2 de Agosto de 2009

02 de agosto - Parábola da Semente

5 Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. 6 Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. 7 Outra caiu no meio dos espinhos; e estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. 8 Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um (Lc 8, 5-8).

Primeiro Prelúdio. Jesus está no começo da sua vida pública. Vai de cidade em cidade com os doze a pregar o Evangelho. Vê as suas parábolas a caírem como a semente e dá-los esta bela parábola.

Segundo Prelúdio. Bom Mestre, é do vosso divino Coração que vêm todos estes ensinamentos relatados no Evangelho, disponde o meu coração a recebê-los bem.


PRIMEIRO PONTO: A frieza. - «Eis o Coração, diz Nosso Senhor, que tanto amou os homens, e que nada se poupou para lhes testemunhar o seu amor e ganhar os seus corações, e no entanto não recebe da maior parte senão frieza, indiferença e ingratidão».
Jesus semeou os seus benefícios, multiplicou os mistérios do seu amor, desde a incarnação até ao calvário. Passou fazendo o bem. Repetiu os seus ternos convites a segui-lo e a amá-lo: «Vinde a mim vós todos que sofreis, e eu vos aliviarei… Vinde receber o alimento do eu sangue e a bebida do meu sangue… Vinde matar a sede nas fontes do meu Coração…».
Mas as suas palavras caem muitas vezes sobre o grande caminho onde passam as pessoas ocupadas, atarefadas e dissipadas. Os seus apelos encontram corações frios e duros que não se deixam comover.
O bom Mestre semeia e semeia ainda. Bate à porta dos corações, mendiga o nosso amor. Mas o grão é levado pelo vento e devorado pelos pássaros.
O seu Coração não encontra senão frieza e sofre com isso, como um coração delicado sabe sofrer.


SEGUNDO PONTO: A indiferença. – Outra parte do grão cai em terreno pedregoso, germina, depois seca e morre.
Os apelos do Salvador encontram muitas vezes estes terrenos pedregosos e sem profundidade. Tocam ao de leve as nossas almas e produzem nelas um instante de emoção, depois todo o movimento da graça se detém e extingue-se.
Oh! Como Nosso Senhor se lamenta dos corações indiferentes! São capazes de uma ligeira emoção de um momento, depois tudo acaba depressa.
Estas almas não têm recolhimento. Não conservam nelas mesmas as luzes e as graças recebidas. Tudo fica na superfície. Se fazem oração, cansam-se depressa e abandonam-se ao sono ou à fantasia. As suas comunhões fazem-se negligentemente, as suas acções de graças são sem generosidade. Os exames são feitos à pressa, as leituras espirituais são superficiais. O recolhimento habitual não existe, nada se faz com cuidado, com seguimento, com método.
Nosso Senhor pode semear quanto quiser nestas almas. A semente nunca penetrará profundamente nem dará algum fruto.
Não é tudo isto feito para cansar o semeador e desgostá-lo destas almas junto das quais perde o seu esforço? Oh! Como bem se compreende a tristeza que exprimia a Margarida Maria acerca das almas tíbias e indiferentes, que se cansam do seu amor!


TERCEIRO PONTO: A ingratidão. – Uma parte do grão cai sobre um terreno fértil, mas é sufocado pelos espinhos.
Os apelos de Jesus são escutados por algumas almas que são como terrenos repletos de raízes e de sementes de ervas daninhas. Estes terrenos não foram mondados. Estes corações não foram purificados. Não são sensíveis ao amor de Nosso Senhor, mas não têm coragem para renunciar aos afectos naturais e sensuais, aos apegos apaixonados. E o amor de Nosso Senhor é depressa sufocado por todos estes afectos e paixões absorventes.
Nosso Senhor é um Deus ciumento. Não quer corações partilhados. Retira-se destes corações onde o colocam ao nível das criaturas. Como poderia comprazer-se nesta promiscuidade?
Mas há uma parte da semente que cai na boa terra e que produz o cêntuplo. Nosso Senhor ao dizer-nos isto considerava com alegria as almas fervorosas, a almas unidas a Ele, que recebem abundantemente a semente pela fidelidade da oração, pela regularidade habitual, o recolhimento, a vida interior, a união aos mistérios do Sagrado Coração. Oh! São então sementeiras de todo o dia e dão frutos ao cêntuplo. Como Nosso Senhor se satisfaz a cultivar estas terras férteis, que dão ao seu Coração tantos frutos de puro amor!


Resoluções. – Senhor, a vossa bela parábola impressiona o meu coração. Vejo a necessidade de uma vida toda de regra, toda de calma, de recolhimento, de docilidade à graça. Perdão, Senhor, por todos estes anos nos quais desperdicei as vossas divinas sementes. Voltai.

Colóquio com o Sagrado Coração.