13 Novembro 2008

Que crise estamos enfrentando?

Quando os seres humanos se reuniram e passaram a cooperar entre si, fizeram isso para sobreviver. A necessidade de conseguir alimentos, de encontrar abrigos adequados para escapar das intempéries (chuvas, ventos, calor excessivo), de defender-se dos animais agressivos; de conseguir meios para transportar os produtos encontrados etc., tudo isso uniu os humanos em grupos e pequenas “organizações”. Com o passar do tempo, essas atividades tornaram-se muito complexas, fazendo com que surgisse a Economia (todas as atividades realizadas para manter a vida sobre a terra); surgiu também a Política (a arte de distribuir, manter e exercer o poder para o bem viver das comunidades). Além dessas, tantas outras artes e ciências surgiram.
Hoje, isto é, neste ano, estamos assistindo e convivendo com uma grave crise econômica. A crise é tão grave que não estamos conseguindo perceber e dizer qual a sua profundidade e dimensão. Certamente, somente o futuro poderá dizer-nos alguma coisa que faça sentido. Hoje, qualquer prognóstico que fizermos, sabemos, de antemão, que estamos errados. Como recentemente dizia um Executivo de uma grande empresa mundial, quando participava de reunião para traçar um cenário de futuro: “Qualquer número ou idéia que traçarmos para o ano 2009 estará errada e será falsa. Estamos tomados pela incerteza”.
Mas, afinal de contas, o que está tão errado? Que crise é essa que estamos vivendo? Podemos arriscar algumas idéias.
A atividade econômica tem a função primordial de produzir bens que tenham a capacidade de satisfazer necessidades humanas básicas da pessoa: alimentação, habitação, saúde e higiene, educação, transporte, lazer etc. Se nós somarmos tudo o que é produzido no mundo hoje (para satisfazer as necessidades citadas) e medirmos esse conjunto de bens produzidos, em dólares americanos, chegamos à cifra de 30 trilhões de dólares.
Mas, ao mesmo tempo, se somarmos os “valores”, as “ações” que as pessoas compram e vendem, e não satisfazem necessidade alguma, chegamos ao assustador e espantoso número de mais de 100 trilhões de dólares americanos!
E, aí está o problema: o que temos na economia mundial hoje não são bens para satisfazer necessidades e, assim, manter a vida, mas temos ”valores” girando no mundo. E, lógico, pobre não tem esses “valores”. Ele tem fome. Quer educação. Precisa de remédios. Quer estradas em condições. Tem direito a uma habitação digna.
Porém, o que temos aí é o que se chama de “capitalismo financeiro”: quem tem “dinheiro” quer e consegue mais “dinheiro”. Por isso, investe, mas não mexe um dedo para produzir algo que satisfaça necessidades humanas básicas. O mundo tem caminhões de “dinheiro”, isto é, “valores” e passamos fome, moramos na rua, estamos doentes, as crianças sem escola boa etc.
A crise, que estamos vivendo, atinge a todos. Ninguém escapa. Ao menos, nos próximos dois anos. A “coisa tá feia”! Isto é crise!

Nestor Adolfo Eckert – [email protected]