Hist�ria do culto ao Cora��o de Jesus
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Na Idade M�dia
O culto ao Cora��o de Cristo deixa a sua fase embrion�ria, vai adquirindo, gradualmente, forma e express�o e passa a uma propaga��o generalizada.
N�o houve um descobrimento repentino do Cora��o de Jesus na Idade M�dia, mas uma transi��o gradual e quase inconsciente da Teologia objetiva dos Santos Padres para uma devo��o ardente e subjetiva ao Cora��o ferido de Jesus e �s suas disposi��es pessoais. E acabou acontecendo uma s�ntese fecunda dos aspectos objetivos e subjetivos: os tesouros de salva��o do Cora��o transpassado do Crucificado agora s�o vistos como os grandes presentes do amor pessoal do Redentor.
Santo Anselmo nos diz que a abertura do lado de Cristo nos revelou as riquezas de sua bondade, isto �, a caridade do seu Cora��o para conosco (cf. Medit. PL 68, 761). E s�o Bernardo escreve: �A lan�a penetrou em sua alma. A lan�a chegou ao seu Cora��o de modo que, de hoje em diante, ele pode carregar as nossas fraquezas. Pela ferida do corpo se descobre o segredo do Cora��o, por ela aparece este grande sacramento de sua bondade, as entranhas de miseric�rdia de nosso Deus. Quem pode ver outra coisa nestas feridas? Como, Senhor, poder�amos ver mais claramente do que por tuas feridas, que est�s cheio de bondade e suavidade, repleto de miseric�rdia?� (Serm�o sobre o C�ntico dos C�nticos, LXI, 34; PL 182, 1071-72).
A evolu��o do culto ao Cora��o de Jesus, sujeita ao contexto s�cio-cultural dessa �poca hist�rica, processa-se em tr�s per�odos distintos.
O primeiro per�odo (s�culos XI-XIII) � marcado pela heran�a patr�stica, circunscrita ainda a um grupo de te�logos. Come�a, no entanto, a generalizar-se a id�ia do Cora��o de Jesus como s�mbolo do seu amor.
O segundo per�odo (s�culos XIII-XIV), caracterizado pelo florescimento dos grandes m�sticos, pelas cruzadas e pela medita��o do mist�rio da Paix�o, marca uma etapa importante na evolu��o deste culto. Como as pr�prias circunst�ncias hist�ricas o indicam, acentua-se o aspecto subjetivo, segundo a Escola de Alexandria. A viv�ncia crist� rege-se, sobretudo, pela uni�o pessoal a Cristo. Deste modo, o culto ao Cora��o de Jesus reveste-se de um car�ter m�stico e individual, como resposta aos anseios da �poca. Surge, dentro deste contexto, a devo��o ao ap�stolo s�o Jo�o, como primeiro m�stico e aquele que recebeu, com maior abund�ncia, os frutos da fonte do Salvador.
Merecem particular refer�ncia, pela sua estreita rela��o com o culto ao Cora��o de Jesus, s�o Boaventura, Matilde de Magdeburgo, Matilde de Hackeborn e sua irm� santa Gertrudes, ligadas ao Convento de Helfta e, ainda, santa Catarina de Sena.
A cria��o da Festa de Corpus Christi (Urbano IV/1264) estabelece um relacionamento desse culto com a Eucaristia, na medida em que era considerada como dom e presen�a do Cora��o de Cristo. A evolu��o do culto ao Cora��o de Cristo traduz-se na viv�ncia individual da sua riqueza interior. A sua influ�ncia ultrapassa o �mbito da Teologia e penetra nos conventos e nas Ordens Mendicantes. N�o podemos, todavia, falar ainda em culto p�blico ao Cora��o de Jesus.
O terceiro per�odo (s�culos XIV-XVII) � caracterizado pela renova��o e expans�o do culto ao Cora��o de Jesus. A influ�ncia transp�e os muros dos conventos e estende-se, gradualmente, �s massas populares. Centenas de manuscritos descobrem-nos uma imensidade de ora��es ao Cora��o de Jesus; aparecem numerosas representa��es art�sticas e as primeiras tentativas de uma forma��o lit�rgica sobre o mist�rio do Cora��o de Jesus.
pe. Francisco Sehnem, scj
Especialista na Espiritualidade do Sagrado Cora��o de Jesus
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