida exterior do cura de Ars era tão extraordinária que alguns se fixavam nela de um modo exclusivo. Ele praticava na verdade mortificações incomparáveis. Parecia não ter corpo. Não comia quase nada e concedia a si mesmo bem pouco tempo de sono. Consolou e ergueu muitas almas. Lia nas consciências. Repeliu muitos assaltos do demónio. Socorria todos os infelizes. A sua vida apostólica era maravilhosa, mas como a sua vida interior é ainda mais admirável! Que alma de serafim! Quando ele nos descreve os frutos da Eucaristia, o que nos traça é o quadro das suas virtudes.
«Quando uma alma, dizia, recebeu dignamente o sacramento da Eucaristia, fica toda perdida no amor, mergulha amorosamente no sangue de Jesus Cristo como a abelha no cálice de uma bela flor… Torna-se humilde, doce, mortificada, caridosa, modesta e amável para com todos. É capaz de todos os sacrifícios… É que pela comunhão, Jesus modificou-a e deixou nela o seu espírito e o seu Coração». Tudo isto era verdade da alma do cura de Ars.


SEGUNDO PONTO: O seu amor pelo Sagrado Coração. – Como amava o Sagrado Coração de Jesus escondido nos nossos tabernáculos! Os que o conheceram intimamente atestam que não podia falar do Sagrado Coração sem chorar de emoção (attendrissement). «Ó meus filhos, exclamava, que é que Nosso Senhor faz no sacramento do seu amor? Tomou o seu bom Coração para nos amar; está lá, como no céu, sobre o seu trono de amor e de misericórdia, /127 estendendo-nos as suas mãos cheias de graças… Como é belo! Se o homem conhecesse bem este mistério, morreria de amor… Ó Jesus, conhecer-vos é amar-vos… Sai deste Coração Sagrado uma transpiração de ternura e de misericórdia, capaz de limpar (noyer) todos os pecados do mundo… Ó Coração de Jesus, prosseguia, com os olhos banhados de lágrimas, Coração de amor, flor de amor!... O Coração, era tudo o que restava de inteiro no santíssimo corpo do Salvador depois da sua morte, Longino feriu-o para dele fazer sair o amor!... Se não amarmos o Coração de Jesus, que amaremos então? Só existe amor neste Coração; como é que se faz para não amar o que é tão amável?»
Como córo pela minha frieza e pela minha indiferença ao ler estas palavras inflamadas do Santo cura! O seu coração era de fogo e o meu é de gelo. Perdoai-me, Senhor, tanta dureza e tanta ingratidão.


TERCEIRO PONTO: O seu ato de amor de Deus. – É belo este ato de amor, cuja fórmula é tão conhecida. Releiamo-la e meditemo-la. - «Amo-vos, ó meu Deus, e o meu único desejo é amar-vos até ao último suspiro da minha vida. Amo-vos, ó Deus infinitamente amável, e prefiro morrer amando-vos, do que viver um só instante sem vos amar. Amo-vos, Senhor, e a única graça que vos peço, é que vos ame eternamente.
«Amo-vos, ó meu Deus, e não desejo o céu senão para ter a felicidade de vos amar perfeitamente. Amo-vos, ó meu Deus infinitamente bom, e não apreendo (appréhende) o inferno senão porque aí não haverá nunca a doce consolação de vos amar… Meu Deus, se a minha língua não pode dizer a todo o momento que vos amo, quero que o meu coração vo-lo repita tantas vezes quanto as que respiro…
Bom Deus, fazei-me a graça de sofrer amando-vos e de vos amar sofrendo. Amo-vos, ó meu divino Salvador, porque fostes crucificado por mim; amo-vos, ó meu Deus, porque me mantendes aqui em baixo crucificado por vós…
Amar um Homem-Deus crucificado por nós, amor de reconhecimento!... Amar o meu Deus que nos crucifica, amor generoso!... Meu Deus, fazei-me a graça de morrer amando-vos e sentindo que vos amo. Meu Deus, à medida que me aproximo do meu fim, fazei-me a graça de aumentar o meu amor e de o aperfeiçoar».
Todo o coração do Santo cura está nesta expansão (épanchement) de amor, procuremos segui-lo.

Resoluções. – Imitarei sobretudo no cura de Ars o seu amor pela Eucaristia e o seu amor pelo Sagrado Coração, lá encontrarei todo o resto. A alma que comunga bem, diz-nos, torna-se humilde, doce, mortificada, caridosa, modesta e amável para toda a gente.

Colóquio com o Santo Cura.

3 de Agosto de 2009

03 de agosto - Parábola do Filho Pródigo

A terna misericórdia do Coração de Jesus

20 E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. 21 E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o… (Lc 15, 20-22).

Primeiro Prelúdio. Este pai que vai ao encontro do filho pródigo é Jesus que faz estes avanços aos pecadores pelas inspirações da sua graça.
Segundo Prelúdio. Ó bom Mestre, volto para vós, apertai-me ao vosso Coração e revesti-me com a vossa veste de graça.


PRIMEIRO PONTO: Os desvarios do pródigo. – Esta parábola é fecunda em ensinamentos. Os publicanos e os pecadores vinham ter com Nosso Senhor. Ele recebia-os com bondade. Os fariseus e os escribas estavam escandalizados. Com esta parábola Nosso Senhor encoraja os pecadores arrependidos e generosos, mostra-lhes a sua ternura com a qual acolhe as ovelhas desgarradas. E assim, responde indirectamente aos fariseus.
Quando uma alma se separa de Nosso Senhor para se entregar às suas paixões, Ele não faz um milagre para a reter contra a sua vontade. Lamenta que façamos um mau uso dos seus dons, mas não atenta contra a nossa liberdade, não pode. Deplora o mau uso que fazemos de um privilégio que deu aos homens para lhes permitir darem ao seu Pai e a Ele um amor livre, e de servirem a Deus não como escravos, mas como servos afeiçoados, voluntária e livremente agarrados ao seu mestre. Como o pai desta parábola, deixa o pobre coração abusar em todo a liberdade dos dons que recebeu.
Deixa o pecador esgotar o primeiro furor da paixão; depois quando vem o período da fadiga e do tédio, vem com as suas primeiras inspirações salutares.


SEGUNDO PONTO: As indústrias da graça. – Se a alma for fiel a estas primeiras sugestões da graça, Nosso Senhor reduplica a solicitude, porque o bom acolhimento feito a uma graça excita-o a conceder outra. Se o pecador for surdo a estas sugestões sem ser desprovido de generosidade, Nosso Senhor far-lhe-á a graça de lhe enviar uma provação que provoque o regresso a si mesmo. Durante esta prova, fala mais amigavelmente ao seu coração; faz-lhe sentir vivamente toda a torpeza do seu estado, todo o perigo da sua situação. Procura promover nele um sentimento de humildade.
Se o pecador for fiel às sugestões da graça, se não recuar diante do esforço a fazer para tomar consciência da miséria na qual caiu, para ver a porcaria de que se sujou, a lepra de que se cobriu, Nosso Senhor recompensa este primeiro sentimento tornando-o mais vivo. O coração penetrado de um desprezo profundo por si mesmo abre-se à acção divina. Um toque poderoso parte então este coração humilhado e ele confessa a sua falta. Geme pela sua miséria, que lhe aparece então em toda a sua torpeza. Compara o seu estado ao dos servos fiéis que vivem numa doce paz de alma sob os olhares benevolentes de Nosso Senhor. O sentimento da sua indignidade é então tão vivo, que ele exclama como o filho da parábola: «Meu Deus, não sou digno de ser vosso filho, mas tende piedade de um pobre coração contrito e humilhado». Levanta-se então resolutamente para entrar de novo em graça com Deus.
O Coração de Jesus, emocionado de compaixão, facilita a esta cara alma a penosa caminhada à qual finalmente se resolveu. Nosso Senhor acolhe de braços abertos o infeliz que desde este instante se torna de novo seu filho bem-amado.


TERCEIRO PONTO: Conversão e perdão. – Nosso Senhor cumula o convertido de carícias. Enche o seu coração com os mais doces sentimentos de alegria para o adoçar da amargura da penitência. Reserva a este pobre coração partido pelo arrependimento o festim delicioso das suas consolações. Longe de lhe reprovar o seu passado, mostra-se com ele cheio de doces delicadezas, porque já não é um pecador, mas um filho ternamente amado.
Esta conversão alegra o Coração de Jesus, e se o filho reencontrado continua a ser generoso, se é sobretudo amoroso, este regresso pode ser o ponto de partida não somente de uma vida correcta e virtuosa, mas muitas vezes de uma santidade deslumbrante. Mas para isso é preciso sempre que Nosso Senhor encontre no coração do convertido um grande impulso de generosidade.
Consideremos o convertido da parábola. Logo que reconhecida a sua falta, o seu coração contrito e humilhado experimentará o sentimento profundo da sua indignidade. A acção segue imediatamente a resolução.

Levantar-me-ei, diz, e irei ter com o meu pai, e não podendo conter-se, levanta-se e vai exprimir ao seu pai a sua indignidade e pedir um lugar de simples doméstico.
Esta generosidade, é preciso tê-la sempre, de outro modo a pessoa arrasta-se primeiro para a tibiez e depois cai ainda mais baixo.
Meditemos também no acolhimento feito à generosidade do arrependimento: o pai não deixa ao filho senão o tempo de confessar a sua falta, depois aperta-o ao coração, perdoa-lhe e cumula-o com os seus dons. Que tocante e encorajadora parábola!


Resoluções. – Pensarei muitas vezes durante o dia na bondade, na ternura do Coração de Jesus. Recordarei as melhores circunstâncias da minha vida, a minha conversão, a minha vocação. O reconhecimento levar-me-á a ser mais fiel à minha regra, às minhas resoluções, mais afectuoso para com Nosso Senhor, mais generoso nos pequenos sacrifícios de cada dia.

Colóquio com o Sagrado Coração.

2 de Agosto de 2009

02 de agosto - Parábola da Semente

5 Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6 Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7 Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8 Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um (Lc 8, 5-8).

Primeiro Prelúdio. Jesus está no começo da sua vida pública. Vai de cidade em cidade com os doze a pregar o Evangelho. Vê as suas parábolas a caírem como a semente e dá-los esta bela parábola.

Segundo Prelúdio. Bom Mestre, é do vosso divino Coração que vêm todos estes ensinamentos relatados no Evangelho, disponde o meu coração a recebê-los bem.


PRIMEIRO PONTO: A frieza. - «Eis o Coração, diz Nosso Senhor, que tanto amou os homens, e que nada se poupou para lhes testemunhar o seu amor e ganhar os seus corações, e no entanto não recebe da maior parte senão frieza, indiferença e ingratidão».
Jesus semeou os seus benefícios, multiplicou os mistérios do seu amor, desde a incarnação até ao calvário. Passou fazendo o bem. Repetiu os seus ternos convites a segui-lo e a amá-lo: «Vinde a mim vós todos que sofreis, e eu vos aliviarei… Vinde receber o alimento do eu sangue e a bebida do meu sangue… Vinde matar a sede nas fontes do meu Coração…».
Mas as suas palavras caem muitas vezes sobre o grande caminho onde passam as pessoas ocupadas, atarefadas e dissipadas. Os seus apelos encontram corações frios e duros que não se deixam comover.
O bom Mestre semeia e semeia ainda. Bate à porta dos corações, mendiga o nosso amor. Mas o grão é levado pelo vento e devorado pelos pássaros.
O seu Coração não encontra senão frieza e sofre com isso, como um coração delicado sabe sofrer.


SEGUNDO PONTO: A indiferença. – Outra parte do grão cai em terreno pedregoso, germina, depois seca e morre.
Os apelos do Salvador encontram muitas vezes estes terrenos pedregosos e sem profundidade. Tocam ao de leve as nossas almas e produzem nelas um instante de emoção, depois todo o movimento da graça se detém e extingue-se.
Oh! Como Nosso Senhor se lamenta dos corações indiferentes! São capazes de uma ligeira emoção de um momento, depois tudo acaba depressa.
Estas almas não têm recolhimento. Não conservam nelas mesmas as luzes e as graças recebidas. Tudo fica na superfície. Se fazem oração, cansam-se depressa e abandonam-se ao sono ou à fantasia. As suas comunhões fazem-se negligentemente, as suas acções de graças são sem generosidade. Os exames são feitos à pressa, as leituras espirituais são superficiais. O recolhimento habitual não existe, nada se faz com cuidado, com seguimento, com método.
Nosso Senhor pode semear quanto quiser nestas almas. A semente nunca penetrará profundamente nem dará algum fruto.
Não é tudo isto feito para cansar o semeador e desgostá-lo destas almas junto das quais perde o seu esforço? Oh! Como bem se compreende a tristeza que exprimia a Margarida Maria acerca das almas tíbias e indiferentes, que se cansam do seu amor!


TERCEIRO PONTO: A ingratidão. – Uma parte do grão cai sobre um terreno fértil, mas é sufocado pelos espinhos.
Os apelos de Jesus são escutados por algumas almas que são como terrenos repletos de raízes e de sementes de ervas daninhas. Estes terrenos não foram mondados. Estes corações não foram purificados. Não são sensíveis ao amor de Nosso Senhor, mas não têm coragem para renunciar aos afectos naturais e sensuais, aos apegos apaixonados. E o amor de Nosso Senhor é depressa sufocado por todos estes afectos e paixões absorventes.
Nosso Senhor é um Deus ciumento. Não quer corações partilhados. Retira-se destes corações onde o colocam ao nível das criaturas. Como poderia comprazer-se nesta promiscuidade?
Mas há uma parte da semente que cai na boa terra e que produz o cêntuplo. Nosso Senhor ao dizer-nos isto considerava com alegria as almas fervorosas, a almas unidas a Ele, que recebem abundantemente a semente pela fidelidade da oração, pela regularidade habitual, o recolhimento, a vida interior, a união aos mistérios do Sagrado Coração. Oh! São então sementeiras de todo o dia e dão frutos ao cêntuplo. Como Nosso Senhor se satisfaz a cultivar estas terras férteis, que dão ao seu Coração tantos frutos de puro amor!


Resoluções. – Senhor, a vossa bela parábola impressiona o meu coração. Vejo a necessidade de uma vida toda de regra, toda de calma, de recolhimento, de docilidade à graça. Perdão, Senhor, por todos estes anos nos quais desperdicei as vossas divinas sementes. Voltai.

Colóquio com o Sagrado Coração.

1 de Agosto de 2009

01 de agosto - Mês do Santo Coração de Maria

5 Quem é esta que sobe do deserto e vem encostada ao seu amado? Debaixo da macieira te despertei, ali esteve tua mãe com dores; ali esteve com dores aquela que te deu à luz. 6 Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas (Cant 8, 5-6).

Primeiro Prelúdio. Maria é a esposa preferida do Rei dos céus. Ela colocou sobre o seu coração e no seu coração o Esposo celeste e nunca mais o deixou.
Segundo Prelúdio. Santo Coração de Maria ensinai-me o amor de Jesus, a união com Ele e o sacrifício.

PRIMEIRO PONTO: O Coração de Maria é o Santo dos santos da lei nova. – O mês de Agosto, mês do triunfo de Maria, é dedicado ao seu Coração, nunca o esqueceremos.
Chamamos Maria a Casa de ouro e a Arca da Aliança nas suas ladainhas. Estes nomes convêm sobretudo ao seu Santíssimo Coração.
A Casa de ouro, era o rico palácio de David; a Arca da Aliança, era o cofrezinho misterioso, conservado no santuário do templo e que continha o maná miraculoso.
Não é então Maria bem nomeada a Casa de ouro e a Arca da Aliança pela presença do Filho de David e do Filho de Deus no seu seio?
Mas o Padre Eudes ensinou-nos a reconhecer no Coração de Maria a Arca da Aliança, o Tabernáculo e o Santo dos santos. O Sagrado Coração de Jesus, diz, é o santuário por excelência onde Deus é adorado, glorificado e amado de uma maneira digna das suas grandezas e das suas bondades infinitas. Mas o Santo Coração de Maria é o segundo santuário do amor divino, ornado da beleza refulgente de todas as virtudes; santuário que foi sempre a gloriosa morada do Santo dos santos, e no qual há mais honra, mais glória e mais amor pela santíssima Trindade do que em todos os santuários materiais e espirituais de todos os tempos, porque este Coração virginal está num exercício e num sacrifício perpétuo de amor, de louvor, de adoração e de acção de graças para com a Santíssima Trindade!


SEGUNDO PONTO: O turíbulo de ouro. – Este Coração também é representado pelo turíbolo de ouro que está nas mãos do anjo no Apocalipse: turíbulo de ouro, porque o santo Coração de Maria é todo ouro e todo amor. Este turíbulo está nas mãos do Anjo do grande conselho, é Nosso Senhor mesmo quem dispõe do Coração de Maria e o inclina para onde quer.
A Virgem Maria, observa o Padre Eudes, não oferece apenas, no santuário do seu Coração, exercícios de amor e de louvor, mas também vítimas de amor, como o Sumo-sacerdote da Antiga Lei oferecia o sangue do sacrifício no Santo dos santos. A primeira vítima que ela oferece é o seu divino Filho, que ela ofereceu já no templo de Jerusalém e no Calvário, e que ela ainda oferece continuamente no céu. – A segunda vítima, é ela mesma que viveu sobre a terra num sacrifício contínuo de todo o seu ser e que apresenta sem cessar este sacrifício a Deus no céu.
Este celeste santuário é bem para nós, porque é o Coração da nossa mãe; saibamos unir-nos aos seus sacrifícios tão eficazes e tão agradáveis a Deus. Apresentemos a Deus as vítimas de adoração, de oração, de amor e de reparação oferecidas por Maria, unindo-lhes os nossos pequenos sacrifícios quotidianos.


TERCEIRO PONTO: O altar dos sacrifícios. – O Padre Eudes ensina-nos também a oferecer sobre este altar do Coração de Maria o sacrifício da missa. Dá este sentido simbólico à antífona do começo da missa: Introibo ad altare Dei: entrarei no altar de Deus. O altar de Deus, diz-nos, é o Coração de Jesus e o Coração de Maria, que constituem moralmente apenas um. Sacerdotes e fiéis, quando dizemos esta antífona, recordamo-nos que é sobre este altar dos seus Corações que Jesus e Maria oferecem quotidianamente a Deus todas as missas que são celebradas.
É sobre este mesmo altar que devemos também oferecer o santo sacrifício, e não somente sobre o altar visível e material que aparece aos nossos olhos e que não é senão a sombra daquele.
Tendo de oferecer este sacrifício sobre um altar tão santo e tão doce, devemos oferecê-lo fazendo e dizendo todas as coisas em união do amor, da caridade, da humildade e da santidade destes dois Corações admiráveis. Eles formam de alguma maneira um só altar, que nós chamamos também o Santo dos santos, quando subindo ao altar, o sacerdote reza a Deus «para o desapegar de toda a iniquidade a fim de que mereça entrar no Santos dos santos com uma alma pura e santa».
Oh! Como estas reflexões nos podem ajudar a dizer santamente a missa se somos padres; a ela assistirmos santamente, se o não somos!
Num dia da Assunção, S. João Damasceno dizia: «Hoje a Arca santa e animada do Deus vivo foi transportada para o templo do céu».
Louvemos e bendigamos a Arca da aliança do Novo Testamento. É junto dela que queremos viver e oferecer o sacrifício quotidiano do cumprimento de todos os nossos deveres.


Resoluções. – Maria quis viver no templo junto da Arca da aliança, eu quero viver junto de Maria, unir-me a ela como a Jesus por todas as minhas acções.
Colóquio com Maria.