7 de março de 2010

7 de março - São Tomás de Aquino

No meio da Assembleia abrirá a sua boca e enchê-lo-á com o espírito da sabedoria e da inteligência, e revesti-lo-á de glória. Dar-lhe-á um tesouro de contentamento e de alegria e dará ao seu nome uma herança de honra (Eccl. 15,5).

Primeiro Prelúdio: A Igreja retira estas belas palavras do livro do Eclesiástico no ofício dos doutores. S. Tomás é um daqueles aos quais elas se aplicam melhor.

Segundo Prelúdio: Senhor, dai-me o espírito de pureza de S. Tomás e o seu amor pela ciência sagrada e pela Eucaristia.

PRIMEIRO PONTO: A infância. – Neste capítulo do livro do Eclesiástico que a Igreja cita abundantemente no ofício dos doutores, o Espírito Santo diz-nos que Deus dá a sabedoria e a ciência àqueles que o temem, que o servem e que o amam. Os amigos do mundo podem ter uma ciência relativa, brilhante em alguns pontos, incompleta e misturada com erros, não terão a ciência divina, a ciência sobrenatural, o dom da ciência e da sabedoria.
S. Tomás de Aquino, desde a sua mais tenra idade, mereceu estes belos títulos de alma justa e temente a Deus. Aos cinco anos, a sua piedade encoraja os seus pais a confiarem a sua educação aos beneditinos do Monte Cassino. Como a Santa Virgem, passa toda a sua juventude no templo. Aí é feliz e edificante. A sua regularidade, o seu zelo pelo estudo fazem a admiração dos seus condiscípulos e até dos próprios mestres.
Como S. João Batista, como Jesus, crescia em sabedoria e em graça ao mesmo tempo que crescia em idade.
Parecia feito para a família beneditina, no entanto a vocação divina levou-o para uma ordem mais apostólica. Decidiu-se a entrar na ordem dominicana, à qual devia trazer tanto brilho; mas o demónio parecia suspeitar do seu valor e opôs-lhe cem obstáculos.

SEGUNDO PONTO: A luta. – A família de S. Tomás era contrária à sua vocação. Os seus irmãos vinham ao noviciado de Nápoles atormentá-lo para o levarem a sair. Os seus mestres dirigiram-no para Paris a fim de o subtraírem a esta pressão ímpia; mas os seus irmãos raptaram-no no caminho e encerraram-no num castelo de campo, onde teve de suportar da sua parte novos vexames. Foram mesmo tão grosseiros até ao ponto de enviarem uma mulher para o assediar. Mas ele resistiu a tudo. Expulsou esta infeliz com um tição da chaminé. Fez uma cruz no muro com este tição, rezou e viu em êxtase um anjo que vinha cingir os seus rins e extinguir nos seus sentidos toda a revolta da carne.
Solicitado ainda pelas suas irmãs para se dedicar à vida secular, conquistou-as a elas à piedade, depois escapou-se por uma janela para ir reencontrar o seu convento, e daí foi estudar para Colónia com Alberto o Grande. Uma outra provação o esperava. O seu carácter grave e reflectido, e o seu amor pelo silêncio fizeram crer aos seus condiscípulos que era pouco inteligente. Era objecto das suas zombarias. Comparavam-no mesmo a um boi.
Para saber em que poder basear-se, o seu mestre Alberto o Grande chamou-o e interrogou-o. Reconheceu o seu valor e disse aos outros jovens: os mugidos deste boi far-se-ão um dia sentir em todo o mundo.
Tinha, portanto, provado sucessivamente o seu amor heróico pela pureza, pela humildade, pelo trabalho e pela regra. Devia as suas vitórias à Santíssima Virgem que amava com um amor verdadeiramente filial.
E eu, onde me encontro no cultivo destas belas virtudes? Não tenho a contar mais derrotas do que vitórias? Não negligenciei a devoção filial e terna a Maria que me teria protegido contra os assaltos do demónio e da natureza corrompida?

TERCEIRO PONTO: O doutor e o apóstolo. – Aos vinte e cinco anos ensina teologia em Paris. Os seus sucessos perturbam a sua humildade, mas consagra os seus tempos livres à oração e às leituras piedosas.
É diante de Deus que estuda. Todas as suas ações são santificadas pelas intenções mais puras. Tudo refere a Nosso Senhor.
O belo ofício que escreveu para a festa do Santíssimo Sacramento, mostra simultaneamente a elevação dos seus sentimentos e a ternura do seu coração no culto da Eucaristia.
Prega frequentemente, mas sem pretensão, com muita simplicidade e unção. A sua palavra edifica e impressiona os seus ouvintes.
A sua conversa é sempre grave e piedosa. Não compreende que as pessoas possam ocupar-se com assuntos fúteis. Não escuta conversas que se ocupam com bagatelas.
A devoção ao Sagrado Coração ainda não estava revelada, mas S. Tomás tinha mesmo assim um ardente amor por Nosso Senhor. Testemunhava-o amando a cruz, a Eucaristia e a Santíssima Virgem Maria.
Ganhou o Coração de Jesus e, por um favor extraordinário, Nosso Senhor /261 disse-lho ainda durante a sua vida. Conta-se que um dia em que ele rezava longamente diante do crucifixo, a imagem de Cristo se animou, e Nosso Senhor disse ao seu piedoso adorador: «Tomás, tu falaste bem de mim». Era ao mesmo tempo autorizar os escritos do doutor e louvar a devoção do santo para com o divino Mestre.

Resolução. – Que belos exemplos de amor pela pureza, pela humildade, pela vida interior! Seguindo o vosso exemplo, grande santo, quero amar Nosso Senhor, a sua cruz, a sua Eucaristia, a sua santa Mãe. Estas devoções conduzir-me-ão à do Sagrado Coração, que Nosso Senhor hoje pede de nós.
Colóquio com S. Tomás.