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Pe Francisco Sehnem scj

 

 

APOSTOLADO SOCIAL DO PADRE DEHON

UM LONGO CAMINHO

 

Como jovem sacerdote, em São Quintino, Leão Dehon defendia a Monarquia. Fundou o ‘Le Conservateur de L’Aisne’, jornal católico e monárquico. Em 1878 ‘Democracia’ ou as ‘idéias democráticas’ no campo da educação, tinham para o Padre Dehon um inaceitável significado de adesão às idéias republicanas originárias da Revolução de 1789.

Por volta de 1890, quando surgiu a Democracia Cristã como típico movimento social pela justa conquista dos direitos da classe operária e pela defesa contra o Capitalismo, o Padre Dehon não terá dificuldades em aderir a ela, pois, sempre lutou contra as injustiças do Capitalismo.

Quando Leão XIII, em 1892, com a encíclica ‘Au milieu des sollecitudes’ pedir aos católicos a adesão à República, Padre Dehon tornar-se-á decididamente republicano e democrático, também no sentido político.

Padre Dehon, nos primeiros 25 anos de seu apostolado social, mais ou menos intenso (1871 –1890), assume a doutrina e as iniciativas dos católicos sociais. Ele via a solução da questão social em concessões, sobretudo paternalistas, das classes superiores e em várias iniciativas sociais, como as corporações, os círculos operários e os patronatos.

A partir de 1891, sob o impulso do pensamento de Leão XIII (Rerum Novarum), adere à Democracia Cristã e torna-se um dos mais célebres padres democratas. Defende uma sociedade democrática, a República; luta pela liberdade e autonomia sindical e pela justiça social. Entende que é preciso confiar nos trabalhadores, não substituí-los, mas ajudá-los a ter consciência dos seus direitos e dos seus deveres. Entende que não se pode privar os operários da dignidade de protagonistas da sua história. Era a rejeição de todo paternalismo e a exigência de realizar a justiça social.

Ir ao povo significa, para ele, dedicar-se preferencialmente aos últimos, aos novos pobres da sociedade industrial, à classe operária.

Inicialmente acreditara que as obras a favor dos deserdados e dos trabalhadores teriam que ser promovidas exclusivamente pela iniciativa dos patrões, formados cristãmente na justiça e na caridade (achava que eram também os únicos em condições de fazê-lo).

Mas, aos poucos, acabou se persuadindo de que os verdadeiros artífices dos tempos novos só poderiam ser as próprias camadas populares e, em particular, a classe operária (cf. Bartolomeu Sorge, SJ, in ‘Incontro SCJ’, janeiro de1978).

 

Na medida em que o Padre Dehon faz a sua longa caminhada, deixa-nos também muitos escritos interessantes. Temos hoje vários volumes editados das Obras Sociais do nosso Fundador. Aqui lembramos rapidamente sua contribuição neste campo, que abrange, sobretudo, o período de 1889 a 1903 (1908).

  • 1889-1903: Revista “O Reino do Coração de Jesus, nas almas e nas sociedades”.
  • 1894: Edita o Manual Social Cristão.
  • 1895: A usura no nosso tempo.
  • 1897-1908: Vários artigos na revista “La Chronique du Sud-Est”.
  • 1897: Os nossos congressos.
  • 1897: Diretrizes pontifícias políticas e sociais.
  • 1898: O catecismo social.
  • 1899: Riqueza, justo bem-estar e pobreza.
  • 1900: A renovação social cristã (traduzida para o português).
  • 1897-1900: As ‘Conferências Romanas’.

 

A partir dos seus escritos, principalmente do seu Manual social cristão, podemos descobrir porque o Padre Dehon considerou o apostolado social muito urgente e quais meios ele sugeria para poder levá-lo adiante.

 

Por que apostolado social (MSC – 2ª parte)

  • Para atender ao apelo de Leão XIII (Rerum Novarum).
  • Porque o povo se extravia e se engana; está enganado e induzido em erro (Liberalismo, Maçonaria, Socialismo).
  • Porque o povo é infeliz, sofre e está num estado de miséria imerecido; está sem apoio.
  • O sacerdote precisa ir ao povo para seguir o exemplo de Jesus, o Bom Pastor. É preciso buscar as ovelhas e facilitar-lhes a participação na vida da comunidade.

 

Meios de apostolado social, sugeridos pelo Padre Dehon. Que meios temos a disposição, o que podemos fazer?

  • Vistas domiciliares.
  • Pela palavra e pelas obras.
  • Através da imprensa popular.
  • Círculos de estudo, conferências, retiros que formam os apóstolos.
  • Através de associações religiosas e profissionais, principalmente criando sindicatos e corporações.
  • Buscando um relacionamento afetivo com os fiéis; considerando também as aspirações dos homens (não só das mulheres e crianças); Facilitando-lhes o acesso aos sacramentos.
  • Participando no sofrimento e dificuldades do povo e orientando-o em suas reivindicações.

Para realizar tudo isso, o sacerdote precisa suscitar a colaboração de muitos leigos cristãos, porque, sem a ajuda de leigos dedicados, o seu ministério pastoral não poderá atingir a maioria daquele que precisam. O sacerdote sozinho não tem como chegar até eles. (cf MSC, 2ª parte e Coração Sacerdotal, 26ª conferência).

P. Francisco Sehnem, scj.


 

 

© 2006-2007 - Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus
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Todos os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores.


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